Com o barril de Brent a rondar valores na ordem dos 70 dólares americanos, podemos dizer que a cotação do barril de petróleo está em queda e atualmente nos valores pré-guerra Estados Unidos da América vs Irão. Mas nem com o petróleo a descer de cotação de forma consecutiva e na casa dos 10% vamos assistir a uma descida dos preços dos combustíveis.
Bem pelo contrário!
De acordo com informações de especialistas do setor da energia que já avançam com algumas previsões, tudo indica que os preços dos combustíveis irão voltar a subir em Portugal na próxima semana. Os valores ao certo ainda não são conhecidos. Falta perceber qual será a cotação definitiva do barril de Brent nos mercados internacionais no final de sexta-feira (amanhã).
De qualquer forma, e pese embora a queda de 10% na cotação do petróleo nas últimas semanas, as previsões apontam para subidas nos preços dos combustíveis. No caso da gasolina simples a subida será de 1 cêntimo por litro, enquanto no caso do gasóleo simples a previsão aponta para uma subida de 3 cêntimos por litro. Estas são as previsões para a semana que começa a 6 de julho.
Petróleo a descer. Preços dos combustíveis a subir. Governo quer explicações
Esta é uma situação verdadeiramente contraditória. Até porque cada vez que o mundo é impactado por alguma coisa, os preços dos combustíveis normalmente refletem de imediato uma subida de valores.
Neste caso, verificamos que as descidas não acompanham a rapidez da desvalorização do petróleo nos mercados internacionais.
Em reação, o Governo, por intermédio da Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, decidiu entrar em ação.
A ministra disse nesta quarta-feira que o Governo pediu à ENSE – Entidade Nacional para o Setor Energético para analisar a evolução dos preços dos combustíveis, por não estarem a descer ao mesmo ritmo a que subiram: “Nós já pedimos à ENSE para olhar para esta questão”, afirmou Maria da Graça Carvalho, em resposta a uma pergunta sobre a evolução dos preços dos combustíveis, em audição na Comissão de Ambiente e Energia no Parlamento.
ENSE justifica preços dos combustíveis com custos de refinação e escassez de armazenagem
Não foi preciso esperar muito para se verificar uma reação da ENSE às dúvidas levantadas pelo Governo.
A entidade que tem competências de fiscalização e supervisão no setor energético, incluindo na área dos combustíveis, em declarações à Lusa, justifica a lentidão na descida dos preços dos combustíveis em Portugal com dois fatores:
– custos de refinação
– escassez de armazenagem
“A redução de preços na cadeia de valor, com especial destaque na área da refinação, é por definição mais lenta que as reduções de preços de matéria-prima (Crude/Brent), pois refletem duas componentes menos voláteis, que são os elevados custos fixos de produção e a escassez de armazenagem na Europa”, diz a ENSE.
Os especialistas no setor da energia referem que, tendo em conta a atual situação, os valores dos combustíveis deverão manter-se elevados nos próximos meses. Uma redução mais significativa nos preços dos combustíveis, a acontecer, só deverá acontecer mais para o final do ano, principalmente quando forem repostos os níveis de armazenamento na Europa dos combustíveis refinados.
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