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Primeiro Contacto | Honda CB1000F – A lenda CB-F renasce

Descubra a nova Honda CB1000F. Primeiro contacto com a naked retro de 1.000 cc que combina motor derivado da Fireblade, tecnologia moderna e o estilo clássico das lendárias CB dos anos 80.

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Primeiro Impacto – O regresso de uma lenda com alma Fireblade

Quase cinco décadas depois de a sigla CB-F se tornar uma referência entre as grandes naked japonesas, a Honda recupera um dos nomes mais icónicos da sua história. A nova CB1000F não é apenas um exercício de nostalgia.

É uma interpretação moderna da filosofia que tornou lendárias motos como a CB750F e a CB900F, conciliando linhas clássicas com tecnologia atual e uma base mecânica derivada da Fireblade.

Desenvolvida sobre a plataforma da CB1000 Hornet, mas profundamente revista para assumir uma personalidade própria, a CB1000F procura conquistar tanto os motociclistas que cresceram a admirar as Honda dos anos 80 como uma nova geração que procura uma naked de quatro cilindros elegante, refinada e emocional.

Depois deste primeiro contacto, a sensação é clara: a Honda não quis apenas fazer uma retro. Quis construir uma verdadeira CB, tendo ido buscar a inspiração das decorações à CB900F com que Freddie Spencer (que esteve presente no evento do teste) ganhou em Daytona em 1982.

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🔧 Motor – O coração Fireblade reinventado para a estrada

A base mecânica é bem conhecida. O motor deriva diretamente da CBR1000RR Fireblade de 2017, mas recebeu uma profunda revisão para responder às exigências de uma roadster clássica.

Com 1.000 cc, quatro cilindros em linha, distribuição DOHC e refrigeração líquida, desenvolve 123,7 cv às 9.000 rpm e 103 Nm às 8.000 rpm, números inferiores aos da Hornet, mas deliberadamente orientados para privilegiar o binário e a utilização em médios regimes. A Honda alterou árvores de cames, trabalhou exaustivamente a admissão, as relações da caixa e a afinação eletrónica para conseguir precisamente esse objetivo.

Na prática, o resultado é um motor extremamente cheio desde baixas rotações. A resposta ao acelerador é imediata, mas sempre progressiva, permitindo circular descontraidamente abaixo das 4.000 rpm ou explorar toda a musicalidade do quatro cilindros quando o ponteiro do conta-rotações sobe.

É precisamente aqui que reside a personalidade da CB1000F. Não procura a explosividade de uma naked desportiva moderna. Em vez disso, oferece uma entrega de potência linear, refinada e envolvente, acompanhada por uma sonoridade clássica incrível que recorda imediatamente as grandes Honda de quatro cilindros. A nova caixa de velocidades, com relações mais curtas nas duas primeiras mudanças e mais longas nas superiores, reforça ainda mais esta sensação de facilidade e elasticidade.

Uma breve nota para dizer que a Honda conseguiu resolver os problemas que afetaram os motores da gama CB, motivo que levou ao atraso na chegada ao mercado desta CB1000F e também da CB1000GT.

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🏍️ Ciclística – Clássica na imagem, moderna no comportamento

Apesar da inspiração retro, a ciclística está longe de seguir receitas do passado.

O quadro em aço, tipo diamante, deriva diretamente da CB1000 Hornet, complementado por uma forquilha invertida Showa SFF-BP de 41 mm e um monoamortecedor Pro-Link, ambos afinados de série para privilegiar equilíbrio entre conforto e eficácia.

A CB1000F transmite uma enorme estabilidade em curva, sem perder agilidade em mudanças rápidas de direção. O peso de 214 kg em ordem de marcha desaparece praticamente em andamento graças à boa centralização das massas e à geometria equilibrada.

A travagem acompanha o nível do restante conjunto. As pinças radiais Nissin de quatro pistões, combinadas com discos flutuantes de 310 mm, oferecem potência abundante e excelente sensibilidade na manete. A presença de ABS sensível ao ângulo de inclinação reforça a confiança quando o ritmo aumenta ou o piso perde aderência.

No fundo, a Honda conseguiu algo nem sempre fácil: criar uma moto com imagem clássica mas comportamento completamente contemporâneo.

⚙️ Tecnologia – Discreta, mas extremamente completa

A filosofia da CB1000F passa também por esconder a tecnologia sob um design intemporal.

O acelerador eletrónico Throttle By Wire permite disponibilizar três modos de condução de série: Standard, Sport e Rain, aos quais se juntam dois modos User totalmente configuráveis por cada futuro proprietário. O pacote eletrónico inclui ainda controlo de tração Honda Selectable Torque Control (HSTC), controlo anti-wheelie, controlo da elevação da roda traseira em travagem e ABS em curva, tudo gerido por uma moderna IMU de seis eixos, que é a mesma da CB1000GT.

O painel TFT de cinco polegadas oferece excelente legibilidade e integra conectividade através do sistema Honda RoadSync, permitindo navegação, chamadas e controlo multimédia. É talvez o elemento que mais destoa do estilo retro da desta CB, principalmente na configuração de série, mas com a semi-carenagem frontal montada, o TFT acaba por ficar escondido e as formas da moto tornam-se (ainda) mais fluidas e de acordo com o estilo dos anos 80. A Smart Key elimina igualmente a necessidade de utilizar uma chave convencional, reforçando a componente premium do conjunto.

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A Honda optou por não exagerar na quantidade de informação apresentada ao condutor, privilegiando uma interface simples e intuitiva, perfeitamente adequada ao espírito clássico da moto.

👤 Ergonomia – A verdadeira essência de uma roadster

Um dos aspetos que mais impressiona na nova CB1000F é a posição de condução.

O guiador largo, o assento colocado apenas a 795 mm do solo e a postura vertical criam uma sensação imediata de naturalidade. A moto parece menor do que realmente é, facilitando manobras em cidade e transmitindo enorme confiança desde os primeiros metros.

O depósito de 16 litros encaixa naturalmente entre as pernas e oferece boa autonomia para utilização turística. Ao mesmo tempo, o assento mais comprido relativamente à Hornet melhora significativamente o conforto do passageiro, tornando esta CB uma moto perfeitamente capaz de enfrentar viagens de média distância.

Outro detalhe interessante é a forma como a Honda trabalhou a ergonomia sem comprometer a estética. Tudo parece simples, limpo e clássico, mas cuidadosamente estudado para proporcionar conforto durante muitas horas de condução.

🎯 Veredicto Motojornal

A Honda CB1000F representa muito mais do que uma nova naked de inspiração clássica.

Representa o regresso às motos naked de uma filosofia que parecia perdida numa época dominada por motos cada vez mais agressivas e radicais.

O motor de quatro cilindros mantém toda a suavidade, elasticidade e sonoridade que fizeram a reputação da Honda, mas surge agora afinado para privilegiar a utilização diária e o prazer de condução em estrada. A ciclística revela equilíbrio exemplar, a eletrónica está ao nível das melhores naked atuais e a ergonomia faz jus ao legado da família CB.

Mas aquilo que verdadeiramente distingue esta moto é a forma como consegue transmitir emoção sem recorrer ao excesso. Sem precisar de asas aerodinâmicas, de 200 cavalos, ou de um design futurista.

Basta-lhe um depósito musculado, um farol redondo, um quatro cilindros afinado na perfeição e a capacidade de fazer qualquer motociclista sorrir assim que roda o acelerador e ouve a sinfonia que sai do megafone traseiro.

A Honda recuperou uma das siglas mais importantes da sua história. E fê-lo da melhor forma possível, mantendo-se fiel à sua história e ao seu legado!

A CB1000F estará nos concessionários nacionais durante o mês de Setembro e o preço do modelo base são 12.300€.

Texto: Hugo Ramos
Fotos: Honda

Equipamento de proteção utilizado neste teste:
Capacete –
NEXX X.Garage
Blusão e Calças – REV’IT! Tracer e KLIM K Fifty 1
Luvas – KLIM Rambler
Botas – TCX

Galeria de fotos Honda CB1000F

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