⭐ Primeiro Impacto – A Sport Tourer que ficou ainda melhor
A Kawasaki poderia ter seguido o caminho mais simples e manter praticamente inalterada uma das referências do segmento Sport Touring. Afinal, a Ninja 1000 SX conquistou ao longo dos últimos anos uma reputação difícil de igualar, combinando prestações elevadas, conforto para longas viagens e uma versatilidade rara numa moto com ADN desportivo.
Em vez disso, a marca de Akashi decidiu evoluir a receita, aumentando a cilindrada, refinando a eletrónica e melhorando precisamente os aspetos que mais valorizam os motociclistas que passam muitas horas ao guiador.
O resultado é a Ninja 1100 SX, uma moto que, apesar de manter praticamente inalterada a sua imagem exterior, apresenta um conjunto de evoluções técnicas suficientemente significativas para justificar a nova designação.
Mais binário, uma caixa de velocidades revista, relações finais mais adequadas à utilização em estrada, eletrónica refinada e um equipamento ainda mais completo fazem desta Sport Tourer uma proposta particularmente interessante para quem procura uma moto capaz de devorar quilómetros sem abdicar do prazer de condução.

🔧 Motor – Mais força onde realmente interessa
A principal novidade da Ninja 1100 SX encontra-se no conhecido quatro cilindros em linha da Kawasaki. A cilindrada aumenta de 1.043 para 1.099 cc, graças ao incremento de 3 mm no curso dos pistões, mantendo a arquitetura DOHC de 16 válvulas e refrigeração líquida.
A potência máxima fixa-se agora nos 136 cv às 9.000 rpm, enquanto o binário sobe para 113 Nm às 7.600 rpm. Embora os números revelem menos 6 cv do que a anterior Ninja 1000 SX, a realidade é bem diferente: a entrega de potência tornou-se significativamente mais cheia nos baixos e médios regimes, precisamente onde uma Sport Touring passa grande parte da sua vida.
Durante o primeiro contacto percebe-se imediatamente essa evolução. O motor responde com enorme suavidade desde regimes muito baixos e ganha velocidade com uma naturalidade impressionante, sem necessidade de recorrer constantemente à caixa de velocidades. As acelerações intermédias são claramente mais vigorosas e as recuperações em sexta velocidade fazem esquecer que estamos perante uma moto concebida também para viajar. Estes motores de 4 cilindros em linha da Kawasaki são aditivos nas sensações que fazem sentir quando rodamos o punho.
A Kawasaki reviu igualmente as relações da transmissão. As quatro primeiras velocidades mantêm uma vocação mais desportiva, enquanto a quinta e sexta foram alongadas para reduzir as rotações em autoestrada, diminuindo o consumo e aumentando o conforto em viagens longas.
O quickshifter bidirecional de série funciona de forma muito eficaz, permitindo mudanças extremamente suaves tanto em aceleração como em reduções. Mais do que um motor mais potente, a Ninja 1100 SX oferece agora um motor mais utilizável, mais cheio e mais agradável em praticamente todas as situações de condução.

🏍️ Ciclística – Um compromisso difícil de igualar
Uma das grandes virtudes da Ninja sempre foi conseguir aproximar dois mundos normalmente difíceis de conciliar: o comportamento de uma desportiva e o conforto de uma verdadeira turismo. Essa característica mantém-se intacta.
O quadro em alumínio continua a oferecer uma rigidez muito equilibrada, enquanto a forquilha invertida de 41 mm, totalmente regulável, trabalha em conjunto com o monoamortecedor traseiro Ohlins S46 horizontal Back-Link para proporcionar uma estabilidade exemplar sem comprometer o conforto.
Em estrada rápida transmite enorme confiança, permanecendo absolutamente estável mesmo em velocidades elevadas. Nas estradas secundárias revela uma agilidade surpreendente para uma moto desta dimensão, entrando em curva com naturalidade e mantendo sempre uma frente muito comunicativa.
A travagem acompanha este elevado nível dinâmico. O sistema Brembo composto por pinças radiais de quatro pistões e discos dianteiros de 300 mm oferece potência mais do que suficiente para controlar os cerca de 235 kg em ordem de marcha, enquanto o ABS inteligente garante intervenções discretas mesmo em travagens mais exigentes.
Este equilíbrio é uma das maiores qualidades da Ninja 1100 SX, tornando-a numa das Sport Touring mais fáceis e intuitivas de conduzir do mercado.
⚙️ Tecnologia – Evolução sem complicações
A Kawasaki optou por uma evolução discreta da eletrónica, privilegiando a eficácia em vez da quantidade de funcionalidades.
A Ninja 1100 SX dispõe de modos de condução integrados (Sport, Road, Rain e Rider), controlo de tração KTRC, cruise control eletrónico, quickshifter bidirecional, acelerador eletrónico, painel TFT a cores de 4,3 polegadas com conectividade Rideology e navegação através de smartphone.
A gestão dos sistemas continua a ser simples e intuitiva, mas a navegação pelos menus poderia ser mais rápida e lógica durante a condução. Ainda assim, no essencial, tudo funciona exatamente como esperado: sem distrações e com uma intervenção eletrónica pouco intrusiva.
👤 Ergonomia – Feita para muitos quilómetros
É aqui que a Ninja 1100 SX continua a distinguir-se da maioria das propostas mais desportivas. A posição de condução é relativamente direita, o guiador encontra-se naturalmente colocado e o banco oferece excelente apoio ao condutor.

A proteção aerodinâmica proporcionada pela carenagem integral e pelo para-brisas regulável reduz significativamente a fadiga em viagens longas, enquanto a ergonomia geral permite percorrer centenas de quilómetros sem esforço físico excessivo.
Apesar da imagem claramente inspirada nas supersport, a Ninja nunca obriga o condutor a assumir uma posição extrema. É precisamente esta capacidade de combinar conforto turístico com sensações desportivas que continua a definir a personalidade da moto.
Já para o passageiro o panorama é um pouco diferente, já que os poisa-pés são elevados e o banco algo curto e duro, o que provoca cansaço excessivo para quem viaja atrás. Não é tão desconfortável como uma desportiva, mas está longe de uma turística, fazendo desta SX uma moto mais indicada para viajar a solo.
🎯 Veredicto Motojornal
A Kawasaki não reinventou a Ninja SX. Também não precisava. A nova Ninja 1100 SX SE representa uma evolução inteligente de um conceito que já funcionava muito bem. O aumento da cilindrada trouxe exatamente aquilo que os utilizadores mais valorizavam: mais binário, melhores recuperações e uma condução ainda mais agradável em utilização real.
A revisão da transmissão, o refinamento da eletrónica e a manutenção de uma ciclística extremamente equilibrada consolidam uma moto que continua a ser uma das referências entre as Sport Touring.
Num mercado onde muitas propostas evoluem através de aumentos sucessivos de potência e tecnologia, a Kawasaki escolheu um caminho diferente: melhorar a experiência de condução. E conseguiu.
Para quem procura uma moto capaz de enfrentar o trajeto diário, atravessar um país num fim de semana ou proporcionar diversão numa estrada de montanha, a Ninja 1100 SX continua a ser uma das escolhas mais completas atualmente disponíveis.
A Ninja 1100 SX está disponível nos concessionários nacionais da Kawasaki com o preço de 15.990€ para o modelo base e 17.790€ para a versão SE aqui testada.
Texto: Hugo Ramos
Fotos: Motojornal
Galeria de fotos Kawasaki Ninja 1100 SX SE
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