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Primeiro Contacto: Yamaha R7 – Mais acessível na estrada, mais eficaz em pista

A nova geração da Yamaha R7 é uma evolução clara. Não só está mais fácil de conduzir em estrada, como está bastante mais eficaz em pista. Entre estradas de Espanha e o novo Circuito do Sol em Portugal, descobrimos o que vale a desportiva de Iwata com o motor CP2.

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⭐ Primeiro impacto

A Yamaha renova a R7 para a tornar mais parecida com as suas irmãs maiores, a R9 e a R1. Porém, evita o uso de asas ou apêndices aerodinâmicos protuberantes e com isso dá à nova R7 uma imagem renovada, mais agressiva, mas mantendo a noção de moto compacta e ágil.

As novas carenagens estão bem conseguidas e interligam-se de forma a gerar um coeficiente de arrasto ainda menor do que a geração anterior. Muito por causa do novo desenho do frontal, com a ótica central a estar agora completamente fechada. Isto melhora a estabilidade em linha reta e garante que o condutor da nova Yamaha R7 consegue usufruir de boa proteção aerodinâmica. Mesmo um condutor de maior estatura não vai sofrer demasiado com o impacto do vento a velocidades mais elevadas.

Visualmente é uma moto bastante apelativa, afilada, que transmite a sensação de que foi feita para andar depressa. Particularmente na decoração vermelha e branca, denominada R7 Anniversary White, um revisitar da decoração da icónica YZF-R7 OW-02 do final dos anos 90 do século passado, e que serve para celebrar os 70 anos da Yamaha.

R7

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🔧 Motor – CP2 com mais pulmão

O motor bicilíndrico paralelo da nova Yamaha R7 não sofre, de uma forma geral, grandes modificações. A mais relevante é a introdução de uma nova caixa de ar que permite otimizar a forma como o ar fresco entra para os dois cilindros. Os valores máximos de potência e binário não se alteram (73,4 cv e 68 Nm), porém, a entrega de potência e binário nos baixos e médios regimes é significativamente mais contundente.

Gostava que a Yamaha tivesse sido um pouco mais ambiciosa neste aspeto. Dar à R7 um pouco mais de potência, algo entre 10 ou 15 cv a mais, o que ajudaria a dar-lhe uma alma ainda mais desportiva e aproximar-se dos valores das suas rivais mais diretas. E sem ultrapassar o limite definido pelas regras da categoria A2.

Nota ainda para o facto de que a caixa de velocidades conta com engrenagens redesenhadas, com mais dentes e com os dentes com novo ângulo. Sendo que as trocas de caixa são realizadas com recurso a um quickshift de 3ª geração.

A tudo isto juntamos ainda um novo acelerador eletrónico Y-CCT.

O motor CP2 atinge aqui um grau de refinamento bastante elevado. Suave, mas sempre pronto a reagir aos nossos impulsos no acelerador, podemos aproveitar a maior força nos médios regimes para simplesmente fluir de curva em curva, sem obrigar o bicilíndrico de 689 cc a ir para perto do redline. A capacidade de recuperar rotações é muito interessante, o que permite entrar em curva com uma relação acima do ideal, sendo que à saída da curva um rodar do punho direito é correspondido com uma boa aceleração, sem se notar que o CP2 se está a esforçar.

A caixa de velocidades redesenhada, que pode facilmente ser definida para variante de competição (1ª para cima e restantes relações para baixo), é também um ponto positivo. As trocas de caixa são realizadas de forma suave e precisa. Em estrada isso é notório, mas é num ambiente mais exigente, numa condução em pista, que mais facilmente percebemos que os engenheiros da Yamaha fizeram um bom trabalho. Na reta da meta do novo Circuito do Sol, reduzir de 5ª para 3ª em poucos metros com as engrenagens a encaixarem umas nas outras sem se sentirem ásperas, é um ponto muito positivo e que nos dá confiança para rodar no limite.

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R7

🏍️ Ciclística – mais rígida sem penalizar o conforto

Tudo o que podemos considerar estruturas nesta Yamaha R7 foi redesenhado. O objetivo foi aumentar a rigidez. Os tubos do quadro têm maior diâmetro e diferentes espessuras, a geometria da direção foi ligeiramente redefinida, foram usadas novas placas laterais de reforço, o braço oscilante assimétrico está mais leve e está também mais rígido, usa novo link para amortecedor.

A mesa de direção também sofre um aumento na rigidez e abraça agora uma nova forquilha KYB com bainhas de 41 mm que no seu interior escondem novos pistões em alumínio que são cerca de 300 gramas mais leves. A forquilha é totalmente ajustável. E não nos podemos esquecer da estreia das jantes SpinForged, que são quase 0,5 kg mais leves.

Apesar do aumento generalizado da rigidez estrutural, a nova Yamaha R7 não se mostra particularmente rija em estrada. Nas muitas curvas que devorámos a bom ritmo entre Aracena e o Circuito do Sol, com piso bastante degradado, nunca senti a desportiva de Iwata a revelar um comportamento nervoso ou instável. Uma clara melhoria com relação ao passado. A nova forquilha digere muito bem os impactos e todo o conjunto mantém a estabilidade mesmo perante pisos tão irregulares.

Em pista a maior rigidez é muito bem-vinda. Somos capazes de traçar trajetórias com maior certeza e definir mesmo trajetórias bastante apertadas sem que a R7 se queixe. E senti sempre uma ligação bastante direta com o asfalto do Circuito do Sol, um traçado exigente por causa das muitas subidas e descidas, que ajudam a descompensar a moto em vários pontos do circuito. A todos estes desafios o chassis da R7 respondeu com assertividade.

⚙️ Tecnologia – nova IMU e 10 parâmetros de ajudas para ajustar

A Yamaha não se poupou a esforços. A nova R7 conta com uma IMU de 6 eixos derivada da que encontramos na poderosa R1. Uma plataforma de medição de inércia capaz de analisar todos os movimentos da moto a cada 125 m/s.

A IMU ajuda a Yamaha a introduzir um pacote eletrónico muito completo.

Temos 3 modos de Potência, 3 modos de Controlo de Tração, 3 modos de Controlo de Deslizamento Lateral da traseira, sistema LIFT ajustável em 2 níveis de intervenção, quickshift bidirecional com dois modos de funcionamento, controlo do efeito travão-motor de 2 níveis, Brake Control também com 2 níveis à escolha e que ajusta a pressão no sistema de travagem sendo sensível à inclinação, o Back Slip Regulator que funciona em combinação com a embraiagem deslizante para suavizar as reduções de caixa mais agressivas, Launch Control para arranques perfeitos e com 3 modos de funcionamento, e ainda o ABS, que é sensível à inclinação, que conta com modo específico para pista com o sistema a ficar desligado no eixo traseiro.

Todas as ajudas eletrónicas são combinadas nos modos de condução de estrada e de pista. Podemos facilmente definir os nossos parâmetros preferidos através do painel TFT de 5 polegadas, ou da app myRide que permite ligar a R7 ao nosso smartphone para podermos definir tudo isto ainda antes mesmo de nos sentarmos aos seus comandos.

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As ajudas eletrónicas estão bem adaptadas a uma desportiva de estrada. Nunca senti que fossem demasiado intrusivas, ou abruptas no seu funcionamento, como por exemplo quando acelerei com mais entusiasmo à saída de uma curva onde o asfalto não tinha tanta aderência como eu antecipei.

Em pista, naturalmente coloquei as ajudas no mínimo ou inclusivamente desliguei parâmetros como o anti cavalinho, pois num circuito com tantas alterações de elevação a frente naturalmente tem tendência a levantar e o anti cavalhinho entrava algumas vezes em funcionamento sem grande necessidade.

👤 Ergonomia – uma desportiva confortável

Numa desportiva com o ADN da série R da Yamaha, falar em conforto é algo estranho. Ainda mais numa moto que, como já referi, subiu tanto os parâmetros de rigidez estrutural. Porém, depois de mais de 170 km em estrada e várias sessões de 20 minutos cada em pista no Circuito do Sol, posso dizer que não me senti desconfortável ou até cansado.

De facto, a Yamaha conseguiu melhorar o que para mim eram alguns dos pontos mais críticos na anterior geração, uma moto com a qual fiz muitos quilómetros em estrada e na pista.

A ligação entre condutor e moto está mais natural graças ao novo depósito de combustível. Menos longo, combina com o novo assento com desenho igual ao da R1 para dar ao condutor maior liberdade de movimentos. O próprio assento está mais baixo (830 mm em vez dos anteriores 835 mm). E depois contamos com avanços que estão mais próximos do condutor, mais altos e mais abertos.

Em estrada isto traduz-se em conforto nas maiores tiradas, em pista traduz-se numa maior facilidade para pilotar a R7 no limite sem nos cansarmos tanto como antigamente. Diria que é uma posição de condução mais natural, menos exigente.

R7

🎯 Veredicto Motojornal – mais acessível, mais eficaz

A nova R7 é sem dúvida uma moto capaz de reforçar a intenção da Yamaha no segmento das desportivas de estrada de média cilindrada.

Conseguiu melhorar todos os parâmetros que eu considerava menos bons na geração anterior. Está uma moto mais madura, claramente mais moderna com a utilização de mais eletrónica e com um design que, do meu ponto de vista, a torna numa moto extremamente atraente. Em particular na decoração dos 70 anos Yamaha.

Fiquei surpreendido pelo que encontrei em estrada e em pista. Não esperava conseguir com a R7 a sentir-me tão confortável mesmo depois de tantos quilómetros percorridos. É uma moto divertida na estrada e bastante eficaz em circuito. Particularmente num circuito mais técnico como o nosso Circuito do Sol.

Yamaha R7 – Preços

R7 – 10.640€

R7 35KW – 10.640€

R7 70th Anniversary – 10.940€

Equipamento de proteção utilizado neste teste
Capacete – Nolan X-804 RS Ultra Carbon
Fato – Dainese Aero EVO P. C2
Luvas – REV’IT! Jerez 3
Botas – Dainese Axial D1

Galeria de fotos Yamaha R7

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