Depois de mais um ano passado desde a despedida no pódio final em janeiro de 2025 e de muitas competições que serviram de preparação, os pilotos e equipas de Rali Raid estão de volta à Arábia Saudita para participarem na 48ª edição do Rali Dakar. A prova rainha do todo-o-terreno mundial, ‘aquela’ que todos desejam vencer.
Mais uma vez com organização a cargo da A.S.O. e com David Castera a ficar com as ‘rédeas’ da direção de prova, o Rali Dakar de 2026 volta a disputar-se nos cenários desérticos do reino da Arábia Saudita. É a sétima vez que esta aventura épica vai disputar-se inteiramente na Arábia Saudita, sendo que a organização preparou algumas novidades para o percurso desta edição.
Com um total de cerca de 8.000 quilómetros, sendo que desses, quase 5.000 quilómetros serão percorridos contra o cronómetro pelos pilotos da categoria Moto, teremos um total de 13 etapas mais o Prólogo. A prova arranca precisamente com o Prólogo a 3 de janeiro e terminará a 17 de janeiro, num percurso em formato “loop” com começo e fim em Yanbu.
Pelo meio serão duas semanas de competição e a meio de cada semana teremos uma etapa maratona onde a novidade será a possibilidade dos pilotos se ajudarem uns aos outros, sem assistência das equipas e usando um pacote de ferramentas mais contido, bem como alimentação ao melhor estilo ‘Dakariano’ de sobrevivência no deserto, numa aproximação ao espírito original. Ficarão a pernoitar nos denominados ‘Bivouac Refúgio’.

No que ao percurso diz respeito, em 2026 o Rali Dakar despede-se do famoso e temido Empty Quarter, o maior deserto contínuo do Mundo. Mas isso não significa que o percurso será mais fácil!
Num ano em que teremos o recorde de distância a percorrer desde que a prova é disputada na Arábia Saudita, pilotos e motos vão enfrentar percursos variados em areia, pedra, cascalho, atravessam fantásticos desfiladeiros e sobem a montanhas ao mesmo tempo que navegam por entre um mar de dunas que pode atraiçoar os mais incautos.
Numa prova que se prevê equilibrada no que à disputa pelas vitórias nas etapas e vitória final diz respeito, os pilotos já estão avisados por David Castera que o percurso foi desenhado para minimizar etapas em que a rapidez pura é rainha. Em vez disso, as etapas foram desenhadas para serem mais complicadas de navegar, mas também mais técnicas.
E isso terá também relevância no que à gestão da mecânica das motos interessa, pois apesar de menos velocidade, teremos maior dureza para desgaste dos componentes como suspensões, pneus e até mesmo os motores. Quem não for capaz de gerir o esforço será penalizado.

Daniel ‘Chucky’ Sanders contra o ‘mundo’
O australiano Daniel Sanders chega ao Rali Dakar altamente moralizado e motivado. É o atual detentor do título mundial de Rali Raid, sendo que a sua KTM 450 Rally ostenta o cobiçado #1, sinal de que é o campeão em título também no Rali Dakar. Um ano depois, Sanders é o piloto a bater por todos os outros, sendo, à partida, o claro favorito.
Porém, se o australiano da KTM quiser tornar-se no primeiro piloto a conseguir vencer duas vezes consecutivas o Rali Dakar nos últimos dez anos (Marc Coma foi o último com vitórias em 2014 e 2015), terá pela frente um conjunto de pilotos que nunca o vão deixar ‘respirar’.
Na Red Bull KTM Factory Racing, para além do próprio Sanders, temos a presença de Luciano Benavides (#71) e do talento espanhol Edgar Canet (#73), que depois de fazer sentir a sua força em Rally2 passa para a classe principal RallyGP.
A maior rival da marca austríaca continua a ser a Monster Energy Honda HRC, uma equipa oficial liderada pelo português Ruben Faria do ponto de vista estratégico, e que conta com quatro pilotos aos comandos da CRF450 Rally: Ricky Brabec (#9), Skyler Howes (#10), Adrien van Beveren (#42) e ainda Tosha Schareina (#68), vencedor do Rali de Marrocos, a última prova da temporada de Rali Raid e por isso também ele motivado e em forma.
Claro que para além destas duas formações oficiais que, em teoria, serão as que mais hipóteses têm de vencer o Rali Dakar à geral, temos ainda outros pilotos que não podem ser descartados: Bradley Cox (#7 Sherco), Ignacio ‘Nacho’ Cornejo (#11 Hero), Mason Klein (#98 Hoto) ou Ross Branch (#46 Hero), só para referir alguns.
De acordo com as informações mais recentes e que podem sofrer alterações de última hora, temos à partida para o Rali Dakar um total de 116 pilotos na categoria Moto, divididos pelas classes RallyGP, Rally2, Original by Motul sem equipa de assistência e temos ainda os pilotos Legend mais veteranos e nada menos do que 43 pilotos estreantes.
No que às motos diz respeito, esta edição inclui motos de onze fabricantes diferentes: KTM, Honda, Hero, Sherco, Husqvarna, Kove, Hoto, GasGas, Yamaha e ainda uma Rieju.
No que a países diz respeito, França e Espanha são as nacionalidades mais representadas com mais de um terço do total de pilotos inscritos, com Itália a fechar este pódio. Portugal, como vamos referir em maior detalhe de seguida, conta com cinco pilotos à partida para este Rali Dakar.

Armada lusa pronta para a aventura épica!
Conforme referimos, nesta 48ª edição do Rali Dakar teremos à partida 4 pilotos. São eles Martim Ventura (#84 Honda), Bruno Santos (#35 Husqvarna), Nuno Silva (#74 KTM) e Pedro Pinheiro (#116 Husqvarna).
Desta armada lusa, o mais experiente no Rali Dakar é mesmo Bruno Santos. O piloto de Torres Vedras da equipa BS – Frutas Patrícia Pilar já vai para a sua terceira participação no Dakar.
Todos os outros portugueses são estreantes, todos com objetivo, claro, de chegar ao final em Yanbu, mas claramente com ambições diferentes.
Enquanto o novo piloto da Monster Energy Rally Team, Martim Ventura quer discutir as melhores posições entre os pilotos de Rally2, os três pilotos inscritos pela equipa Old Friends Rally Team, Nuno Silva e Pedro Pinheiro surgem aqui como pilotos que ‘vestem’ o espírito mais original do Rali Dakar, procurando por isso participar e terminar a prova da melhor forma possível.

Rali Dakar – Etapas
3 de janeiro – Prólogo – Yanbu / Yanbu – Especial 23 km / Total 98 km
4 de janeiro – 1ª Etapa – Yanbu / Yanbu – Especial 305 km / Total 518 km
5 de janeiro – 2ª Etapa – Yanbu / Alula – Especial 400 km / Total 504 km
6 de janeiro – 3ª Etapa – Alula / Alula – Especial 422 km / Total 666 km
7 de janeiro – 4ª Etapa – Alula / Bivouac Refúgio – Especial 417 km / Total 492 km
8 de janeiro – 5ª Etapa – Bivouac Refúgio / Hail – Especial 356 km / Total 417 km
9 de janeiro – 6ª Etapa – Hail / Ríade – Especial 331 km / Total 920 km
10 de janeiro – Dia de descanso – Ríade
11 de janeiro – 7ª Etapa – Ríade / Wadi Ad-Dawasir – Especial 462 km / Total 876 km
12 de janeiro – 8ª Etapa – Wadi Ad-Dawasir / Wadi Ad-Dawasir – Especial 481 km / Total 717 km
13 de janeiro – 9ª Etapa – Wadi Ad-Dawasir / Bivouac Refúgio – Especial 418 km / Total 540 km
14 de janeiro – 10ª Etapa – Bivouac Refúgio / Bisha – Especial 371 km / Total 417 km
15 de janeiro – 11ª Etapa – Bisha / Al Henakiyah – Especial 347 km / Total 882 km
16 de janeiro – 12ª Etapa – Al Henakiyah / Yanbu – Especial 310 km / Total 718 km
17 de janeiro – 13ª Etapa – Yanbu / Yanbu – Especial 105 km / Total 141 km
Fotos: Rali Dakar / A.S.O. e equipas
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