É um dos ‘assuntos’ do momento quer em MotoGP, quer no Mundial Superbike. Toprak Razgatlioglu é a mais recente estrela (e campeão!) de Superbike a trocar de campeonato e a partir de 2026 estará presente na categoria rainha integrando a equipa Prima Pramac Yamaha.
O piloto turco é um dos melhores que alguma vez passou pelo Mundial Superbike. E não nos referimos apenas aos dois títulos que conquistou, um com a Yamaha e outro com a BMW Motorrad.
O seu estilo de pilotagem radical, o seu carisma e personalidade fora das pistas, a sua capacidade de luta. Tudo atributos que tornaram o piloto turco numa estrela de nível mundial. E por isso a sua mudança para o MotoGP tornou-se inevitável. Veremos como é que Toprak Razgatlioglu se irá adaptar aos protótipos da categoria rainha, e quais são os resultados que irá obter nesse novo desafio.
Mas ‘El Turco’ está longe de ser o primeiro (e, certamente, de ser o último) piloto de Superbike a mudar-se para o MotoGP. Por isso, vamos viajar ao passado e falar um pouco de outros pilotos que, com mais ou com menos sucesso, também decidiram dar este ‘salto’ e cruzar fronteiras entre os dois maiores campeonatos de motociclismo de velocidade e conquistaram vitórias.
Cal Crutchlow
O piloto britânico, atualmente integrado na equipa de testes da Yamaha Racing para MotoGP, estreou-se nos palcos mundiais no Mundial Supersport, com algumas aparições esporádicas em 2005 e 2006, antes de competir nas Superbike em 2008. Em 2009 regressou, então a tempo inteiro, às Supersport.
Cal Crutchlow conseguiu tornar-se campeão SSP e depois obteve o 5º lugar na classificação nas SBK em 2010. As suas prestações deram-lhe o passaporte para uma mudança para o MotoGP.
Participou em 180 corridas na categoria rainha, competindo pela Yamaha, Ducati e Honda, antes de regressar à Yamaha, marca à qual mantém o vínculo laboral e com a qual se despediu da sua carreira como piloto a tempo inteiro.
Em todos os seus anos na categoria rainha conseguiu somar três vitórias com a Honda, num total de 11 pódios. A experiência do piloto de Coventry, mas também a forma frontal como analisa as motos com que compete, abriram-lhe as portas da equipa de testes da Yamaha Racing. A sua carreira ficou marcadas por algumas lesões graves, mas a vitória no GP da Chéquia em 2016 em Brno, à chuva, com a LCR Honda, marcou o fim de 35 anos sem vitórias de pilotos britânicos em MotoGP.
Ben Spies
Um dos grandes talentos que passou pelos circuitos de MotoGP. Mas o talentoso piloto americano começou a dar nas vistas enquanto piloto do Mundial Superbike. Na verdade, Ben Spies, ou ‘Elbowz’ como era conhecido pelos fãs, começou a ser reconhecido por dominar o competitivo campeonato americano de superbike, enfrentando o reputado australiano Mat Mladin.
As suas capacidades com uma Suzuki GSX-R1000 inclusivamente deram à Suzuki a justificação para o colocar como “wildcard” em MotoGP, fazendo a sua estreia na categoria rainha em substituição do então lesionado Loris Capirossi na Rizla Suzuki no Grande Prémio da Grã-Bretanha de 2008. Qualificou em 8º e foi 14º na corrida, somando os seus primeiros pontos.
Viria a fazer mais aparições esporádicas com a Suzuki oficial em MotoGP e com bons resultados em Laguna Seca e Indianápolis, mas, de forma surpreendente, a marca japonesa não lhe ofereceu o contrato que tanto desejava. Situação que inclusivamente terá levado de Masayuki Itoh, que na altura liderava as operações de competição da Suzuki nos Estados Unidos da América.
Foi contratado para a equipa oficial da Yamaha no Mundial Superbike na temporada 2009, e logo nesse ano de estreia foi campeão aos comandos da YZF-R1 com performances incríveis. A mudança para o MotoGP aconteceu com naturalidade em 2010, mas, mesmo sendo campeão americano e mundial de SBK, Ben Spies foi impedido de integrar a equipa de fábrica da Yamaha.
Nesse ano estava em vigor uma regra que impedia pilotos “rookie” de entrar diretamente para uma equipa de fábrica. E isto obrigou Ben Spies a ser integrado na Tech3 Yamaha de Hervé Poncharal.
Na sua temporada de estreia de MotoGP nunca terminou fora dos 8 primeiros nas corridas que terminou. Cinco corridas depois da estreia consegue o seu primeiro pódio em Siverstone. Em 2011 venceu em Assen, a sua única vitória da carreira, e terminou a sua carreira antecipadamente devido a lesões. Uma vitória e seis pódios são os seus registos em MotoGP, sendo que competiu pela Yamaha e depois pela Ducati.
Chris Vermeulen
Os pilotos australianos têm excelente histórico quer no MotoGP, quer no Mundial Superbike. Carismáticos e rápidos em cima de uma moto numa pista. E o australiano Chris Vermeulen é um bom exemplo disso, tendo conseguido vencer nos dois campeonatos.
Foi campeão no Mundial Supersport em 2003 e depois competiu por dois anos no Mundial Superbike onde somou 10 vitórias. Embora tenha feito a sua estreia no ano anterior, como “wildcard”, Vermeulen tornou-se piloto a tempo inteiro em MotoGP na temporada 2006.
No Grande Prémio da Austrália conseguiu terminar no pódio no seu ano de estreia, antes de vencer, pela única vez, em Le Mans já na temporada 2007. Viria a regressar ao Mundial SBK quando assinou pela Kawasaki Racing Team para substituir Makoto Tamada, de quem lhe falamos já a seguir.
Terminou a sua carreira com 23 pódios e 10 vitórias em Superbike e sete pódios e uma vitória em MotoGP. Competiu nas SBK com motos da Honda e Kawasaki, e em MotoGP competiu com Honda, Suzuki e ainda com a Suter MMX1.
Makoto Tamada
A carreira do piloto japonês é muito diferente da de Vermeulen. Makoto Tamada competiu por diversas vezes como “wildcard” no Mundial Superbike entre os anos de 1999 e 2002. Sempre no circuito japonês de Sugo.
Sempre que terminou as corridas durante os seus “wildcard” nas Superbike, Tamada nunca ficou fora do Top 10, tendo inclusivamente conquistado três vitórias. Performances que levaram a Pramac Honda a oferecer-lhe um contrato para ser piloto a tempo inteiro de MotoGP a partir da temporada 2003.
Na sua temporada de estreia fez pódio no Grande Prémio do Brasil, e em 2004 conquistou duas vitórias: Brasil e no Japão. Teve passagens pela Pramac Honda, Pons Camel Honda, Konica Minolta Honda e ainda Tech3 Yamaha, tendo competido com pneus da Bridgestone, Michelin e Dunlop.
Em 2008 a sua carreira voltou a centrar-se no Mundial Superbike, onde se juntou à PSG-1 Kawasaki Corse e dois anos depois ficou sem contrato. Fez um “wildcard” com a Reitwagen BMW em Portimão, sem grandes resultados, em 2011 voltou a fazer “wildcard”, mas agora com a Castrol Honda em Nurburgring em substituição de Ruben Xaus.
A sua carreira acabou com cinco pódios em MotoGP e duas vitórias, e quatro pódios e três vitórias no Mundial Superbike.

Colin Edwards e Troy Bayliss
A rivalidade entre o americano e o australiano no Mundial Superbike culminou com o icónico “showdown” em Imola, com Colin ‘Texas Tornado’ Edwards a conseguir levar a melhor e sagrar-se campeão em 2002. Os dois fizeram a mudança para MotoGP em 2003.
Bayliss viria a terminar no pódio por três vezes na temporada de estreia, e no ano seguinte viria a conseguir o seu quarto pódio. A passagem de ‘Baylisstic’ pelo MotoGP culminou com a grande vitória, como “wildcard”, no Grande Prémio de Valência em 2006.
A sua carreira foi claramente mais profícua em Superbike, onde conquistou três títulos e ascendeu a um estatuto lendário. Pilotou motos da Ducati e Honda em MotoGP, e da Suzuki e Ducati nas Superbike. Participou em 156 corridas nas SBK com 52 vitórias e 45 em MotoGP com uma vitória.
Já Colin Edwards conseguiu 12 pódios em MotoGP, mas nenhuma vitória.
A meio da temporada 2014 a sua (longa) carreira na categoria rainha viria a terminar, quando competia com uma Forward Yamaha da classe CRT. No Mundial Superbike competiu com motos da Yamaha e Honda, marca com a qual foi duas vezes campeão (2000 e 2002).
Em MotoGP competiu com motos da Aprilia, Honda, Yamaha e na classe CRT pilotou uma Suter MMX1, uma Forward Kawasaki e ainda uma Forward Yamaha. Participou num total de 196 Grandes Prémios.
Menções honrosas
Falando em pilotos que competiram em Superbike e MotoGP, é impossível não referir o japonês Noriyuki Haga. ‘Nitro Nori’ é um dos pilotos favoritos dos fãs, conseguindo um pódio em Suzuka quando experimentou MotoGP em 1998.
Em 2001 e 2003 regressou para competir a tempo inteiro, sem grande sucesso, e viria a regressar ao Mundial Superbike onde venceu várias vezes, mas nunca conseguiu sagrar-se campeão.
Ruben Xaus terminou como vice-campeão de Superbike em 2003 e depois competiu em MotoGP em 2004 e 2005. Reclamou para si um único pódio, e voltou às SBK.

Simon Crafar, hoje em dia mais conhecido pelos seus “insights” valiosos como comentador especialista de MotoGP e agora responsável pelos Comissários da categoria rainha, participou em inúmeras corridas de Superbike entre 1989 e 1993, mas sem ser como piloto a tempo inteiro.
Estreou-se a tempo inteiro em MotoGP no ano de 1993. No ano seguinte participou no Mundial SBK como piloto a tempo inteiro e aí competiu até 1997, tendo somado 10 pódios. Em 1998 e 1999 competiu em MotoGP, tendo vencido o GP da Grã-Bretanha.
Para Doug Chandler apenas cinco corridas em Superbike foram suficientes para se mudar para o MotoGP, onde competiu por quatro temporadas completas, somando seis pódios. No Mundial Superbike somou cinco pódios e duas vitórias.
Mais recentemente podemos referir os nomes de Eugene Laverty, que depois de quatro anos no Mundial Superbike entre 2011 e 2014, mudou-se para o MotoGP, onde competiu por dois anos. Viria a regressar às SBK. Loris Baz também seguiu uma trajetória semelhante a Laverty, e inclusivamente acompanhou-o em 2014 na mudança de campeonato, tendo permanecido em MotoGP por três temporadas antes de regressar às Superbike.
Jonathan Rea, seis vezes campeão do Mundial Superbike com a Kawasaki, também teve a oportunidade de ser “wildcard” em MotoGP quando substituiu o lesionado Casey Stoner na equipa de fábrica Repsol Honda. Foi 8º em São Marino e 7º em Aragão.
O norte-irlandês, por tudo o que fez nas Superbike, é talvez o caso mais estranho de todos os pilotos, pois muitos acreditavam que Rea poderia estar em MotoGP – até pelos títulos conquistados nas SBK –, mas nunca deu o salto para competir a tempo inteiro.
Claro que há mais pilotos que conseguiram vencer nos dois campeonatos.
Carlos Checa tinha duas vitórias em MotoGP antes de se mudar para o Mundial Superbike, onde foi campeão em 2011 com a Ducati. John Kocinski tinha três vitórias na categoria rainha antes de completar a mudança para as Superbike em 1996, onde viria a ser campeão com a Honda no ano seguinte.
Max Biaggi, ‘Il Corsaro’, tinha já no ‘bolso’ 13 vitórias em MotoGP antes de se mudar para as Superbike onde pilotou para a Suzuki e Aprilia. Viria a conquistar 21 vitórias e com a RSV4 sagrou-se campeão por duas vezes, títulos aos quais temos de somar outros quatro nas 250 cc de Grande Prémio com a Aprilia e a Honda.
Marco Melandri tinha cinco vitórias em MotoGP com a sua assinatura, e também ele completou com sucesso a mudança para as SBK onde conquistou 22 vitórias.
Podemos também falar de Alvaro Bautista. O veterano piloto espanhol começou no MotoGP e depois mudou-se para as Superbike. Apesar de não ter nenhuma vitória na categoria rainha, o piloto de Talavera de la Reina conta com dois títulos de Superbike consecutivos, em 2022 e 2023.
E, claro, temos de falar do saudoso Nicky Hayden. O icónico ‘Kentucky Kid’ com o não menos icónico #69 (número entretanto retirado da competição em sua honra). Começou pelas Superbike, mas foi em 2006 quando competiu em MotoGP pela Repsol Honda que alcançou o tão desejado título num final de temporada dramático em Valência.
Viria a regressar ao Mundial Superbike onde somou uma vitória. Infelizmente veio a falecer em consequência de um atropelamento enquanto treinava de bicicleta numa estrada em Misano, a 22 de maio de 2017. Tinha 35 anos.
Com todos estes pilotos antes de si e toda esta história acumulada, será Toprak Razgatlioglu capaz de ser bem-sucedido quando se mudar para MotoGP em 2026?
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