O Mundial Superbike está a atravessar um período bastante complicado em termos de interesse. Os fãs queixam-se que as corridas perderam toda a emoção, nomeadamente devido ao domínio absoluto de Nicolò Bulega e da Ducati Panigale V4 R.
E esta sensação não está a deixar indiferentes os fabricantes que competem em Superbike e que integram a MSMA, a associação que reúne os fabricantes.
O futuro do Mundial Superbike está em causa e existe um certo consenso que aponta para que tenham de acontecer algumas mudanças nos regulamentos técnicos deste campeonato para o voltar a tornar emocionante e relevante dentro do panorama mundial de competições de motociclismo.
Principalmente agora que o MotoGP, o principal campeonato, está a reformular-se a vários níveis e tem gerado enorme interesse nos fãs e nos patrocinadores.

MSMA reunida em Misano para discutir o futuro das Superbike
Nesse sentido, sabe-se que durante a recente ronda das SBK em Misano, a MSMA realizou uma reunião com os fabricantes a sentarem-se à mesma mesa. O tema? O futuro do Mundial Superbike!
Em cima da mesa foram colocados diversos temas. Porém, o tema principal diz respeito à cilindrada das motos. Mais precisamente ao limite da cilindrada permitida nas motos que integram o plantel de Superbike.
Atualmente, o regulamento impede que a cilindrada seja superior a 1000 cc para motores de quatro cilindros. É por isso que a Ducati se viu na contingência de criar uma moto, a Panigale V4 R, que utiliza uma versão especial do motor Desmosedici Stradale que em vez dos 1103 cc das normais Panigale V4 ou V4 S, recorre a um motor Desmosedici Stradale de 998 cc.
Por outro lado, fabricantes como a Aprilia, que tem já uma longa história e diversos títulos nas Superbike, deixaram de competir oficialmente nesta categoria. A RSV4 foi evoluindo conforme foram surgindo as novas homologações europeias, passando a barreira dos 1000 cc quando lançou a então primeira RSV4 1100 em 2019. Ao contrário da rival de Borgo Panigale, a casa de Noale não viu benefícios em investir na criação de um motor V4 especial de homologação para a RSV4 que ficasse abaixo dos 1000 cc. E por isso abandonou por completo este campeonato.
Os fabricantes no seio da MSMA, estão agora a avaliar a possibilidade de eliminar o limite dos 1000 cc e deixar motos com motores de maior cilindrada competirem em Superbike.
Uma mudança deste género estaria em linha com aquilo que Massimo Rivola, CEO da Aprilia Racing, defende há já bastante tempo, e que, tudo indica, resultaria no regresso das RSV4 ao Mundial Superbike. Curiosamente, Massimo Rivola é presidente da MSMA.
Refira-se que uma mudança do limite de cilindrada permitido em Superbike poderia depois levar ao aparecimento de novos modelos de estrada de vários fabricantes, com motores de maior cilindrada (por exemplo 1100 ou 1200 cc). A conceção das superdesportivas que podemos comprar num concessionário é também bastante condicionada pelos regulamentos de competição.

Quando é que aumento da cilindrada pode acontecer no Mundial Superbike?
Neste momento, os fabricantes como a Ducati, a BMW Motorrad ou a Bimota estão completamente focados nos atuais regulamentos. Os três fabricantes têm motos que foram concebidas (o que implica um forte investimento!) de acordo com o atual regulamento e limite dos 1000 cc.
A ideia passará muito por conseguirem ‘amortizar’ o grande investimento realizado nos respetivos projetos ao longo dos próximos três anos. Isso significaria que para 2027, 2028 e até 2029 continuaríamos a ter o mesmo limite de cilindrada para motores quatro cilindros nas Superbike. Até como forma de conferir ao campeonato alguma estabilidade a médio prazo.
Bimota, BMW Motorrad, Ducati, Honda, Kawasaki e Yamaha parecem estar alinhadas a este respeito. E da parte da Aprilia também não existe grande pressa para forçar esta mudança de regulamento. A marca italiana está inteiramente focada no seu projeto de MotoGP, um projeto que requer um grande investimento e foco total por parte dos elementos da Aprilia Racing.
Mas a partir de 2030 muita coisa poderá vir a mudar e o regresso da Aprilia (e outros fabricantes) ao Mundial Superbike poderá mesmo vir a concretizar-se.
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