Os regulamentos técnicos de qualquer campeonato ou competição, neste caso de motociclismo, estão em constante evolução. Mesmo tendo em conta que os organizadores ou responsáveis pelos campeonatos procuram definir um conjunto de regulamentos que devem ser mantidos por algum tempo em nome da estabilidade, há sempre espaço para existirem mudanças. E desde o início da atual temporada do Mundial Superbike (SBK) parecia que a próxima grande mudança nas motos seria os discos de travão.
Mais especificamente, a possibilidade de utilização de discos de travão de carbono nas motos do Mundial SBK.
Para os menos conhecedores deste tipo de material usado no fabrico de discos de travão, podemos dizer que os travões de carbono são fabricados num composto de carboneto de silício e carbono, uma combinação que oferece rigidez e resistência superiores a um custo elevado, mas compensando com leveza, menos pó e maior resistência ao calor e à fricção em comparação com o que acontece nos discos de travão tradicionais, fabricados em aço.
Enquanto no MotoGP, uma categoria protótipo, é possível a utilização de discos de carbono – aliás, todas as motos da categoria rainha usam discos deste material fornecidos pela Brembo –, no Mundial Superbike esse tipo de material está proibido e os discos são em aço, sendo, naturalmente, fabricados de acordo com especificações especiais de espessura, mas também de refrigeração (aletas).

Porém, surgiu no campeonato que utiliza motos derivadas de modelos de produção em série a vontade de elevar a performance da travagem de motos como a BMW Motorrad M 1000 RR, Ducati Panigale V4 R, Bimota KB998 Rimini, Kawasaki Ninja ZX-10RR, Yamaha YZF-R1 ou ainda a Honda CBR1000RR-R Fireblade.
A pensar nisso, alguns pilotos do Mundial SBK tiveram mesmo a possibilidade de experimentar os discos de travão de carbono nas suas motos, de forma a avaliar a sua possível introdução no campeonato. Um desses pilotos foi Andrea Iannone, que atualmente compete pelo Team GoEleven numa Ducati, mas que na sua passagem pelo MotoGP teve a possibilidade de sentir o que valem esses discos de travão tão especiais.
Tudo levava a crer que tanto a Dorna WorldSBK como a Federação Internacional de Motociclismo (FIM) estariam dispostas a aceitar a mudança do regulamento, introduzindo os novos discos de travão já a partir da temporada 2026 do Mundial SBK.
No entanto, a acreditar em informações divulgadas pelo portal italiano GPOne, houve um ‘voltar atrás’ na decisão que parecia já estar tomada, e agora sabemos que as motos de Superbike vão continuar a utilizar discos de travão convencionais em aço.

Isto não significa que no futuro não seja possível alterar o regulamento técnico de forma a permitir o uso dos discos de carbono.
A decisão é para ter efeito no futuro imediato, evitando que nos próximos anos as equipas do Mundial SBK se vejam na obrigação de despender uma parte ainda mais significativa do seu orçamento para poderem usar os novos discos que, claramente, têm prestações muito superiores, mas são significativamente mais caros do que os discos de aço.
Claro que também podemos ver esta decisão como uma forma de procurar manter as motos de competição de Superbike mais aproximadas às suas versões de estrada. Afinal, este é, ainda, um campeonato que utiliza motos derivadas de modelos de produção em série e não os protótipos de MotoGP.
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