Nove pontos separavam Diego Rodrigues (KTM) e Luís Oliveira (Yamaha) antes da derradeira jornada do Campeonato Nacional de Super Enduro – Eduardo Coelho, Lda. 2026. Depois de uma temporada disputada taco a taco, tudo ficou reservado para a noite de sábado em Castanheira de Pera. E a decisão dificilmente poderia ter sido mais emocionante.
Luís Oliveira precisava praticamente de uma jornada perfeita. E foi exatamente isso que tentou fazer.
O antigo campeão, que conta igualmente com um vasto palmarés no Enduro e Motocross nacionais, entrou no traçado permanente de Castanheira de Pera com um objetivo muito claro: atacar desde o primeiro momento e colocar toda a pressão sobre o campeão em título. No final, venceu as três corridas. Mas Diego Rodrigues tinha guardado um ponto precioso.
Uma Superpole que valeu um campeonato
Para perceber como o título acabou decidido por apenas um ponto é necessário recuar ao início da noite. Luís Oliveira precisava de vencer as três finais e esperar pelos resultados de Rodrigues para recuperar os nove pontos de desvantagem com que chegou à última prova.

Antes das corridas, porém, havia a Superpole. E foi aí que Diego Rodrigues deu aquele que viria a revelar-se o golpe decisivo do campeonato. O piloto da KTM foi 0,9 segundos mais rápido do que Luís Oliveira, conquistando a sua terceira Superpole nas quatro jornadas realizadas em 2026. Naquele momento era apenas mais um ponto, mas algumas horas depois, seria o ponto que lhe daria o título.
Luís Oliveira fez tudo: três corridas, três vitórias
Quando começaram as finais, Luís Oliveira não deixou margem para dúvidas sobre as suas intenções. O piloto da Yamaha venceu a primeira. Depois a segunda. E voltou a fazê-lo na terceira. Três finais, três vitórias. Missão cumprida.
Diego Rodrigues, porém, sabia exatamente aquilo que precisava de fazer. O campeão em título terminou sempre imediatamente atrás do rival, conquistando três segundos lugares e limitando os danos na classificação.
Feitas as contas, todo o campeonato ficou reduzido àquele ponto conquistado anteriormente na Superpole. Diego Rodrigues sagrou-se Campeão Nacional de Super Enduro Elite 2026 por apenas um ponto sobre Luís Oliveira. Um desfecho que ilustra na perfeição o equilíbrio entre os dois grandes protagonistas desta temporada.
De Penafiel a Castanheira de Pera: uma época taco a taco
A batalha começou logo na primeira jornada. Em Penafiel, Luís Oliveira arrancou a temporada de forma perfeita ao vencer as três finais, colocando desde cedo a fasquia elevada.
Diego Rodrigues respondeu. Em Famalicão, o piloto da KTM repetiu a receita do rival e conquistou as três vitórias. Depois, em Valpaços, voltou a conseguir o pleno, assumindo o comando do campeonato e chegando à derradeira jornada com nove pontos de vantagem.

Castanheira de Pera voltou a inverter o cenário. Desta vez foi Oliveira a fazer o pleno, enquanto Rodrigues teve de assumir um papel diferente: perceber que não precisava necessariamente de vencer, mas não podia permitir que o adversário escapasse demasiado na classificação.
A estratégia resultou. E depois de quatro jornadas e uma sucessão de finais, um único ponto separou os dois melhores pilotos da temporada.
Yago Martínez no pódio, Marco Ferreira recupera até terceiro no campeonato
Atrás da batalha pelo título, Yago Martínez foi o terceiro classificado nas três finais da noite, terminando sempre imediatamente à frente de Marco Ferreira, que protagonizou, aliás, uma importante recuperação na classificação do campeonato.
Chegou a Castanheira de Pera ocupando apenas a sexta posição, mas os resultados obtidos na derradeira jornada permitiram-lhe terminar a temporada no terceiro lugar da classificação Elite.
Francisco Salgado não fez contas e dominou a Open
Se na Elite tudo se decidiu pela diferença mínima, Francisco Salgado (KTM) chegou à final da categoria Open numa situação bastante mais confortável. O líder dispunha de 18 pontos de vantagem sobre Vasco Magalhães (TM). Ainda assim, Salgado não entrou em Castanheira de Pera para gerir. Entrou para ganhar.
O piloto da KTM venceu as três finais da categoria Open, fechando a temporada da melhor forma possível e confirmando a conquista do título nacional. Vasco Magalhães foi sempre o seu principal adversário, terminando as três corridas na segunda posição, enquanto Tomás Mariana completou o pódio da derradeira jornada.

Assim, Francisco Salgado encerra 2026 como Campeão Nacional de Super Enduro Open.
Castanheira de Pera fechou a temporada em ambiente de festa
A derradeira jornada voltou a demonstrar uma das características que tornam o Super Enduro particularmente interessante para quem acompanha as provas ao vivo.
Num traçado compacto e permanente como o de Castanheira de Pera, o público consegue estar próximo da ação e acompanhar praticamente toda a evolução dos pilotos entre obstáculos e sucessivas batalhas por posição.
A organização esteve novamente a cargo do Clube Trilho Aventura, com o público a contribuir para o ambiente de uma noite que encerrou uma temporada particularmente disputada. E dificilmente o campeonato poderia ter encontrado um final melhor.