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Teste Aprilia Tuono V4 – Despida é ainda melhor!

A Aprilia Tuono V4 despe as carenagens da RSV4 e assume-se como uma opção supernaked repleta de tecnologia, um chassis e aerodinâmica com ADN de MotoGP.

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Se há coisa que os artesãos que residem na fábrica da Aprilia em Noale sabem fazer, é motos desportivas como a supernaked Tuono V4. A RSV4 pode ser o expoente máximo das motos de estrada com ADN de MotoGP, sendo que as versões especiais como a X Trenta ou a X ex3rema, só para pista, são ainda mais incríveis.

Mas nem sempre as motos vestidas e com 220 cv (ou mais!) fazem sentido. Particularmente numa utilização em estradas públicas, com apertados limites de velocidade, e onde o conforto, pelo menos num patamar aceitável da definição de conforto em moto, ganha uma maior preponderância.

Entra então em cena o trovão de Noale: a Tuono V4! Despida das carenagens integrais da sua irmã RSV4, é ainda assim uma das supernaked atuais mais carenadas. Isto contando que nesta nova geração a versão base, aqui em teste, perde em relação à geração anterior o generoso spoiler inferior que cobria grande parte da parte inferior da moto, deixando agora os elementos mecânicos bem mais à vista.

O spoiler continua a existir, mas é agora um extra, sendo que na variante Factory a Aprilia inclui de série este elemento.

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tuono v4
Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

As novidades não se ficam por aqui. Esta mudança para uma nova geração, agora com homologação Euro5+, inclui muitos outros argumentos técnicos e tecnológicos que tornam a nova Tuono V4 numa das motos mais entusiasmantes dentro do segmento.

O motor V4 a 65° é homologado E5+, mas agora disponibiliza uns saudáveis 180 cv às 11.800 rpm (ganha 5 cv) e um binário máximo de 121 Nm às 9.650 rpm. Uma melhoria na performance conseguida com a cilindrada desta unidade tetracilíndrica que sobe dos 1.077 cc para os 1.099 cc fruto de um curso maior, passando agora a ter os mesmos centímetros cúbicos da RSV4.

Tecnicamente podemos destacar os novos corpos de injeção de 52 mm em comparação com os anteriores de 48 mm e alterações no sistema de escape, como o reposicionamento do conversor catalítico.

Tal como habitualmente encontramos nos modelos Aprilia, a Tuono V4 está disponível na versão base ou na Factory, para aqueles motociclistas que procuram máximas prestações e exotismo.

Enquanto a versão base conta com suspensões mecânicas convencionais fornecidas pela Sachs e totalmente ajustáveis, a Factory troca-as por componentes Öhlins de controlo eletrónico, sendo que se o proprietário quiser adquirir o Suspension Pack, exclusivo para a Factory, pode ainda informar a moto do seu peso e a partir desse momento as afinações eletrónicas ajustam-se de acordo com o condutor.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

 

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Com travagem a cargo dos especialistas da Brembo, a Tuono V4 apresenta um braço oscilante reforçado e uma geometria do quadro dupla trave em alumínio, agora com acabamento preto em vez do “look” cromado das gerações anteriores, que coloca a traseira 12 mm mais elevada e com isso reposiciona o centro de gravidade desta supernaked, colocando o condutor mais descaído sobre o depósito. O assento fica posicionado a 836 mm de altura, o que é ainda uma distância aceitável.

A aerodinâmica, por seu turno, foi profundamente alterada. A nova asa frontal incrementa a carga aerodinâmica na frente da moto gerando uma força descendente sobre a roda dianteira que atinge 2,5 kg a 250 km/h, e o defletor de vento, que nesta geração começa na base do elemento central de luzes dianteiras e se estende acima do painel de instrumentos, reduz a turbulência aerodinâmica no corpo do condutor ao mínimo, para os parâmetros de uma moto naked.

Já as zonas laterais da asa, por sua vez, divergem o fluxo de ar na direção do novo extrator, para além de funcionarem como elementos estabilizadores em curvas realizadas a alta velocidade. Isto, em combinação com as novas e mais potentes ventoinhas no radiador, permite afastar o ar quente do motor das pernas e do corpo do condutor de forma mais eficiente.

Há ainda que contar com inúmeros pacotes opcionais que incluem diferentes funcionalidades adicionais para o aPRC – Aprilia Performance Ride Control.

De série, a Tuono V4 é entregue com o Standard Pack. Este pacote eletrónico inclui IMU de seis eixos, três modos de condução personalizáveis (User, Tour, Sport) que gerem três níveis do Cornering ABS e o aPRC. Este inclui ATC (Controlo de Tração), AWC (controlo de cavalinho), AEM (Mapas de Motor), AEB (Travão-Motor) e AQS (Quickshift), todos a utilizar a nova e mais evoluída do que nunca lógica adaptativa e preditiva.

Podemos depois elevar o patamar da eletrónica com a aquisição dos pacotes opcionais: Comfort (luzes em curva e o “cruise control”), Track (3 modos de condução adicionais, controlo de arranque, limitador de velocidade, Aprilia Slide Control ajustável e preditivo e layout Race no painel TFT), e ainda o Race. Este último requer o uso do Módulo GPS, sendo específico para uso em pista, adaptando o controlo de tração, efeito travão-motor e o “anti wheelie” para cada curva do circuito, de forma automática.

A unidade testada não estava equipada com nenhum dos pacotes opcionais.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Tuono V4 – Potência, diversão e alguns senãos

Sendo eu proprietário de uma Tuono V4 Factory de 2023, bem como de uma RSV4 Factory de 2024, a performance desta supernaked italiana não me é nada desconhecida. Mas há sempre novidades que têm impacto na forma como conduzimos, e isso é bastante notório assim que nos sentamos e colocamos o V4 a funcionar.

Começo por referir o novo layout do painel de instrumentos. Segue uma lógica iniciada com a Tuono 457, em que as informações de condução, como distância, consumo, etc, estão agora agrupadas numa única página com todas as informações do Trip A e Trip B, o que se torna um pouco confuso. Já o layout onde temos a velocidade em grandes números, a relação de caixa engrenada e as rotações do motor continua a ser dos melhores pela facilidade de leitura das informações apresentadas.

Navegar pelos menus do aPRC não é complicado, os botões estão facilmente ao alcance do polegar, e escolher o que queremos selecionar, incluindo o modo de condução, é feito de forma intuitiva e rápida.

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Já com o motor V4 de 1099 cc bem quente, os primeiros quilómetros a ritmo mais baixo em ambiente urbano revelam uma particularidade menos agradável: graças à restritiva homologação E5+, quando desaceleramos, por exemplo para entrar numa rotunda, a eletrónica ‘corta’ de tal maneira a injeção que o motor quase se desliga em andamento.

Mesmo para mim, que estou habituado ao V4 da Aprilia, fui apanhado de surpresa algumas vezes até me habituar a este novo carácter que não é particularmente agradável, obrigando a manter a embraiagem sob controlo apertado e o acelerador mais aberto. Já o reposicionamento do catalisador para baixo do motor efetivamente afasta o calor das pernas do condutor, o que é consideravelmente mais confortável.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Porém, tudo isto acaba por cair no esquecimento assim que soltamos a Tuono V4 numa estrada nacional de serra. Aí, com o motor no modo de condução mais agressivo, Sport, usufruímos de uma resposta imediata. Não senti a diferença dos mais 5 cv desta geração, mas o que senti foi um motor mais cheio a médios regimes, com uma enorme vontade de ser explorado bem para lá das 9.000 rpm.

Cada rodar do acelerador eletrónico, muito bem afinado e doseável, diga-se, é acompanhado pela noção clara de que somos empurrados em frente com uma força notória e entusiasmante! É uma moto para andar rápido, sem ser assustadora. Há rivais que têm mais potência, mas são mais exigentes para o condutor conseguir extrair delas a sua performance total.

Com a caixa de velocidades a mostrar que neste particular a Aprilia tem um dos melhores, se não o melhor, quickshift do mercado, sendo o acionamento de cada relação preciso, com um tato mecânico o suficiente para sentirmos a engrenagem a funcionar, mas sem ser duro, é fácil explorar os 180 cv disponibilizados pelo V4.

E depois temos uma ciclística e eletrónica que ajudam a explorar toda esta potência. Do ponto de vista da ciclística, a alteração na geometria parece ter comprometido de alguma forma a forma como a Tuono V4 se deixa inclinar para as curvas mais lentas. Notei que precisei de forçar um pouco mais a frente para seguir a trajetória ideal.

Nas curvas mais rápidas isso não se verificou, com o quadro dupla trave derivado da RSV4 e da competição a combinar com as suspensões Sachs de forma a maximizar a velocidade em curva, enquanto eu me encaixava facilmente, fixando as pernas no generoso depósito de 18 litros, posicionando-me no largo assento e me agarrava facilmente ao guiador largo e bem posicionado. É verdade que estas suspensões mecânicas mais convencionais revelam uma afinação de fábrica mais macia do que o que eu prefiro, mas ainda assim garantem uma boa leitura do asfalto.

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Convém, no entanto, ter os pneus Pirelli com a pressão correta, pois, como aconteceu neste teste, com a pressão demasiado alta no pneu dianteiro nem mesmo as suspensões afinadas na perfeição conseguiriam evitar alguns sustos com a frente a escorregar em inclinações mais pronunciadas. Nada dramático, mas o suficiente para acalmar um pouco o ritmo.

A aerodinâmica refinada não causa grandes sensações do ponto de vista da condução em curva. Em reta, no entanto, já em autoestrada e a maior velocidade, notei claramente uma maior estabilidade e facilidade em manter a trajetória nas curvas mais rápidas. E a proteção aerodinâmica gerada pelo frontal que envolve a icónica ótica dividida em três é referencial no segmento.

Por último, tenho de falar no pacote eletrónico. Mesmo nesta versão base, o aPRC continua a mostrar-se a grande nível. A forma como a eletrónica intervém na condução da Tuono V4 faz com que o condutor se sinta seguro e confiante. O controlo de tração e o “anti wheelie” são ajustáveis em andamento através de comandos específicos, o que ajuda rapidamente a alterar as configurações sem parar.

A nova Aprilia Tuono V4 é uma moto que se deixa explorar com facilidade. Pode não ser a mais potente entre a nova geração das supernaked, mas é daquelas motos que ‘respira’ performance e tecnologia. E se quisermos mesmo algo mais diferenciado, então o melhor será optar pela Tuono V4 Factory. Mas isso acarreta um PVP um pouco mais alto…

Texto: Bruno Gomes
Fotos: Rui Jorge

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Nolan X804 RS Ultra Carbon
Fato – Dainese Misano 2 D|air
Luvas – REV’IT! Jerez 3
Botas – Dainese Axial D1

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Foto @ Revista Motojornal / Rui Jorge

Ficha Técnica – Aprilia Tuono V4
PREÇO: 18.099€
MOTOR: 4 cilindros em V a 65°, refrigerado por líquido
DISTRIBUIÇÃO: DOHC, 4 válvulas por cilindro
DIÂMETRO X CURSO: 81 mm x 52,3 mm
CILINDRADA: 1099 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 180 cv às 11.800 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 121 Nm às 9.650 rpm
EMBRAIAGEM: multidisco em banho de óleo, deslizante
CAIXA: 6 velocidades
FINAL: por corrente
QUADRO: em alumínio, tipo dupla trave
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha telescópica invertida Sachs, Ø43 mm, 117 mm de curso, totalmente ajustável
SUSPENSÃO TRASEIRA: monoamortecedor Sachs, 130 mm de curso, totalmente ajustável
TRAVÃO DIANTEIRO: 2 discos de Ø330 mm, pinças Brembo de 4 êmbolos, ABS em curva
TRAVÃO TRASEIRO: disco de Ø220 mm, pinça simples, ABS em curva
PNEU DIANTEIRO: 120/70-17”
PNEU TRASEIRO: 180/55-17”
COMPRIMENTO MÁXIMO: n.d.
LARGURA MÁXIMA: n.d.
ALTURA DO ASSENTO: 836 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1452 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 18 litros
PESO: 211 kg
CORES: Scorpion Yellow ou Shark Grey
GARANTIA: 3 anos
IMPORTADOR: Officina Moto

Galeria de fotos Aprilia Tuono V4

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