O Algarve foi o palco para a apresentação da mais recente versão do sistema de embraiagem automática da Honda, o E-Clutch, aplicado em duas motos icónicas da marca. Durante um dia tive a oportunidade de conhecer de perto o sistema de embraiagem automática e os dois renovados modelos da Honda: a XL750 Transalp e a CB750 Hornet.
O teste fez-se nesta fantástica região portuguesa, que começa a ser conhecida entre os motociclistas, não só pelas suas praias para também pelos muito quilómetros de estradas de montanha de traçado sinuoso e paisagens únicas.
A estrada N2, enquadrada pelo mar no horizonte, fez parte do percurso, além de algumas incursões fora de estrada com a Transalp. Ambos os modelos, que haviam recebido uma renovação mais extensa no ano passado, destacam-se pela incorporação de tecnologia moderna e um design pensado para proporcionar uma experiência de condução com uma qualidade distinta.
Refletem a dedicação da Honda em entregar inovação e qualidade aos motociclistas, agora reforçada pela introdução do E-Clutch.

Condução facilitada
A Honda introduziu na XL750 Transalp e CB750 Hornet a embraiagem eletrónica E-Clutch, já usada nas CB650R e CBR650R. Este sistema usa atuadores elétricos na embraiagem e gestão eletrónica para oferecer trocas de mudanças mais rápidas e suaves do que um quickshifter convencional.
Com dois motores na tampa direita do motor, este controla a embraiagem fisicamente. O módulo de controlo ajusta tudo em tempo real, considerando a velocidade do veículo, rotações do motor, abertura do acelerador, pressão no pedal de mudanças e outros fatores. Um trunfo do E-Clutch neste motor bicilíndrico é integração com o sistema Throttle-by-Wire (TBW).
Veja aqui o vídeo da Honda XL750 Transalp e CB750 Hornet com E-Clutch
Essa sinergia permite um ajuste automático a rotação do motor com a velocidade da roda traseira, especialmente durante reduções e em superfícies escorregadias, que torna actuação mais suave. Essa adaptabilidade garante trocas de mudanças suaves e controle aprimorado, mesmo em terrenos difíceis e numa condução mais intensa.
Nas reduções o E-Clutch atua de uma forma semelhante ao de uma embraiagem deslizante, para evitar que a roda traseira saltite nas reduções mais fortes. É possível afinar a pressão necessária para actuar o pedal da caixa em três níveis – soft, medium ou hard.
O sistema também avisa o piloto sobre a necessidade de mudanças em velocidades inadequadas, assegurando uma condução mais segura e eficiente. Após o uso da manete da embraiagem, o sistema E-Clutch reativa-se automaticamente em menos de um segundo quando o motor está em alta rotação, ou após 5 segundos em rotações mais baixas.

Se o condutor quiser desligar o sistema durante uma viagem, pode fazê-lo usando o interruptor à esquerda, com o veículo parado e em ponto morto. Quando em modo manual, a letra “M” aparece no painel de instrumentos.
Essas características, combinadas com um design otimizado que economiza peso e espaço, pesa agora 4 kg e está instalado 50 mm mais afastado da canela do condutor, tornam o E-Clutch um marco inovador em eficiência e prazer de condução.
Pouco muda nos modelos
A Transalp, é a que mais muda face ao modelo apresentado no anos passado com melhorias na suspensão Showa. Esta passa a ser ajustável em compressão e extensão, tanto na frente como traseira e aumenta a capacidade de adaptação a diversos tipos de terreno, fazendo dela uma moto verdadeiramente versátil.
Na ciclística, a Transalp mantém o quadro de aço tipo diamante e as rodas de 21 polegadas à frente e 18 atrás, uma configuração clássica no mundo das motos de aventura. Com o mesmo motor, a CB750 Hornet, apresenta-se com novas decorações para o seu design moderno, que ganha uma carenagem inferior, mantendo a agilidade, equilibrando potência e maneabilidade.
O motor, que é igual na duas motos, mantém-se o conhecido bicilíndrico paralelo de 755 cc, com 91 cavalos de potência e 75 Nm de binário. A eletrónica continua a ser um dos pontos fortes da Transalp. O acelerador eletrónico permite quatro modos de condução — Sport, Standard, Rain e Gravel — além de dois modos personalizáveis. Estes ajustam parâmetros como a potência do motor, o travão-motor, o controlo de tração com função anti-wheelie e o ABS. Na Hornet a diferença é não ter o modo Gravel.

Na ciclística, que não recebeu alterações, encontramos uma suspensão Showa sem possibilidade de afinação. Na frente tem um forquilha invertida SFF-BP de 41 mm e amortecedor com Prolink atrás. A travagem é assegurada por dois discos de 296 mm com pinças radiais Nissin de quatro êmbolos. e um quadro tipo diamante que ajuda a manter o peso nos 192 kg.
Para ficar a conhecer estes dois modelos fiz perto de 3 centenas de quilómetros durante um dia em estradas sinuosas de montanha, no Algarve. O sistema E-Clutch mostra um funcionamento muito consistente no dois modelos, retirando-nos muito trabalho em especial na utilização em ambientes urbanos.
A sua actuação no arranque é muito controlada, sendo apenas necessário focar-nos em fazer uma boa gestão do acelerador. Mesmo para se fazerem manobra as baixa velocidade, como inversões de marcha, este sistema é prático e eficiente.

Nos arranques de parado, se abusarmos do acelerador de forma intempestiva o resultado é levantar roda da frente. O anti-wheelie acaba por intervir, mas os primeiros metros são de “roda no ar”. Aconselho alguma moderação nos arranques para evitar interações não programadas com as forças de autoridade.
Para aventura e viagens
O meu dia de teste começou aos comandos da Transalp um modelo que tem marcado a sua presença no mercado oferecendo uma grande polivalência para qualquer tipo de percurso.
Mas é claramente uma trail com um comportamento muito eficiente em estrada, permitindo fazer longas tiradas em viagem e, ao mesmo tempo, ser rápida e eficiente numa condução mais intensa em trajectos com muitas curvas. Este ano está ainda melhor em ambos os capítulos com a introdução das melhorias nas suspensões.
Sente-se, desde os primeiros momentos em que começa a andar, que o pisar está agora mais refinado. Resolve melhor a absorção de pequenas irregularidade e garante uma estabilidade superior em zonas rápidas.
Com a afinação colocada de origem para este teste, senti que estava um pouco mais firme que o ideal, bom para uma condução agressiva com muitas acelerações e travagens fortes, mas que sacrifica o conforto e a eficiência na condução fora de estrada. A vantagem é que agora podemos afinar este comportamento, suavizado a resposta ao nosso gosto e necessidades.
No restante a Transalp mantém o comportamento que me lembro da última versão que testei há pouco mais de 2 anos. O conforto é garantido por uma posição de condução muito ergonómica para a minha fisionomia (184 cm de altura), com um guiador que está colocado à altura certa para conduzir sentado e facilitar-nos o controlo da direção quando temos a necessidade de andar em pé.

O assento é firme, mas com um formato que acompanha bem o nosso rabo e pernas, distribuindo a pressão de forma a não ser cansativo em tiradas longas. Para quem exigem mais, a Honda propõe um assento ainda mais confortável como opcional.
Muito boa quando queremos rodar de forma descontraída, a Transalp surpreende nos momentos em que decidimos fazer uma condução mais empenhada. O seu quadro e comportamento das suspensões, garante uma boa agilidade, “saltando” de curva em curva com destreza.
As rodas vincadamente trail, de 18 polegadas atrás e 21 polegadas à frente, parece não criar muitas limitações. Não tem a precisão da direção da Hornet, mas faz o mesmo percurso oferecendo mais tranquilidade.
Fora de estrada temos uma suspensões com um bom curso, mas que precisam ter afinações do hidráulico mais abertas para permitir uma passagem pelas irregularidades de uma forma mais suave. A nova protecção de carter dá-nos um outro descanso na zonas de terreno mais complicado. É uma típica trail, feita para encarar o todo-o-terreno como uma aventura, onde não há a pressa de chegar, como num rally.
O motor, que serve os dois modelos aqui testados, com um forte apetite para “fazer rotação”, acaba por marcar o comportamento dinâmico desta moto. Embora tenha uma resposta generosa a médios regimes, é quando se sobe de rotação que se encontra o melhor das suas prestações.
A utilização da caixa acaba por ser mais requerida que noutros modelos do segmento, com mais binário a baixos regimes, mas aqui o E-Clutch é uma ajuda preciosa.
Diversão para todas as situações
É na Hornet que este bicilíndrico de 755 cc melhor se encaixa e revela todo o seu potencial. Mais baixa, pequena e leve, a Hornet acaba por mostrar uma agilidade em estrada que nos impele a conduzir de forma intensa.
As mesmas características fazem dela uma excelente companheira para uso em cidade no dia-a-dia, uma utilização que está agora ainda mais agradável com a presença do E-Clutch.
Em estrada a precisão e reações neutras da direção dão-nos confiança para tirar partido de um condução desportiva. Agora que sentimos a resposta mais refinada das novas suspensões da Transalp, gostaríamos de ver o mudança replicada na Hornet, mas como estão estas suspensões não comprometem.

Podemos apoiar-nos na frente, travando até tarde antes de uma curva. Os travões funcionam de forma progressiva, fáceis de dosear e com uma boa resistência à fadiga. Mesmo depois de vários quilómetros a ritmos mais elevados, mantêm a consistência.
A posição de condução da Hornet é “neutra”, com o tronco ligeiramente inclinado para a frente, mas sem colocar demasiado peso no braços. A falta de protecção aerodinâmica sente-se quando andamos mais depressa, mas é suportável se andarmos dentro dos limites legais.
O assento está colocado a uma altura boa do solo, facilitando a vida aos mais curtos de perna, e o seu desenho, tal como Transalp, garante o apoio certo para garantir algum conforto.
A Transalp 750 como a CB750 Hornet representam o compromisso da Honda em inovar e oferecer modelos que atendem as expectativas dos actuais motociclistas. Com a integração de tecnologia avançada e características que respondem às necessidades dos utilizadores, estas motos prometem ser escolhas excecionais para aqueles que desejam viajar sem restrições e deslocar-se no quotidiano de forma divertida e eficiente.
Texto: Marcos Leal
Fotos: Honda
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – NEXX X.TR
Casaco – MACNA
Calças – Spidi
Luvas – MACNA
Botas –XPD
Galeria de Fotos Honda XL750 Transalp e CB750 Hornet com E-Clutch
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