O primeiro modelo Z da Kawasaki surgiu em 1972, e chamou-se, muito apropriadamente, Z1. Na verdade, deveria ter surgido um par de anos antes, com motor de quatro cilindros em linha de 750 cc, mas o seu lançamento foi adiado porque a Honda adiantou-se a apresentou a CB750, com uma configuração semelhante.
A Kawasaki contra-atacou, aumentando a cilindrada para 903 cc com 82 cv de potência máxima, que fazia dela a mais potente moto japonesa até então.
E foi também a primeira moto japonesa de alta cilindrada a usar distribuição com duas árvores de cames à cabeça. A Z1 e a CB acabaram por ser percursoras dum estilo a que mais tarde veio a chamar-se de ‘moto japonesa universal’, tipicamente uma moto sem carenagens, com motor de quatro cilindros em linha montado transversalmente no quadro.
Mais de 50 anos depois, e muitas versões pelo meio, com um, dois, quatro e até seis cilindros, a Z900 ganha nova vida para 2025.

A gama Z foi recentemente remodelada e é agora composta pelas 125, 500, 650 e 900, sendo esta última a porta-estandarte das nakeds da Kawasaki. A gama Z tem representado cerca de metade das vendas da marca japonesa em Portugal, e a Z900 foi nos últimos dois anos a mais popular das Z no nosso país, apesar duma ligeira quebra no ano passado.
Por isso, esta atualização surge em boa hora, já que traz muitas novidades ao popular modelo.
Continua a basear-se em três pilares fundamentais que têm sido comuns a todas as gerações da Z: prestações, refinamento e “Sugomi”. Se as duas primeiras características carecem de explicação, a terceira é algo mais desconhecido e tipicamente japonês; é algo transcendental, uma energia intensa e poderosa que é sentida e inspira quem está por perto.
Com a introdução da Z1000 em 2003, a estética mudou radicalmente, tornando-se mais agressiva e angulosa, tornando-se ainda mais radical na segunda metade deste século. A nova Z continua a ter uma estética muito distinta, mas se calhar agora mais consensual, sem perder agressividade.
É daquelas motos que mesmo parada parece ser rápida. Lá está, a parte “Sugomi” do projeto. A sensação que transmite é a de uma moto poderosa. O que depois é confirmado quando a conduzimos.
A Kawasaki Z900 usa o já conhecido motor de quatro cilindros em linha com 948 cc, DOHC e quatro válvulas por cilindro. Este recebeu novos corpos de injeção, agora com Ø36 mm, os mapas das árvores de cames e da ECU foram revistos e foi introduzida uma IMU de seis eixos.

Tudo isto alterou ligeiramente o carácter do motor, oferecendo agora uma resposta mais suave a partir do acelerador todo fechado e uma aceleração mais linear, para além de ter diminuído o consumo e, consequentemente, as emissões.
A tudo isto junta-se ainda um conjunto de ajudas à condução agora muito mais completo, incluindo quickshifter bidirecional e cruise control, e também modos de condução, sistema de controlo em curva e controlo de tração.
As suspensões foram revistas, com a forquilha mais firme, e o amortecedor ajustado a esta alteração, sendo que que na versão SE, a forquilha é dourada e totalmente ajustável, e o amortecedor traseiro é Öhlins, com reservatório separado, também totalmente ajustável, enquanto na versão base ambos os componentes são reguláveis apenas na pré-carga.
Há também diferenças no sistema de travagem entre as duas versões: Nissin na versão base, Brembo na SE.
Também a posição de condução foi revista, graças à alteração no subquadro traseiro, agora ligeiramente mais plano, ficando o assento menos inclinado para a frente, e ao novo guiador. Resulta numa posição agressiva q.b., sem ser demasiado desportiva ou radical.
O painel de instrumentos é um TFT de cinco polegadas cuja navegação está entregue a um novo conjunto de botões no punho esquerdo, e que funcionam de forma intuitiva, sendo fácil percorrer e selecionar aquilo que pretendemos em termos de configurações.
Para além disso, através da aplicação ‘Rideology the app’, há todo um novo conjunto de funcionalidades, incluindo navegação curva a curva e comandos por voz, sendo que nem todas as funcionalidades estão imediatamente disponíveis em todos os mercados.

Z900 – Análise Dinâmica
A Kawasaki Z900 é uma ‘power naked’, ou uma streetfighter, ou uma naked desportiva. Chamem-lhe o que quiserem. E com esta remodelação, é ainda mais disso tudo, mas com mais refinamento.
O empurrão sente-se musculado desde os mais baixos regimes, mas totalmente controlável, com uma resposta precisa ao acelerador. Isso faz com que seja fácil dosear a aceleração e imprimirmos o ritmo que desejamos, sem surpresas. As passagens de caixa são rápidas e precisas, com o quickshift a cumprir a sua missão nas duas direções.
Em termos dinâmicos, a Z900 não desaponta. Mesmo a versão base, com as suspensões sem ajustes a não ser a pré-carga, a sua taragem é adequada, e permite explorar as capacidades da naked japonesa, sem comprometer o conforto. Rodei poucos quilómetros na versão SE, que proporcionou as mesmas sensações, mas com a vantagem de podermos refiná-las a nosso gosto.
Maior diferença encontrei nos sistemas de travagem. O conjunto Nissin da versão base é muito competente, e a vantagem do sistema Brembo surge quando adotamos um ritmo mais desportivo, com uma potência inicial mais prevalente. Por outro lado, o tato é mais amigável no sistema Nissin, onde é mais fácil modular e dosear a travagem, tornando-se mais polivalente.
A Z900 é uma moto ágil, sem manhas nem caprichos, e permite grandes momentos de diversão numa estrada sinuosa, aproveitando essa agilidade e a reposta ao acelerador. Ao mesmo tempo, consegue ser dócil e fácil numa toada mais calma ou mesmo no trânsito. Para além disso, os modos de condução (três pré-definidos, mais um personalizável), o ajuste do modo de potência e controlo de tração, permitem personalizar o seu carácter ao nosso gosto ou tipo de estrada/condução.
Tudo isto oferecido a um preço apelativo para aquilo que é oferecido. A versão base (preta) custa 10.890 €, a variante Sport, com duas diferentes combinações cromáticas (preto/vermelho e preto/verde) custa mais 100€ e a versão SE custa 12.690 €. A Z900 está ainda disponível numa versão de 70 kW que pode ser limitada para os detentores de carta A2, e que custa 10.590 €/base e 10.690 €/Sport.
Texto: Vitor Martins
Fotos: Rui Jorge
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete – Shoei NXR2 Prologue
Blusão – Alpinestars Faster V2
Calças – Acerbis Tarmac
Luvas – Ixon
Botas – TCX Airwire Surround

Ficha técnica – Kawasaki Z900
Preço: a partir de 10 890 €
Motor Tipo: 4 cilindros em linha, 4T, refrigerado por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas por cilindro
Diâmetro x Curso: 73,4 mm x 56 mm
Cilindrada: 948 cc
Potência Máxima: 124 cv às 9500 rpm
Binário Máximo: 97,4 Nm às 7700 rpm
Embraiagem: Multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Final: Por corrente
Quadro: treliça em tubos de aço
Suspensão dianteira: Forquilha telescópica invertida Ø41mm de diâmetro, 120 mm de curso
Suspensão traseira: Sistema monoamortecedor, 140 mm de curso, totalmente ajustável
Travão dianteiro: 2 discos de Ø300 mm, pinças 4 êmbolos de montagem radial
Travão traseiro: Disco de Ø250 mm, pinça de 1 êmbolo
Pneu Dianteiro: 120/70-17”
Pneu Traseiro: 180/55-17”
Comprimento Máximo: 2065 mm
Largura Máxima: 830 mm
Altura do assento: 830 mm
Distância entre eixos: 1450 mm
Capacidade do Depósito: 17 litros
Peso: 214 kg
Cores: Preto, preto/vermelho, preto verde, cinza
Importador: Multimoto
Galeria de fotos Kawasaki Z900
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