Os leitores mais atentos já terão percebido que nas edições de papel da Revista Motojornal, e em Motojornal.pt , temos, nos últimos tempos, dado bastante espaço mediático a motos do tipo custom, nas suas mais diversas variantes. Uma opção que não é alheia ao facto de que as custom estão a receber novamente muita atenção por parte dos motociclistas, com os fabricantes a anunciarem diversas novidades. E uma das novidades que recentemente tivemos a oportunidade de testar, é a Macbor Rockster 410.
A marca espanhola não está desatenta aos números de vendas. Com um crescimento de 30% de 2022 para 2023, o segmento custom / bobber de média cilindrada tornou-se num novo ‘campo de batalha’ onde os fabricantes esgrimem os seus argumentos que, antigamente podiam ser apenas de estilo, mas que hoje em dia são já muito mais do que isso.
De origens nos Estados Unidos, este tipo de motos tornou-se numa aposta sólida para diversos fabricantes que apostam numa receita de liberdade em duas rodas mais ‘pura’, reduzida à essência do que é uma moto: motor, quadro, duas rodas. E pouco mais.
A Macbor segue estas linhas orientadores, mas integra na Rockster 410 argumentos técnicos e tecnológicos modernos, no que resulta numa opção muito atraente para os motociclistas que procuram uma nova moto dentro da carta A2. Esta novidade nasce da colaboração entre a marca espanhola com o seu parceiro asiático, a Zongshen.

Desde o primeiro momento a Macbor tinha uma clara ideia do que pretendia que fosse a sua Rockster de maior cilindrada. E isso obrigou a muito tempo de desenvolvimento e seleção de componentes ou até mesmo do motor que equipa esta custom.
O motor escolhido foi o bicilíndrico de 401 cc que é uma evolução da versão de 380 cc, que inicialmente foi descartado por não atingir os objetivos de performance definidos pela marca. Também chegaram a considerar usar a unidade motriz da Macbor XR5.
Mas as suas dimensões implicariam comprometer a estética da Rockster 410, que assim recebe um novo motor, que será usado em exclusivo pela Macbor em território europeu.
Mais compacto do que o da Montana XR5, logo com menor peso, o novo bicilíndrico paralelo consegue então gerar uma potência de cerca de 42 cv e um binário que quase atinge os 33 Nm.
Números considerados pela Macbor como estando adaptados à categoria A2 e ao tipo de moto, e que combinam com um peso de 185 kg (a cheio), uma relação peso / potência que é altamente influenciada pela opção de usar um depósito de combustível de 17 litros, bastante acima do habitual numa custom, e que aliado a consumos contidos, que neste primeiro contacto ficaram abaixo dos 4 litros em ritmo ‘soltinho’, permitem garantir uma autonomia maior.

A ciclística também não foge muito ao expectável numa custom. Mas com algumas nuances interessantes e que revelam bem que o intuito da Rockster 410 não é apenas para ser um exercício de estilo, mas também uma moto com argumentos dinâmicos sólidos.
Ao quadro duplo berço, fabricado em aço, a Macbor adiciona uma forquilha invertida com bainhas de 41 mm, enquanto os dois amortecedores traseiros com depósitos externos oferecem a afinação da pré-carga.
A travagem está a cargo de dois discos dianteiros de 300 mm mordidos por pinças de dois pistões, uma escolha pouco habitual numa custom, e mais ainda nesta cilindrada, que tem implicações na forma como conduzimos a Rockster 410.
MUSCULADA E DIVERTIDA
O primeiro impacto causado pela Rockster 410 é do ponto de vista visual. A receita custom é aqui aplicada em quase todos os detalhes e componentes. O depósito em forma de gota é bastante volumoso e ganha maior destaque sobre o restante conjunto.
Mas elementos como a ótica e painel de instrumentos TFT a cores redondos, o assento largo e posicionado a apenas 735 mm de altura, ou o guarda lamas traseiro com luz de travão minimalista a conferir uma imagem ‘bobber’, também contribuem de sobremaneira para se atingir um “look” apelativo.
A competir num segmento em que tem de enfrentar rivais mais diretas em termos de cilindrada, ou propostas de maior cilindrada, a Rockster 410 começa por se destacar pela posição de condução bem concebida. Passar a perna por cima do assento permite encontrar uma postura confortável, com o guiador na altura certa, enquanto os poisa-pés fixos ao quadro mais à frente, garantem que as pernas, mesmo de condutores de maior estatura, não ficam dobradas ou em esforço.

O primeiro contacto com esta novidade da Macbor decorreu pelas estradas nortenhas que rodeiam o rio Douro, ou que passam pelas gravuras rupestres de Foz Coa. Um cenário de curvas e mais curvas, até enjoar delas, aproveitando, por exemplo, parte da N222. Claramente que não seria este o ambiente ideal para testar a Rockster 410. Ou pelo menos foi isso que pensei…
Não podia estar mais enganado! E percebi o meu erro logo nos primeiros quilómetros aos comandos desta custom espanhola. O motor bicilíndrico acorda suavemente quando rodamos a chave no lado direito do quadro e pressionamos a ignição.
Com uma distância entre eixos de 1490 mm, a Rockster 410 destaca-se pela estabilidade em linha reta, enquanto o motor sobe de rotações de forma ‘alegre’ até perto das 7.000 rpm, altura em que começa a denotar alguma falta de ‘pulmão’ para acompanhar os nossos desejos de uma condução mais animada.
A faixa de rotações onde se sente mais à vontade será entre as 4.000 e as 7.000 rpm, sendo que a partir daí a sonoridade que emana das ponteiras deixa perceber que não vale a pena puxar mais.
As reações aos movimentos do nosso corpo são previsíveis, e mesmo com os pneus CST de desenho misto a causarem alguma apreensão inicial, mas contribuindo para a estética geral, e sem comprometer em aderência em piso seco, a Rockster 410 não se deixa intimidar, caindo de forma natural para a curva, com alguma inércia nas trocas de inclinação mais repentinas, surpreendendo pela positiva o comportamento da direção que nunca fugiu do controlo nem obrigou a atenção redobrada, mesmo quando entrei em curva de forma demasiado ambiciosa.

A maior falha nesta unidade motriz acaba por ser a sua transmissão. Não por causa das trocas de caixa que se revelaram precisas e suaves, quer a subir como a descer, mas por causa das relações demasiado longas. Em particular a 5ª e 6ª.
Rapidamente subimos nas primeiras quatro relações enquanto ganhamos velocidade e tentamos manter um ritmo fluído de curva em curva, aproveitando a certeza de reações de um conjunto equilibrado e em que o peso não se faz notar.
Ao longo do percurso passei a maior parte do tempo entre 3ª e 4ª, mantendo as rotações no regime ideal para usufruir do binário à saída das curvas, sem que o controlo de tração se tenha feito notar exageradamente. As duas relações finais serão apenas usadas para estradas mais abertas, mas são tão longas que a subida de velocidade é feita de forma notoriamente lenta.
Os poisa-pés, por incrível que pareça, não rasparam tão facilmente como eu esperava. Pelo menos nos primeiros quilómetros, revelando uma distância livre ao solo que nos permite desenhar trajetórias mais apertadas em curva. Até um certo ponto, claro, pois acabam sempre por raspar, e no final do dia os apoios dos poisa-pés (e até a ponteira) apresentaram sinais de encontro imediato com o asfalto.

As suspensões têm aqui uma quota parte importante no comportamento dinâmico. Isto porque para gerir as transferências de peso a Macbor optou por uma afinação de fábrica mais desportiva, se assim a posso definir.
A forquilha digere bem as travagens ajudando a manter a estabilidade, sendo que no eixo traseiro os movimentos da Rockster 410 são muito contidos, até porque com um curso bastante reduzido, os amortecedores apresentam um comportamento ‘rijinho’ e que pode tornar-se menos confortável em pisos degradados.
Acima de tudo nota-se que o motor e a ciclística trabalham em uníssono, enquanto os travões, conforme referi, apresentam um funcionamento bastante particular. Devido a podermos usufruir de dois discos dianteiros, e de grande dimensão, temos de adaptar a forma como usamos a potência de travagem disponível. Isto porque o primeiro movimento do curso da manete é acompanhado por uma mordida mais imediata.
Uma última nota para o painel de instrumentos. É um ecrã TFT, a cores, desenho redondo, como deve ser numa custom. Permite conectar ao smartphone. De uma forma geral, as informações apresentadas são legíveis… desde que o Sol não incida diretamente! Aí, torna-se, literalmente, num espelho que apenas reflete os raios solares.
Texto: Bruno Gomes
Fotos: Macbor

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete – Schuberth C5
Blusão – REV’IT! Overshirt
Calças – REV’IT! Orlando 2 H2O
Luvas – Furygan Spencer D3O
Botas – TCX X-Blend WP
Ficha técnica Macbor Rockster 410
PREÇO: 5.199€
MOTOR TIPO: bicilíndrico paralelo, refrigeração por líquido
DISTRIBUIÇÃO: DOHC, 4 válvulas por cilindro
DIÂMETRO X CURSO: 68 x 55,2 mm
CILINDRADA: 401 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 41,5 cv às 9.000 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 32,8 Nm às 7.000 rpm
EMBRAIAGEM: multidisco em banho de óleo
CAIXA: seis velocidades
FINAL: por corrente
QUADRO: tipo duplo berço, em tubos de aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: forquilha invertida, bainhas de 41 mm, curso de 120 mm
SUSPENSÃO TRASEIRA: dois amortecedores, ajustáveis em pré-carga, curso de 73 mm
TRAVÃO DIANTEIRO: 2 discos de 300 mm, pinças de 2 pistões, ABS
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 240 mm, pinça simples, ABS
PNEU DIANTEIRO: 120/80-17’’
PNEU TRASEIRO: 150/70-17’’
COMPRIMENTO MÁXIMO: 2240 mm
LARGURA MÁXIMA: 785 mm
ALTURA DO ASSENTO: 735 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1490 mm
ÂNGULO DA COLUNA DE DIREC./TRAIL: n.d.
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 17 litros
PESO A CHEIO: 185 kg
CORES: verde, cinza, preto ou vermelho
IMPORTADOR: MB Motor Portugal
Galeria de fotos Macbor Rockster 410
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