A X-Cape 700 foi redesenhada em vários aspetos, mas o seu ADN permanece presente nesta nova trail da casa italiana Moto Morini. A principal diferença relativamente ao modelo anterior está na unidade motriz que, embora mantenha a configuração de dois cilindros em linha, sofreu várias alterações.
Comparativamente ao modelo anterior (X-Cape 650), registou-se um aumento de 45 centímetros cúbicos, o que resultou num incremento de 10 cavalos de potência máxima e 14 Nm de binário máximo.
Assim, a trail da marca italiana tornou-se mais responsiva em todas as rotações, com o binário máximo a ser atingido mais cedo (6.500 rpm em vez das 7.000 rpm do modelo anterior). Apesar deste aumento de potência, a X-Cape 700 mantém-se uma moto extremamente previsível e fácil de conduzir, permitindo uma adaptação simples aos recém-encartados da categoria A2, sem comprometer a diversão dos condutores mais experientes.
Durante os quase 800 quilómetros que percorri com esta moto, fiquei impressionado com a sua versatilidade.

O comportamento leve e dócil em regimes de baixa rotação permite circular em ambiente urbano de forma confortável. Tal deve-se também à relação da transmissão, que oferece uma ampla faixa de utilização em todas as mudanças. Em regimes de rotação mais elevados, a X-Cape 700 ganha vida e entrega a potência de forma linear e divertida, permitindo uma condução mais dinâmica em estradas sinuosas.
Estes dois comportamentos facilitam também a utilização fora de estrada, onde o motor se mostra muito à vontade, tanto em troços mais técnicos como em estradões mais abertos e rápidos.
O sistema de embraiagem deslizante e a caixa de velocidades formam um conjunto muito interessante. A embraiagem é leve e fácil de utilizar, tal como a caixa de velocidades, que se revelou sempre precisa e suave.
No entanto, na minha opinião, o destaque da X-Cape não está no motor, mas sim na ciclística. Este foi, sem dúvida, o ponto que mais me impressionou. Esta trail da Moto Morini vem equipada com uma forquilha invertida totalmente ajustável da Marzocchi na dianteira e um monoamortecedor ajustável KYB na traseira, que funcionam de forma excecional em todos os ambientes.
Em meio urbano, optei por um ajuste mais macio, que permitiu uma melhor absorção de buracos, lombas e pisos irregulares, com uma resposta muito positiva que contribuiu significativamente para o conforto em condução. Em estradas mais sinuosas, aumentei a rigidez da suspensão em alguns cliques, e a resposta foi novamente muito satisfatória. A moto revelou-se precisa, com um bom equilíbrio entre agilidade e estabilidade, sem afundar excessivamente nas travagens mais exigentes e mantendo uma notável capacidade de absorção das irregularidades do piso.
Em fora de estrada, o comportamento da suspensão voltou a surpreender, oferecendo uma excelente leitura do terreno e transmitindo uma sensação de segurança durante a condução.

Grande parte destas sensações deve-se também aos conhecidos pneus Pirelli Scorpion que equipam as jantes da X-Cape 700. Estes pneus, utilizados em várias trails do mercado e com desenho ‘misto’, garantem boa aderência tanto em asfalto como fora dele.
O sistema de travagem Brembo deixou-me com impressões mistas. Embora a X-Cape trave bem e não apresente fadiga no sistema de travagem, senti que falta um pouco de “mordida” no travão dianteiro.
Talvez isso se deva à progressividade da manete, que tem um curso mais longo, mas não há como negar que os travões funcionam bem. O travão traseiro, por sua vez, não deixa nada a desejar, oferecendo a intensidade necessária tanto em asfalto como fora dele, com um feeling muito preciso no pedal. Mesmo com o ABS desligado, o travão traseiro é muito previsível, permitindo bloquear a roda de forma controlada e segura.
O redefinir da ergonomia foi um dos principais focos da Moto Morini. O assento, embora mantenha a mesma altura ao solo do modelo anterior (845 mm), foi redesenhado para ser mais estreito, facilitando o apoio dos pés no chão por parte do condutor. Esta alteração manteve o conforto e melhorou a ergonomia; no entanto, em viagens mais longas, o assento pode tornar-se algo cansativo tanto para o condutor como para o passageiro.
A proteção aerodinâmica da X-Cape 700 funciona muito bem, sobretudo o novo para-brisas ajustável que, na sua posição mais alta, reduz significativamente a turbulência que atinge o condutor, especialmente em velocidades mais elevadas, como as praticadas em autoestrada.

Este modelo inclui ainda um detalhe interessante no ajuste da distância do guiador, que vem de série com três posições, permitindo aproximar ou afastar o guiador da posição original. No meu caso, a posição padrão revelou-se algo desconfortável em utilizações mais prolongadas, pois sentia os braços demasiado esticados, pelo que optei por ajustar o guiador para a posição mais próxima de mim.
Em termos de iluminação, a Moto Morini X-Cape 700 apresenta faróis full LED com luzes auxiliares de série e um painel de instrumentos TFT de 7 polegadas, de fácil leitura. Este painel dispõe de dois modos de apresentação – um para o modo “Ride” e outro para o modo “Off-Road” – e ajusta-se automaticamente à luminosidade, mudando para um tema escuro em condições de menor luz.
A instrumentação inclui navegação “turn-by-turn” e permite espelhar o telemóvel através da aplicação da marca (funcionalidade paga para navegação). A X-Cape conta ainda com câmara frontal, ficha USB e suporte para top-case como equipamentos de série.
De um modo geral, este modelo apresenta-se como uma proposta competitiva no mercado, oferecendo versatilidade elevada a um preço acessível. Durante todos os quilómetros percorridos, a X-Cape 700 registou consumos médios entre 5 e 5,6 litros/100 km. Estes valores, aliados ao depósito de 18 litros, garantem autonomias superiores a 300 quilómetros por depósito.
A Moto Morini X-Cape 700 chega ao mercado português em três combinações de cores (branco, vermelho e preto) por um valor de 7.980 euros.
Texto: Francisco Galrão
Fotos: Pedro Lopes
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção
Capacete – LS2 Pioneer
Blusão – Macna Vosges
Calças – Macna Novado
Luvas – Macna Zairon
Botas – Alpinestars Corozal ADV Drystar

Ficha técnica – Moto Morini X-Cape 700
Preço: 7980 €
Motor Tipo: Bicilíndrico paralelo, refrigerado a líquido
Distribuição: 8 válvulas, DOHC
Diâmetro x Curso: 83 mm x 60 mm
Cilindrada: 693 cc
Potência Máxima: 70 cv @ 8500 rpm
Binário Máximo: 68 Nm @ 6500 rpm
Embraiagem: Deslizante, multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 mudanças
Final: Por corrente
Quadro: Treliça, tubular em aço
Suspensão dianteira: Forquilha invertida Marzocchi, 50 mm de diâmetro, ajustável em pré-carga, compressão e extensão, com curso de 175 mm
Suspensão traseira: Monoamortecedor KYB ajustável em pré-carga e extensão, com curso de 165 mm
Travão dianteiro: Duplo disco de 298 mm Brembo, pinça flutuante 2 êmbolos, ABS Bosch
Travão traseiro: Disco de 255 mm Brembo, 2 êmbolos, ABS Bosch
Pneu Dianteiro: 110/80-19”
Pneu Traseiro: 150/70-17”
Comprimento Máximo: 2200 mm
Largura Máxima: 900 mm
Altura do assento: 845 mm
Distância entre eixos: 1510 mm
Ângulo da Coluna de direc/Trail: n.d.
Capacidade do Depósito: 18 litros
Peso: 213 Kg a seco
Cores: Branco, Vermelho e Preto
Garantia: 3 anos
Importador: Puretech Moto
Galeria de fotos Moto Morini X-Cape 700
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