InícioNotíciasTeste Suzuki GSX-8T e GSX-8TT – O poder da estética

Teste Suzuki GSX-8T e GSX-8TT – O poder da estética

Com base na mesma estrutura mecânica que usou para a sua naked desportiva GSX-8S, a Suzuki lança agora dois novos modelos, nos quais a grande diferença é a estética. Estes representam o início de um trabalho de mudança de imagem que a Suzuki promete levar a outros modelos no futuro.

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A Suzuki desenvolveu uma base mecânica que já se afirmou como uma verdadeira vencedora. É a mesma que serve de alicerce a modelos tão distintos como a eficiente trail V-Strom 800 e a desportiva GSX-8R, rápida e precisa em pista.

Mas a história não fica por aqui. Apesar de serem motos equilibradas, práticas e muito agradáveis de conduzir, os modelos mais recentes da marca de Hamamatsu têm gerado alguma divisão no que toca à estética. Há quem aprecie o design arrojado, mas também quem não se identifique totalmente com as linhas escolhidas pela Suzuki.

Consciente dessa perceção, a administração da marca de Hamamatsu decidiu explorar uma nova abordagem: combinar o design criado em Itália, mais próximo dos gostos europeus, com a engenharia japonesa que sempre distinguiu a marca. As duas motos que testámos aqui — GSX-8T e GSX-8TT — são o primeiro resultado desta estratégia.

E não podemos deixar de elogiar a decisão: o resultado convence e deixa excelentes perspetivas para o futuro da Suzuki, que revelou agora mais novidades já no Salão Internacional EICMA, em Milão, no início de novembro, como a SV-7GX que pode conhecer em detalhe aqui .

Leia também – Suzuki GSX-8T e GSX-8TT: todos os detalhes e fotos

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Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

Clássicos, mas diferentes

O desenvolvimento das Suzuki GSX-8T e GSX-8TT foi claramente guiado por uma inspiração nostálgica. São, em essência, duas verdadeiras “Retro Racer”. A GSX-8TT inspira-se nas lendárias máquinas de competição das décadas de 1970 e 1980, como a icónica Yoshimura GS1000 AMA Superbike. Apresenta uma carenagem que envolve o farol e o motor, conferindo-lhe uma presença mais desportiva e uma clara ligação ao universo das corridas.

Já a GSX-8T, versão naked, assume uma postura mais clássica e descontraída, evocando modelos históricos como a Suzuki T500 “Titan” dos anos 60 e 70.

Este regresso às origens reflete-se em detalhes cuidadosamente pensados, como o farol redondo — o mesmo utilizado sob a carenagem da TT — agora modernizado com tecnologia LED de alta eficiência. O assento segue o mesmo princípio: o seu design “tuck-and-roll”, típico das décadas de 60 e 70, combina-se com espuma de alta densidade moderna, garantindo conforto e ergonomia.

A versão TT, por sua vez, adota um revestimento mais simples e funcional, fiel ao espírito das motos de competição. Um detalhe que ambas partilham, e que recebeu particular atenção dos engenheiros, são os espelhos retrovisores. Montados nas extremidades do guiador, acrescentam um toque de estilo clássico, mas foram minuciosamente desenvolvidos para oferecer uma melhor visibilidade traseira — um exemplo claro de como o design retro pode conviver em harmonia com a funcionalidade moderna.

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Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

Tecnologia de ponta no coração

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No coração das novas GSX-8T e GSX-8TT pulsa o já bem conhecido motor bicilíndrico paralelo de 776 cc, uma unidade que a Suzuki tem vindo a aperfeiçoar e que já provou o seu valor em modelos como a V-Strom 800, GSX-8S e GSX-8R. Com uma cambota de 270°, este motor oferece uma entrega de potência envolvente e um caráter sonoro que o distingue.

Os números falam por si: cerca de 93 cv às 8.500 rpm e 78 Nm às 6.800 rpm, garantindo respostas cheias desde baixos regimes e um desempenho sólido tanto em cidade como em estrada. Equilibrado e eficiente, o bicilíndrico apresenta ainda um consumo contido — pouco acima dos 4 l/100 km durante este teste — e baixas emissões, sem comprometer o prazer de condução. A capacidade do depósito é agora de 16,5 litros, permitindo aproximadamente 300 km de autonomia, consoante o tipo de condução.

Apesar da estética retro, estas Suzuki estão equipadas com a mais recente tecnologia da marca, reunida no sistema Suzuki Intelligent Ride System (S.I.R.S.).

Este conjunto integra o Suzuki Drive Mode Selector (SDMS), que permite escolher entre três modos de potência distintos, e um controlo de tração com três níveis de intervenção e possibilidade de ser totalmente desligado.

O acelerador eletrónico “ride-by-wire” garante respostas suaves e precisas, enquanto os sistemas Easy Start e Low RPM Assist facilitam os arranques e tornam a condução em baixa rotação mais estável e confortável. Tudo isto é gerido através de um painel TFT a cores, bem enquadrado, que reforça o equilíbrio entre tradição e modernidade.

A ciclística das novas GSX-8T e GSX-8TT foi desenvolvida para oferecer um comportamento desportivo, mas acessível, garantindo um manuseamento preciso e intuitivo. O quadro, partilhado com a GSX-8S, foi concebido com uma geometria e rigidez pensadas para proporcionar ao condutor uma ligação direta à estrada, resultando numa condução dinâmica e equilibrada.

A suspensão dianteira recorre a uma forquilha invertida KYB, enquanto na traseira encontramos um monoamortecedor da mesma marca, ajustável em pré-carga da mola. Este conjunto assegura um equilíbrio exemplar entre conforto e eficácia, tanto em condução urbana como em ritmo mais rápido numa estrada de montanha.

O sistema de travagem está a cargo de dois discos de 310 mm na dianteira, garantindo potência e progressividade em todas as situações.

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Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

Um dia de diversão

Para dar a conhecer as novas GSX-8T e GSX-8TT, a Moteo, importador nacional da Suzuki, reuniu a imprensa na Curia para um dia de condução nas fantásticas estradas das serras do Buçaco e do Caramulo.

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O traçado variado, alternando entre troços de asfalto impecável e zonas mais irregulares, revelou-se ideal para perceber o comportamento dinâmico destes dois modelos. Na maioria do percurso, rodámos por estradas sinuosas com piso de boa qualidade, onde as suspensões mostraram toda a sua competência.

Ambos os modelos demonstraram uma notável capacidade de adaptação, oferecendo um funcionamento preciso e comunicativo. As suspensões filtram eficazmente as pequenas irregularidades do piso, transmitindo sempre um excelente tato da frente e do contacto dos pneus com o asfalto.

Essa comunicação direta com a moto inspira confiança e convida a explorar com mais intensidade as capacidades do conjunto, que são muitas. Tanto à frente como atrás, o acerto tende para o firme, mas sem nunca se tornar seco, mantendo bom conforto mesmo em condução mais exigente.

A agilidade é outro ponto forte: tanto a GSX-8T como a GSX-8TT revelam uma direção leve e precisa, que permite encadear curvas com enorme fluidez. Devido ao peso adicional da carenagem e da respetiva estrutura de suporte, a GSX-8TT transmite uma sensação ligeiramente mais “plantada” à frente. A diferença é subtil e não compromete a agilidade, mas dá-lhe um toque de estabilidade que, pessoalmente, achei muito agradável.

Ambas são motos que inspiram prazer de condução e deixam clara a qualidade de construção e a coerência de todo o conjunto. A posição de condução é confortável e equilibrada: os braços ficam naturalmente elevados e abertos, e o tronco inclina-se ligeiramente para a frente, garantindo bom apoio na direção sem sobrecarregar os pulsos.

Os assentos são bem desenhados e oferecem bom suporte, permitindo chegar facilmente com os pés ao chão. O acabamento “tuck-and-roll” da GSX-8T acrescenta um toque de conforto extra e reforça o seu apelo estético, destacando-a como a mais clássica das duas.

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Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

Sempre disponível e moldável

O motor é uma unidade já bem conhecida entre nós, e já o testámos aqui na Revista Motojornal na versão mais desportiva da saga, na GSX-8R – clique aqui para ler o teste a essa desportiva .

Este bicilíndrico paralelo pode não ser o mais potente do segmento, mas é claramente um dos mais agradáveis de utilizar, graças à disponibilidade em todos os regimes, à suavidade de funcionamento e à sonoridade envolvente que emite.

Mostra-se cheio de força nos baixos e médios regimes, com uma excelente capacidade de tração — durante o ensaio, rodámos frequentemente com o controlo de tração desligado — e respira de forma saudável mesmo quando o levamos até ao limite das rotações.

É um motor que preenche, como poucos, todas as necessidades nas estradas secundárias e mais divertidas do interior do país. Os três modos de entrega de potência permitem adaptar facilmente o carácter da moto ao tipo de condução e às condições do piso.

O modo A oferece uma resposta imediata e intensa, reagindo ao menor movimento do acelerador, quase como um punho rápido de competição. O modo B, intermédio, mantém toda a performance, mas com uma entrega mais suave e controlada. Já o modo C é ideal para pisos escorregadios ou para uma condução mais tranquila, por exemplo, quando levamos passageiro.

A caixa de velocidades é outro ponto alto. Possui a suavidade típica da Suzuki, com um engate preciso e um tato mecânico refinado. O sistema quickshifter bidirecional, de série em ambos os modelos, funciona de forma exemplar em qualquer regime de rotação, permitindo subir ou descer mudanças com rapidez e fluidez, sem comprometer o conforto nem a estabilidade.

Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

Entre o passado e o futuro

Com as GSX-8T e GSX-8TT, a Suzuki dá um passo firme na consolidação da sua nova geração de motos de média cilindrada. Man tendo a base técnica já amplamente testada e elogiada, a marca soube reinventar a sua imagem com um design de inspiração retro que alia elegância e autenticidade à fiabilidade e tecnologia nipónicas.

Mais do que simples variações estéticas, estas duas motos representam duas interpretações de um mesmo espírito: a paixão pela condução pura.

A GSX-8T conquista pela simplicidade clássica e pelo conforto equilibrado, enquanto a GSX-8TT acrescenta um toque de emoção desportiva e um visual que remete às máquinas de competição de outrora.

Ambas demonstram que a Suzuki está de volta com ideias frescas, sem renegar o que sempre a distinguiu: motores cheios de caráter, ciclísticas equilibradas e um enorme prazer de condução. Se estas duas forem o prenúncio do que a marca japonesa tem reservado para o futuro, então o caminho é promissor e, acima de tudo, entusiasmante.

Texto: Marcos Leal
Fotos: Rui Jorge

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete: Nexx X.G100
Blusão: REV’IT!
Calças: Spidi Pathfinder
Botas: XPD
Luvas: REV’IT!

Foto @ Rui Jorge / Revista Motojornal

FICHA TÉCNICA: SUZUKI GSX-8T (TT)

PREÇO: 10 499 € (11 499 €)
MOTOR TIPO: dois cilindros em linha, refrigeração por líquido
DISTRIBUIÇÃO: DOHC 4 válvulas por cilindro
DIÂMETRO X CURSO: 84 x 70 mm
CILINDRADA: 776 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 83 cv / 8500 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 78 Nm / 6800 rpm
ALIMENTAÇÃO: Injeção eletrónica
ARRANQUE: elétrico
EMBRAIAGEM: multidisco, deslizante, banho de óleo
CAIXA: 6 velocidades
FINAL: por corrente
QUADRO: estrutura em aço
SUSPENSÃO DIANTEIRA: Forquilha telescópica invertida KYB, 41 mm de diâmetro, curso de 130 mm
SUSPENSÃO TRASEIRA: monoamortecedor KYB, ajustável em pré-carga da mola, com sistema progressivo e curso de 130 mm
TRAVÃO DIANTEIRO: 2 discos de 310 mm, pinças Nissin radiais de 4 pistões
TRAVÃO TRASEIRO: disco de 240 mm
PNEU DIANTEIRO: 120/70 – 17”
PNEU TRASEIRO: 180/55 – 17”
ALTURA DO ASSENTO: 815 mm (810 mm)
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1465 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 16,5 litros
PESO A CHEIO: 201 kg (203 kg)
IMPORTADOR: Moteo Portugal

Galeria de fotos Suzuki GSX-8T e GSX-8TT

Vídeo – Teste Suzuki GSX-8T e GSX-8TT

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