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Teste Triumph Speed 400 e Scrambler 400 X – Entre a cidade e a praia

Finalmente uma semana inteira aos comandos das duas ‘quatrocentos’ britânicas! A Triumph Speed 400 e a Scrambler 400 X mostram o que valem.

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Quando a Triumph Portugal disponibilizou as Speed 400 e Scrambler 400 X não deixei passar a oportunidade para me sentar novamente aos comandos das mais pequenas opções da marca britânica, desta feita com o objetivo de as colocar à prova em cenários mais diversificados.

Começo por isso pela análise mais detalhada em circuitos urbanos. No caso da Speed 400, que deixa o condutor sentado a 790 mm de altura do solo, a sensação de controlo sobre o conjunto é exponenciada pelo guiador que deixa os punhos em posição mais baixa. O nosso peso fica por isso mais ‘carregado’ nos pulsos, mas mesmo depois de muitas horas a conduzir esta roadster não senti qualquer dor ou desconforto.

A posição de condução combina na perfeição com a leveza assinalável da Speed 400, que com apenas 170 kg a cheio movimenta-se com uma leveza fantástica, dançando entre automóveis enquanto nos deslocamos rumo ao destino sem grandes dificuldades.

Apenas os espelhos, posicionados nas extremidades dos punhos, estragam a facilidade com que nos movimentamos escapando ao trânsito, e obrigam a fazer cálculos adicionais.

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Foto @ Pedro Lopes / Revista Motojornal

No caso da Scrambler 400 X, a posição de condução mais elevada permite-nos visualizar mais facilmente o que temos pela frente. O assento dividido oferece um pouco mais de espaço para o passageiro se posicionar sem ficar tão em cima do condutor, sendo que os 9 kg a mais de peso a cheio da Scrambler penalizam um pouco os movimentos a baixa velocidade.

Comum a ambas é o comportamento do motor. O monocilíndrico da série TR e 398 cc não se atemoriza com os constantes ‘pára-arranca’. Suave, acoplado a uma caixa de 6 velocidades precisa, rapidamente aceleramos a partir de parado, e trocamos ainda mais rapidamente de caixa para rolar descontraidamente.

Não temos de optar por relações mais baixas para conduzir a velocidades urbanas, e mesmo em 6ª a 50 a 70 km/h o motor não ‘bate’ e mantém uma resposta pronta aos nossos impulsos no acelerador. Isto traduz-se num consumo de combustível reduzido, abaixo dos 4 litros de média.

Mas nem tudo é positivo. Mesmo movimentando-se bem, a manobrabilidade em passagens mais apertadas é comprometida pela brecagem bastante reduzida. Com um raio de viragem alargado, tanto a Speed como a Scrambler levam o condutor a ter de realizar mais manobras para ‘cortar’ pelo trânsito parado. O mesmo acontece para estacionar.

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Foto @ Pedro Lopes / Revista Motojornal

Já fora do ambiente urbano, as opções mais pequenas da gama da Triumph também não se atemorizam. Começo pelo motor, que depois de brilhar a bom nível na cidade, assim que se apanha em estradas mais abertas que nos levam de Lisboa às praias da Arrábida, deixa que os 40 cv se revelem na sua plenitude.

Quer em autoestrada ou estradas nacionais, a posição de condução de cada uma destas motos tem uma grande influência na sua condução.

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Sem que nenhuma apresente uma proteção aerodinâmica assinalável, algo que é natural devido à ausência de carenagens, a Speed 400 destaca-se neste ponto particular pois deixa o condutor mais descaído sobre a dianteira em comparação com a Scrambler 400 X, com uma postura mais direita. Isso traduz-se num impacto menor do vento no nosso peito.

À chegada das primeiras curvas na Arrábida, o sistema de travagem começa a ser solicitado de forma mais intensa. As pinças ByBre mordem um disco de 300 mm no caso da Speed e 320 no caso da Scrambler. A potência de travagem fica num patamar semelhante entre as duas, sendo bem-adaptado a motos desta cilindrada.

Confirmei que a Scrambler tem um tato mais esponjoso do que a Speed, mas ambas requerem que o condutor aperte bem a manete para usufruir da potência de travagem disponível.

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Foto @ Pedro Lopes / Revista Motojornal

Por outro lado, uma das minhas maiores críticas à Speed 400 foi confirmada. A opção da Triumph em montar de série os Metzeler Sportec M9 RR nas jantes de 17’’ da Scrambler é errada. Têm um perfil demasiado ‘agressivo’, conforme referi no meu primeiro contacto com estas Triumph.

No caso da unidade aqui testada, as jantes estavam cobertas pelos Pirelli Diablo Rosso III, que, sendo desportivos, têm um perfil mais ‘redondo’ e são mais macios na sua construção, permitindo ao condutor aproveitar melhor o comportamento equilibrado do conjunto, desenhado as curvas de forma mais natural, deixando a moto inclinar com maior linearidade e confiança.

Já a Scrambler 400 X com os seus Metzeler Karoo Street, é perfeita para estradas de curvas encadeadas, e mesmo sendo pneus de desenho misto, permite ângulos de inclinação pronunciados levando os poisa-pés a raspar no asfalto, e sempre de forma controlada.

A polivalência superior da Scrambler em comparação com a Speed é notória, em particular quando na procura de caminhos alternativos para chegar aos nossos locais favoritos encontramos percursos de terra. Percorre facilmente e com confiança estes percursos, desde que as dificuldades do terreno não sejam exageradas.

Texto: Bruno Gomes
Fotos: Pedro Lopes

Foto @ Pedro Lopes / Revista Motojornal

Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção

Vitor Martins / Triumph Speed 400
Capacete Nexx X.G100
Blusão Furygan
Calças Acerbis
Luvas Ixon
Botas TCX

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Bruno Gomes / Triumph Scrambler 400 X
Capacete Nexx X.G100R
Blusão REV’IT! Hoodie Stealth
Calças REV’IT! Orlando 2 H2O
Luvas Furygan Spencer D3O
Botas TCX X-Blend WP

Foto @ Pedro Lopes / Revista Motojornal

Ficha técnica Triumph Speed 400 / Scrambler 400 X
Preço: 5.795€ / 6.495€
Motor tipo: monocilíndrico, refrigeração por líquido
Distribuição: DOHC, 4 válvulas
Diâmetro x Curso: 89 x 64 mm
Cilindrada: 398 cc
Potência máxima: 40 cv às 8.000 rpm
Binário máximo: 37,5 Nm às 6.500 rpm
Embraiagem: multidisco em banho de óleo, assistida e deslizante
Caixa: 6 velocidades
Final: por corrente
Quadro: perimetral em tubos de aço
Suspensão dianteira: forquilha tipo Big Piston, bainhas de 43 mm, 140 / 150 mm de curso
Suspensão traseira: amortecedor ajustável em pré-carga, 130 / 150 mm de curso
Travão dianteiro: disco de 300 / 320 mm, pinça ByBre de quatro pistões, ABS
Travão traseiro: disco de 230 mm, pinça simples, ABS
Pneu dianteiro: 110/70-17’’ / 100/90-19’’
Pneu traseiro: 150/60-17’’ / 140/80-17’’
Comprimento máximo: n.d.
Largura máxima: 814 mm / 901 mm
Altura do assento: 790 mm / 835 mm
Distância entre eixos: 1377 mm / 1418 mm
Ângulo da col. direção: 24,6° / 23,3°
Capacidade do depósito: 13 litros
Peso a cheio: 170 kg / 179 kg
Garantia: 4 anos
Importador: Triumph Portugal

Galeria de fotos Triumph Speed 400 / Scrambler 400 X

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