Uma moto é mais do que apenas um veículo que nos transporta do ponto A ao ponto B. A moto que compramos e conduzimos torna-se no objeto que transporta para as estradas (ou pistas) os nossos sonhos enquanto motociclistas. Torna-se na manifestação de uma ideia de perfeição em duas rodas. E por isso, os fabricantes têm o cuidado de, cumprindo com as normas de homologação, claro, darem-nos a possibilidade de adquirir motos bem especiais como é o caso da nova Triumph Speed Triple 1200 RX.
Esta é a variante mais exótica e premium da streetfighter da casa de Hinckley. A moto que ‘bebe’ todo o “know-how” que a Triumph foi evoluindo ao longo das décadas no que diz respeito ao fabrico de chassis que geram confiança e garantem sensações dinâmicas apenas ao alcance da realeza das duas rodas, aliados aos icónicos motores tricilíndricos que nos transmitem tantas emoções pela sua performance.
Partindo da RS, uma versão topo de gama da sua naked mais potente e também ela melhorada para 2025, a Triumph incumbiu aos seus engenheiros a sempre delicada missão de tornar uma Speed Triple numa moto que, mantendo as suas características de naked, conseguisse aproximar-se muito, mas mesmo muito, do comportamento dinâmico das atuais superdesportivas.
Conjugar estas duas facetas não é fácil, mas a realidade é que a Speed Triple 1200 RX consegue corresponder de forma afirmativa às nossas expectativas.

Vestida numa vistosa cor denominada Performance Yellow, esta variante será produzida em quantidade muito reduzida. A Triumph anuncia que apenas 1200 unidades serão disponibilizadas em todo o Mundo, e isso torna-a numa moto ainda mais desejável, até para colecionadores que a gostariam de guardar numa garagem ou escritório apenas para a admirar.
Porém, não conduzir esta moto será um enorme desperdício! O trabalho realizado pela Triumph nesta moto merece ser sentido em estrada ou na pista. E numa moto tão especial, somos obrigados a olhar para as suas especificações exclusivas.
A cor é uma delas, mas não é a única. Começando então pela posição de condução, bastante mais agressiva graças ao uso de avanços fixos à mesa de direção em apoios ligeiramente elevados.
Todos os componentes são maquinados em alumínio, para um “look” incrível. Os punhos ficam posicionados 69 mm mais abaixo e 52 mm mais à frente e combinam com poisa-pés mais elevados e fixos mais para trás. Isto deixa o condutor bastante mais ‘deitado’ sobre o eixo dianteiro.

As novidades continuam nos componentes eletrónicos. Nomeadamente na instalação do novo amortecedor eletrónico Öhlins SD EC, sendo que a marca sueca também fornece forquilha Smart EC3 SV e amortecedor, mas também um pacote eletrónico mais desportivo graças a parametrizações exclusivas.
Desta forma, a Speed Triple 1200 RX conta com ajudas à condução ajustáveis de forma independente. O “anti wheelie”, efeito travão-motor ou ainda o denominado “brake slide” que permite à roda traseira levantar e deslizar mais livremente para travagens no limite e ao melhor estilo das motos de competição.
Fibra de carbono por todo o lado, um assento com forro exclusivo e logótipo RX embutido, ou ainda uma ponteira de escape Akrapovic em titânio preto ajudam a dar a esta Speed Triple 1200 RX uma dose extra de exclusividade que salta à vista assim que a começamos a conduzir.

Speed Triple 1200 RX: Mais focada do que nunca!
Com uma beleza única conferida pelo facto da Triumph ter criado esta Speed Triple 1200 RX como uma verdadeira naked e não uma desportiva despida de carenagens, esta britânica musculada não nos deixa indiferentes.
A qualidade dos acabamentos é irrepreensível, e a cor amarelo salta imediatamente à vista tornando-a numa moto destacada no meio de veículos que variam entre preto ou branco e o cinzento.
O assento posicionado a 830 mm de altura combinado com os avanços e poisa-pés específicos da RX deixa-nos bastante descaídos sobre o depósito de 15,5 litros e um formato mais arredondado do que encontramos na maior parte das suas rivais modernas.
É uma posição de condução desportiva, mas não agressiva em exagero. Condutores de maior estatura poderão sentir maior pressão nas pernas nas viagens mais longas, e o assento, esguio o suficiente para nos permitir chegar facilmente com os pés ao solo e movimentar com bastante liberdade, também não é propriamente o mais confortável.
Um toque rápido na ignição e o tricilíndrico de 1.160 cc acorda para a vida com uma sonoridade típica, um ligeiro assobiar na subida de rotações, e com a ponteira Akrapovic mais leve 700 gramas do que a da RS a emanar um som mais desportivo. Porém, não é tão desportivo como estava à espera. Afinal, cumpre com a Euro5+, e por isso vale mais por ser mais curto e assim deixar a jante traseira instalada no monobraço totalmente à vista.

Até a ritmos mais contidos a RX sente-se mais especial. Ao reposicionar a distribuição de peso colocando maior foco no eixo dianteiro, a Triumph criou uma naked de alta performance que nos transmite um controlo mais detalhado do que se passa com a frente.
Com a forquilha de controlo eletrónico a revelar um comportamento altamente eficaz na gestão do afundar em travagem ou absorção das imperfeições do asfalto, rapidamente estamos a rolar a velocidades mais elevadas, desenhando trajetórias, mesmo as mais apertadas, de forma intuitiva e sem esforço físico.
Sentimos que estamos integrados na Speed Triple 1200 RX. E o melhor? Podemos definir o nosso peso (mais equipamento) no menu das suspensões, e os parâmetros eletrónicos adaptam-se para um funcionamento ainda mais personalizado.
O motor três cilindros desenvolve os mesmos 183 cv e 128 Nm da RS. Neste particular, destaco o facto de ser uma unidade motriz bastante versátil, combinando a força dos dois cilindros em V a baixas rotações com a suavidade dos quatro cilindros e potência nos regimes mais elevados.
Com um acelerador eletrónico bem parametrizado, cada rodar de punho corresponde a uma subida notória das rotações, particularmente acima das 5.000 rpm, altura em que sentimos um forte empurrão. Acima das 8.000 rpm surge um novo fôlego que nos leva até ao limitador, acima das 10.000 rpm, sem falhas.

A estas velocidades, sentimos falta da proteção aerodinâmica. Existe no catálogo de acessórios oficiais um pequeno para-brisas por cerca de 200€. Uma compra obrigatória na minha opinião.
Por outro lado, em ritmo urbano, podemos facilmente rodar a baixa velocidade sem sentir o motor a bater, desde que não se deixe o ponteiro das rotações baixar abaixo das 3.000 rpm sem selecionar a relação de caixa mais adequada.
Nota também numa condução urbana para a reduzida brecagem, o que irá dificultar algumas manobras como ‘cortar’ por entre os automóveis. Isso, e os espelhos fixos na extremidade dos punhos. Dão boa visibilidade, mas dificultam na condução em cidade.
Mas a Speed Triple 1200 RX não foi concebida apenas para velocidade em linha reta. Na verdade, é numa estrada de curvas onde ela mais se vai destacar. Primeiro porque o quadro dupla trave em alumínio dá-nos uma enorme sensação de estabilidade em inclinação e permite manter muita velocidade em curva, aproveitando ao máximo a aderência dos Pirelli Supercorsa SP V3. Depois, a travagem desta britânica é exemplar!

As pinças Brembo Stylema são acionadas pela bomba principal MCS. Ajustado o ponto de ‘mordida’ e sensação de potência disponível ao nosso gosto, graças ao sistema MCS da Brembo, o conduto da Speed Triple 1200 RX é levado a travar cada vez mais tarde, puxando pelos limites – os seus e os da moto – sem sentir que faltam travões.
É um sistema ao nível do melhor que encontramos numa moto de produção, e que ajuda a explorar esta RX de uma forma ainda mais dinâmica.
E para os mais talentosos, ou corajosos, recomendo experimentar o sistema exclusivo desta variante, o “brake slide”. Disponível apenas no modo de condução Track, que apenas pode ser selecionado com a moto parada por motivos de segurança, com este modo de travagem ativo sentimos a traseira claramente mais ‘soltinha’, mais leve, o que se traduz em mais movimentos que não são incontroláveis e por isso dão-nos um controlo sem precedentes sobre o conjunto nas travagens mais agressivas.
Com 199 kg a Speed Triple 1200 RX é ágil e esconde bem o seu peso. Revela reações desportivas, mas neutras, não sendo por isso uma moto particularmente exigente.
O amortecedor de direção eletrónico ganha aqui uma preponderância maior, adaptando a força efetuada para controlar os movimentos da direção ao ritmo a que conduzimos. É também impossível dissociar o prazer de condução ao quickshift acoplado a esta caixa de velocidades. O curso do seletor é curto para um tato mais direto, e subir ou descer de relações é rápido e acompanhado pela engrenagem precisa e suave.

As opções eletrónicas ajudam também a usufruir de uma experiência de condução mais entusiasmante e adaptada às nossas preferências.
Admito que o modo Rain será uma grande ajuda em dias de chuva, mas o modo que mais usei foi o Sport, em que apenas alterei o travão-motor para menor intensidade, pois quer a forma como a potência é disponibilizada, quer a forma como o controlo de tração intervém, nas configurações de fábrica, não obrigam a modificações.
Neste particular, mais uma vez, e tal como referi há uns meses sobre a Ducati Streetfighter V4 S, sou obrigado a ‘reclamar’ da forma como selecionamos os modos de condução.
A Triumph dá-nos um botão específico para trocar de modo de condução em andamento. Só o pressionamos se quisermos mesmo trocar de modo. Mas depois obrigam o condutor a tirar os olhos da estrada para pressionar o joystick e dar o ‘OK’ ao sistema para efetivamente ativar o modo de condução que queremos usar.
Isto tudo enquanto cortamos por completo o acelerador. Bastaria tocar no botão de modo de condução… e já está! Seria mais intuitivo e muito mais seguro.
Texto: Bruno Gomes
Fotos: Rui Jorge
Equipamento utilizado neste teste
Capacete – Nolan X-804 RS Ultra Carbon
Fato – Dainese Misano 2 D-air
Luvas – REV’IT! Jerez Pro 3
Botas – Dainese Axial D1

Ficha Técnica – Triumph Speed Triple 1200 RX
PREÇO: 21.995€
MOTOR: 3 cilindros em linha 4T, refrigerado por líquido
DISTRIBUIÇÃO: DOHC, 4 válvulas por cilindro
DIÂMETRO X CURSO: 90 mm x 60,8 mm
CILINDRADA: 1.160 cc
POTÊNCIA MÁXIMA: 183 cv às 10.750 rpm
BINÁRIO MÁXIMO: 128 Nm às 8.750 rpm
EMBRAIAGEM: Multidisco em banho de óleo, deslizante e assistida
CAIXA: 6 velocidades
FINAL: Por corrente
QUADRO: dupla trave em alumínio
SUSPENSÃO DIANTEIRA: Forquilha invertida eletrónico Öhlins SmartEC3, Ø43 mm de diâmetro, 120 mm de curso, totalmente ajustável
SUSPENSÃO TRASEIRA: Amortecedor eletrónico Öhlins SmartEC3, 120 mm de curso, totalmente ajustável
TRAVÃO DIANTEIRO: 2 discos de Ø320 mm, pinças Brembo Stylema de 4 êmbolos, ABS em curva
TRAVÃO TRASEIRO: Disco de Ø220 mm, pinça 2 pistões, ABS em curva
PNEU DIANTEIRO: 120/70-17”
PNEU TRASEIRO: 190/55-17”
COMPRIMENTO MÁXIMO: n.d.
LARGURA MÁXIMA: 825 mm
ALTURA DO ASSENTO: 830 mm
DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1445 mm
CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 15,5 litros
PESO A CHEIO: 199 kg
CORES: Performance Yellow
GARANTIA: 4 anos
IMPORTADOR: Triumph Portugal
Galeria de fotos Triumph Speed Triple 1200 RX
Fique atento a www.motojornal.pt para estar sempre a par de todas as novidades do mundo das duas rodas. E siga-nos no Canal Oficial da Revista Motojornal no WhatsApp para receber todas as notícias atualizadas diretamente no seu telemóvel de forma ainda mais prática!