A Seleção Nacional apresentou este ano apenas uma equipa sénior no Trial das Nações, depois de ter preparado a participação através de cinco estágios específicos.
O trio formado por Paulo “Ballas Jr.” Gonçalves, João Silva e Filipe Sá chegou à Galiza com expectativas positivas. Grande parte das zonas de Arteixo utilizava pedra granítica, um tipo de terreno semelhante ao encontrado nos locais onde a equipa portuguesa realizou a preparação, nomeadamente no Monte do Pilar, em Paços de Ferreira, e em Ponte do Carro, Matosinhos. Na prática, porém, a semelhança do piso acabou por significar pouco.
15 zonas muito acima do nível habitual
O percurso do Trial das Nações apresentava 15 zonas, que tinham de ser cumpridas duas vezes, mas foi sobretudo o grau de dificuldade que surpreendeu a formação portuguesa.
Segundo a análise da Comissão de Trial da FMP, as zonas eram consideravelmente mais longas e tecnicamente mais exigentes do que aquelas que os três pilotos encontram habitualmente, sendo ainda necessário completá-las dentro do tempo máximo de um minuto. A primeira passagem foi realizada com o terreno seco, mas as condições mudaram completamente na segunda volta.

A chuva acompanhou toda a segunda passagem, aumentando substancialmente a dificuldade dos obstáculos em granito e tornando ainda mais complicada a progressão da equipa portuguesa. Portugal nunca conseguiu, assim, afastar-se dos últimos lugares da classificação e terminou a categoria Internacional na 15.ª e penúltima posição.
FMP reconhece que resultado ficou aquém das expectativas
O balanço da própria Comissão de Trial da Federação de Motociclismo de Portugal foi crítico. Para além da diferença entre o nível técnico encontrado em Arteixo e aquele a que os jovens portugueses estão habituados, a Comissão considera que faltou maior capacidade de liderança dentro da equipa.
Manuel Vieira, presidente da Comissão de Trial da FMP, apontou a ausência de um piloto mais experiente tecnicamente, capaz de assumir o papel de referência, mostrar linhas e ajudar os restantes elementos a interpretar os obstáculos mais complexos.
O resultado acaba por evidenciar também um dos principais desafios que o Trial português enfrenta: reduzir a distância entre o nível das competições nacionais e aquilo que os pilotos encontram quando chegam às principais provas internacionais. E é precisamente aí que a Federação pretende concentrar o trabalho de futuro.
Mini Trial é a grande aposta para mudar o futuro
A estratégia passa sobretudo pela formação. Manuel Vieira assume que o principal investimento da modalidade está atualmente direcionado para o Mini Trial, procurando aumentar a base de praticantes e identificar novos talentos desde as categorias mais jovens. “Apenas daí poderão surgir novos talentos que poderão elevar o nome de Portugal neste tão difícil desporto.”
O caminho será necessariamente de médio e longo prazo. Trial é uma modalidade extremamente técnica, onde a experiência acumulada, a leitura das zonas e a exposição regular a obstáculos de elevada dificuldade assumem um peso determinante.

Para Paulo Gonçalves, João Silva e Filipe Sá, a passagem por Arteixo acaba também por representar essa experiência: perceber diretamente qual é o nível exigido numa das maiores competições internacionais de seleções.
Espanha continua absolutamente imbatível
Se Portugal teve um fim de semana complicado, no extremo oposto da classificação pouco mudou. Na categoria principal, World Championship, onde competiram Espanha, Itália, Grã-Bretanha e França, a formação espanhola voltou a conquistar o Trial das Nações.
Foi a impressionante 32.ª vitória de Espanha e a 22.ª consecutiva, prolongando um domínio sem paralelo na competição. Na classe Internacional, onde competiu Portugal, a vitória pertenceu à Noruega. A Grã-Bretanha conquistou o troféu feminino, enquanto a Alemanha venceu o Challenge das Nações.
Portugal regressa da Galiza longe do resultado que pretendia, mas com uma indicação particularmente clara sobre o trabalho que terá pela frente.
Treinar em granito ajudou a preparar Arteixo. O que não foi possível reproduzir foi a dificuldade das zonas. E o 15.º lugar mostra precisamente onde está agora o maior desafio do Trial português: aproximar a próxima geração do nível técnico que encontrará quando sair das fronteiras nacionais.

Fotos: Diogo Leitão
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