No mundo das duas rodas já vimos surgirem ideias que pareciam sucesso garantido, mas que, afinal, se revelaram num desastre. E o World Moto Clash, uma corrida com prémios milionários para os pilotos, parece estar cada vez mais perto de se tornar num desastre para os seus organizadores.
Apresentada como uma corrida sem igual, o World Moto Clash tem como grande motivo de interesse para os participantes o prémio de 1 milhão de dólares (perto de 900.000€). Na verdade, o prémio total em jogo será maior ainda, pois o segundo classificado recebe 500 mil dólares o terceiro vai levar para casa 250 mil. Ao todo, o bolo monetário chega aos 2.860.000 dólares (cerca de 2,5 milhões de euros).
Para os fãs, esta corrida de milhões ganhou maior interesse por causa do regulamento. Ou melhor… a falta dele!
Os organizadores, liderados por Stanford Crane, um empreendedor americano que correu em nas Superbike nos Estados Unidos e que foi também proprietário da equipa Lion Racing Team, decidiram atirar o livro de regulamentos, sejam eles de que tipo forem, para o lixo. O World Moto Clash quer colocar pilotos de moto frente-a-frente em motos de qualquer tipo, com qualquer motorização ou nível de preparação. “O World Moto Clash (WMC) é a mais ousada reinvenção das corridas de motos”, diz o site oficial do evento.

World Moto Clash: do sonho à dureza da realidade
Sonhar não custa e não paga impostos (para já!), como se costuma dizer. E o sonho de Stanford Crane parecia, na teoria, ter tudo para ser um sucesso. Afinal, quem não quer competir pela hipótese de receber tanto dinheiro? E quais são os fãs que não querem ver pilotos a competir com aquilo que aparecem no circuito, sem qualquer tipo de limitação de regulamentos?
Porém, a realidade é bem diferente.
Com a data prevista para o segundo evento do World Moto Clash a aproximar-se rapidamente (18 a 20 de setembro no circuito Mid-Ohio Sports Car Course), Crane revelou agora que o principal investidor, a pessoa que iria garantir os milhões de dólares para pagar aos pilotos, afinal não cumpriu com o prometido. Falhou o prazo para entregar o valor dos prémios.
Stanford Crane está agora, juntamente com a sua equipa, a trabalhar no sentido de encontrar um novo investidor. E, de acordo com as informações da organização, existem dois investidores interessados em entrar nesta corrida milionária, sem regras.
Os novos potenciais investidores parecem estar realmente interessados em garantir os fundos. Falta saber se esse dinheiro chega a tempo de se garantir a realização do World Moto Clash.
Faltam os milhões… e faltam os pilotos!
Se o dinheiro é uma questão fundamental – afinal, os prémios milionários são o grande chamariz –, existem outros problemas que a organização do World Moto Clash ainda tem para resolver em muito pouco tempo. Falamos dos pilotos e respetivas equipas.
Se é verdade que sem dinheiro não há prémios, também é verdade que sem pilotos e equipas não há corridas!
Quando o World Moto Clash foi anunciado, em abril de 2026, prometia os referidos prémios monetários, mas também a presença de uma lista de ilustres pilotos conhecidos mundialmente. Por exemplo, logo de início foi anunciada a presença de Colin Edwards, o Texas Tornado que foi campeão mundial de Superbike e competiu muitos anos em MotoGP. O antigo piloto texano tornou-se no embaixador do evento.
Porém, a lista de inscritos continua vazia. Nem mesmo Colin Edwards garante, para já, a sua participação.
E convencer os pilotos parece ser um outro pesadelo para os organizadores. Isto porque a participação no World Moto Clash não é aberta a qualquer piloto. De acordo com a organização, os pilotos serão convidados individualmente a participarem nesta corrida milionária depois de sinalizarem a sua vontade de participar. E, para já, ninguém aparece na lista de inscritos para a corrida deveria realizar-se dentro de um mês no Ohio.
No World Moto Clash deverão participar um total de 48 pilotos. Mas nem todos chegarão a ter a oportunidade de ganhar o prémio principal de 1 milhão de dólares.
Após uma série de corridas de qualificação e um derradeiro ‘shootout’ para apurar os últimos a qualificar para competir, apenas alinham 30 pilotos para a corrida. Porém, alguns lugares ficarão reservados para pilotos que falharam a qualificação, mas foram escolhidos pelo voto dos fãs nas redes sociais.
E serão praticamente todos americanos e não necessariamente rápidos. Porque, citado pelo site americano roadracingworld.com, Stanford Crane diz que “No passado, os americanos foram para a Europa, porque os grandes prémios eram o grande espetáculo. No meu mundo, o grande espetáculo não é a Europa”, porque Crane acredita que o grande mercado de entretenimento e publicidade está nos Estados Unidos.
Ou seja, as corridas serão apenas uma parte daquilo que será o WMC e por isso os pilotos escolhidos não serão necessariamente os mais rápidos ou talentosos em pista.
Stanford Crane acredita que ainda consegue salvar o World Moto Clash e garantir a sua realização. Mas o tempo está cada vez mais curto…
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