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Yamaha e a conquista da América: a aventura que mudou para sempre a história da marca

Recordamos a história dos primeiros passos da Yamaha nas competições internacionais entre 1958 e 1961, uma aventura que abriu as portas dos mercados mundiais e lançou a marca rumo ao sucesso.

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Vamos fazer uma viagem na história até ao final da década de 1950, uma época em que a Yamaha ainda dava os primeiros passos no universo das duas rodas e procurava afirmar-se num mercado dominado por fabricantes já estabelecidos. Muito antes dos títulos mundiais, das YZR de MotoGP ou das lendárias RD, TZ e YZF, existiu um pequeno grupo de engenheiros, pilotos e visionários que acreditou que as corridas poderiam abrir as portas do mundo à jovem marca japonesa.

Foi precisamente entre 1958 e 1961 que a Yamaha escreveu uma das páginas mais importantes da sua história. Uma aventura que começou nos Estados Unidos e terminou nas míticas estradas da Ilha de Man, lançando as bases de uma cultura desportiva que continua viva mais de seis décadas depois.

O sonho americano começa numa ilha ao largo da Califórnia

Após conquistar importantes vitórias em competições nacionais no Japão, a confiança dentro da Yamaha estava em alta. Ao mesmo tempo, estudos de mercado realizados na América do Norte apontavam um caminho claro: para conquistar os motociclistas americanos, era necessário provar a qualidade das motos em competição.

A estratégia fazia todo o sentido para Genichi Kawakami, presidente da Yamaha e um dos grandes impulsionadores da expansão internacional da marca.

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Fumio Ito no Catalina GP

A decisão foi histórica.

Em maio de 1958, a Yamaha participou pela primeira vez numa corrida fora do Japão, o famoso Catalina Grand Prix, disputado na ilha de Santa Catalina, ao largo de Los Angeles.

Foi a estreia internacional da marca.

Fumio Ito conquista os americanos

A Yamaha levou cinco motos para competir na categoria de 250 cc. Entre elas estava uma versão modificada da YD-1, acompanhada por outras unidades especialmente adaptadas para os exigentes percursos de terra e trilhos irregulares da prova.

Um dos pilotos era japonês. Chamava-se Fumio Ito.

Os restantes quatro eram pilotos norte-americanos recrutados localmente.

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Fumio Ito no Isle of Man TT em 1961

A corrida revelou-se extremamente dura. Dos 32 pilotos que arrancaram, apenas 11 conseguiram terminar.

Depois de partir das últimas posições, Fumio Ito protagonizou uma recuperação memorável até ao sexto lugar final. Mais do que o resultado, foi a forma como pilotou que impressionou o público e a imprensa americana.

A prestação do japonês gerou enorme curiosidade em torno da Yamaha, que poucos dias depois venceu também uma corrida de meia milha em Los Angeles.

A mensagem estava lançada: chegara um novo fabricante vindo do Japão e tinha velocidade para competir com os melhores.

Nasce a primeira equipa de competição

O impacto destas experiências internacionais convenceu definitivamente a Yamaha de que o futuro passava pela competição.

Em agosto de 1959, a marca criou no laboratório de investigação de Hamamatsu o seu primeiro núcleo especializado no desenvolvimento de motos de corrida.

Embora não fosse ainda uma estrutura oficial como as equipas modernas, foi o primeiro verdadeiro departamento de competição da Yamaha.

Engenheiros especializados em motores, chassis, desenvolvimento de desempenho e testes de estrada passaram a trabalhar exclusivamente com um objetivo: construir motos capazes de vencer Grandes Prémios.

Sem o saberem, estavam a criar os alicerces de uma das maiores estruturas de competição da história do motociclismo.

O sonho do Mundial torna-se realidade

Dois anos depois chegou o momento decisivo.

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Em 1961, a Yamaha estreou-se oficialmente no Campeonato do Mundo de Velocidade.

A estreia aconteceu no Grande Prémio de França, onde Taneharu Noguchi alcançou o oitavo lugar na categoria de 125 cc.

Pouco depois surgiu outro momento histórico.

Na primeira participação da Yamaha no lendário Isle of Man TT, Fumio Ito terminou na sexta posição da categoria de 250 cc.

Os resultados podem parecer modestos à luz dos padrões atuais, mas para uma marca que apenas alguns anos antes dava os primeiros passos no motociclismo foram verdadeiramente extraordinários.

O início de uma lenda

Hoje, quando pensamos na Yamaha, pensamos imediatamente em nomes como Giacomo Agostini, Kenny Roberts, Wayne Rainey, Valentino Rossi, Jorge Lorenzo, Fabio Quartararo ou até Miguel Oliveira.

Pensamos em títulos mundiais, em motos lendárias e numa das histórias mais bem-sucedidas da competição.

Mas tudo começou aqui.

Numa pequena equipa japonesa que atravessou o Pacífico para correr numa ilha ao largo da Califórnia. Num piloto chamado Fumio Ito que impressionou os americanos. E num grupo de engenheiros que acreditou que a melhor forma de conquistar o mundo era acelerar mais depressa do que os outros.

Entre 1958 e 1961, a Yamaha deu os seus primeiros passos internacionais. O resto tornou-se história. Uma história escrita a alta velocidade e que continua a ser construída todos os fins de semana nos circuitos de todo o mundo.

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