O nome Ténéré no léxico da Yamaha já tem mais de 40 anos, são muitos modelos desde as primeiras XT600Z em 1983, em diversas cilindradas e configurações de motor. Talvez por isso por vezes parece que as 700 já andam por aí há muito tempo, quando na verdade foram lançadas apenas em 2019. São seis anos de mercado para as T7, mas de enorme impacto no segmento e já com mais de 70.000 unidades vendidas, só no mercado europeu até final do ano passado, que representam cerca de 23% de quota de mercado.
É fácil de perceber a fórmula de sucesso da Yamaha com este modelo (ou família de modelos, já que os números apresentados são para todas as versões da T7), uma moto simples, acessível e apelativa a um largo número de utilizadores. Simples porque dispensou excessos de eletrónica, alta cavalagem e muitos dos gadgets que as trails maiores têm em abundância.
Acessível porque não é grande ou pesada em demasia, é fácil de utilizar e é de fácil manutenção. Apelativa porque está no segmento com mais procura dos últimos anos, tem capacidades estradistas e de off-road, é divertida e dinâmica, tem um ar de moto de rally raid e tem um nível de preço acessível.
Mas, como em tudo, a necessidade de mudança e a pressão da concorrência “obrigam” à evolução e a Ténéré está muito renovada para 2025. As alterações incidiram sobre quatro áreas principais, atualização estética, melhoria das capacidades e da resistência em fora de estrada, cumprimento da norma Euro5+ e modernização de componentes e também uma redefinição dos modelos da gama T7 e as suas designações.

Novo desenho
À primeira vista até podemos ter a sensação que estamos na presença da mesma moto, mas rapidamente o olhar consegue descortinar as novas formas das carenagens e da torre que dão à T7 2025 um perfil mais agressivo e mais moderno, mesmo mantendo a sua silhueta tradicional que tantos clientes cativou.
Temos assim novo design na zona central da moto que visa otimizar a ergonomia na condução em fora de estrada, melhorando as formas e superfícies para que o condutor se movimente mais facilmente entre as posições de em pé e sentado. O novo depósito de combustível é parte importante desta alteração, passando a estar montado mais à frente, plano no topo e com uma melhor distribuição de pesos.
O farol também foi alvo de intervenção e passa a ter uma forma interior em “Y” no meio das quatro luzes de formato quadrado, que viram a sua performance luminosa melhorada.
Mais dura
Para melhorar o desempenho em fora de estrada a Yamaha tornou a T7 mais “dura”. Dura no sentido de ser mais capaz para lidar com as dificuldades da condução em off-road. Assim a suspensão da frente foi melhorada com regulação da pré-carga e otimização de todos os componentes internos, por forma a prevenir o afundamento excessivo e melhorar a absorção das irregularidades.
A suspensão traseira foi alvo de um trabalho ainda maior, inspirado e adaptado daquilo que a marca usou nos seus modelos de competição guiados por Tarrés e Botturi, com um novo amortecedor e também uma nova biela de ligação para melhorar o controlo da traseira, as sensações e evitar o esgotar do curso da suspensão, que se manteve o mesmo nos 200mm. O banco também foi mudado e passa a ser uma única peça, 7mm mais baixo na frente e traseira, mas mais puxado para cima no depósito, o que permite melhor movimentação do condutor e menos fricção com as costuras das calças.
A altura ao solo mantém-se nos 875mm. Destaque também para os novos poisa-pés mais largos e com apoios de borracha removíveis que ao permitirem uma maior superfície de contacto com a bota, aumentam o conforto e controlo. A assinalar também melhorias na embraiagem, cuja zona de atuação foi puxada 35% para a frente libertando espaço para as botas/pernas do condutor e também para a caixa de velocidades, onde algumas mudanças internas visaram melhorar suavidade de atuação deste elemento tão importante no comportamento da moto.
Por último neste capítulo, e baseado na opinião e informação de clientes, a Yamaha reviu o suporte do escape, a zona de montagem traseira de carga, melhorou as mesas de direção, reforçou a torre de navegação para reduzir vibrações e melhorar a sua resistência e reposicionou o descanso lateral 15mm para cima, tendo-lhe adicionado um protetor para evitar danos no sensor. Ainda não foi desta que a Yamaha alterou o subquadro traseiro para uma unidade aparafusada em vez de soldada, o que pode gerar mais facilmente empenos na utilização fora de estrada.

Chegou a eletrónica
Com a entrada em vigor da norma Euro5+, a Yamaha viu-se “obrigada” à utilização do YCC-T, a sua versão do acelerador eletrónico, para garantir o cumprimento da mesma. Esta novidade trás consigo uma “perversão” da filosofia original do modelo, que claramente afirmava com orgulho a simplicidade do mesmo ao não adotar qualquer eletrónica deste género.
No entanto, esta é talvez a maior atualização da moto, já que passa a dispor de dois modos de motor – Sport e Explore. Complementarmente o Controlo de Tração é desligável, tal como o ABS que pode estar ligado, desligado na traseira ou completamente desligado, tendo um botão de uso rápido no lado esquerdo do painel da moto. O joystick no comutador esquerdo foi redesenhado e tornou-se mais intuitivo na sua utilização.
O painel TFT a cores de 6,3”, tem dois modos de visualização da informação, Street e Explorer e tem conectividade com a App MyRide da Yamaha, espelhando a navegação ponto por ponto, chamadas, música, email e previsão meteorológica. A adoção do YCC-T permitiu manter a mesma potência nos 73,4 cv e fazer algumas importantes melhorias no tato do acelerador e também no binário, que foi revisto para facilitar as acelerações a baixas rotações, muito útil em fora de estrada.
Quantas são?
Por agora a Yamaha simplifica a gama T7 e disponibiliza a versão Essential em azul ou cinzento e a versão Rally, na muito bonita decoração única Sky Blue, que evoca cores históricas da Yamaha e das Ténéré. Ambas estão disponíveis em versão de 35 Kw para carta A2 e a Essential também pode ser comprada com a altura rebaixada.
Deserto com ela
Confesso que depois de conhecer os detalhes da nova T7, tinha muita curiosidade de perceber as diferenças para a versão anterior e entender se as alterações introduzidas pela Yamaha iriam resultar. Tivemos um belo percurso, escolhido propositadamente pelos homens da Ténéré Experience, com uma componente de 50% de asfalto e 50% de terra pelas regiões do Baixo Atlas e do Deserto de Agafay em Marrocos. Foi a escolha ideal para uma moto tão polivalente, onde pudemos experimentar diversos tipos de piso, de estradas e até cruzar algumas vilas pelo caminho.
A primeira impressão é de familiaridade, estamos aos comandos de uma T7, mas claramente diferente. Quase tudo o que os nossos olhos podem ver à frente quando nos sentamos nela é novo ou renovado e sente-se um encaixe diferente no banco/depósito e os pés a assentarem numa superfície maior, dando-lhes mais apoio e conforto. Ainda assim continua a ser uma Ténéré, onde a sensação de facilidade e descomplicação ainda vive.
A moto continua a ser uma maravilha de se levar em estrada, com o motor CP2 a manter-se como referencial na suavidade e na subida de rotação fácil e vigorosa. Há uma sensação de controlo permanente no punho direito e o YCC-T não veio prejudicar a aceleração ou a saída de baixas, a nova sensação é muito positiva e ajuda em fora de estrada onde a moto é quase impossível de se calar se trabalharmos bem a caixa de velocidades. Não são muitos cavalos, mas esse é o “truque”, tudo muito mais descomplicado nas acelerações e um misto de suavidade com muita energia para levantar a frente.
A principal mudança efetuada, a dos modos de condução, mesmo indo contra o marketing anterior da marca, acaba por ser bem-vinda. Não são 12 modos, com mais 57 outros parâmetros ajustáveis, são apenas dois modos, que alteram o carácter do motor a um eventual gosto do condutor, apesar de achar que 90% das motos estarão 90% do tempo no modo Sport que é mais animado.

O modo Explore é uma espécie de modo zen, talvez mais utilizável como modo de chuva ou para aqueles momentos em que estamos apenas a ver a paisagem e não queremos ser incomodados por rotações rápidas do motor. Ainda assim, reforço que a inclusão destes modos é positiva, pois dá alternativas a todos os utilizadores de acordo com a sua vontade, experiência e condições.
Uma das características mais criticadas pelos utilizadores das T7 sempre foram as suspensões, que para manter o preço do modelo o mais baixo possível, eram unidades bastante básicas. A Yamaha ouviu as queixas e fez uma aposta em melhores componentes que fazem desta T7 2025 uma moto melhor e mais fácil de conduzir, com umas suspensões bastante melhoradas a todos os níveis e ajustes na distribuição de pesos que ajudam a essa sensação de facilidade.
A Ténéré está melhor em todos os capítulos, está mais fácil e intuitiva de conduzir em off-road, continua divertida de conduzir em estrada, sempre muito ágil e com uma proteção aerodinâmica e conforto a bordo que cumprem em toadas turísticas, o consumo de combustível está em níveis interessantes e até já está mais conectável para aqueles que não vivem sem a informação do seu smartphone.
Tudo somado, esta seria a escolha de moto do segmento médio pra muita gente, mas alto! A Yamaha tem mais uma Ténéré e depois de andar nela, é difícil esquecer as capacidades acrescidas da Rally…

Ténéré Rally
O primeiro impacto da Rally é a sua decoração! Ainda nem reparámos nas suspensões Kayaba douradas, no guarda lamas alto na frente ou na proteção de cárter em alumínio de maiores dimensões e já o Sky Blue com o tradicional “chain-block” da Yamaha em preto, que se estreou em 1983 na Ténéré XT600Z, nos faz desejá-la! A decoração é muito bonita e evocativa da história do modelo e resulta muito bem com as formas da T7 Rally.
A moto também é mais alta, mais encorpada e isso dá-lhe uma pose diferente. No geral a Rally é a mesma moto que a Essential, com as seguintes alterações: suspensão dianteira Kayaba (baseada na da anterior versão Extreme) com mais 20mm de curso num total de 230mm e revestimento Kashima para melhorar a fricção interna; suspensão traseira Kayaba, também com mais 20mm de curso, num total de 220mm, totalmente ajustável; banco rally com mais 20mm de espessura (mais 35mm de altura que a outra versão num total de 910mm), mais horizontal, mais confortável e feito em dois materiais.
Poisa-pés rally em titânio, mais leves e resistentes e com espigões maiores para melhor contacto com as botas de off-road; proteção de cárter em alumínio de 4mm de maiores dimensões e envolvência; um modo de ecrã rally, que está pensado para viagens de off-road com dois contadores parciais de km independentes.
Para nos mostrar as capacidades desta Rally, a Yamaha deu-nos tracks incríveis no Deserto de Agafay, com muitas variações de quotas e desafios constantes no percurso, como wadis e pequenos troços de areia, num total de 90% em fora de estrada do teste. A Rally está noutro patamar de condução, as suspensões são muito mais eficientes e fazem uma leitura muito boa do terreno e ajudam a manter-nos fora de problemas. O ritmo subiu muito, tudo se consegue fazer muito mais rápida e eficientemente com a Rally, com uma confiança muito maior.

Aqui deixo uma ressalva, todas as T7 virão equipadas de série com os Pirelli Scorpion Rally STR, mas no nosso teste as Essential montavam estes pneus, enquanto que as Rally tinham os mais cardados Michelin Anakee Wild, que também ajudavam a uma maior confiança nos percursos fora de estrada.
Mas as diferenças vão muito além dos pneus, a posição de condução permite estar mais ao ataque, a forma como a suspensão traseira ajuda à tração, conjuntamente com as alterações ao motor e ao acelerador, fazem com que se sintam os tacos do pneu em contacto com o solo e tudo é muito controlável e eficaz.
Se juntarmos a isto a frente bem plantada, com um feedback permanente de onde está, temos uma moto para andamentos mais rápidos e muito mais divertidos. Até na estrada gostei mais da Rally e com uma diferença no preço final de apenas 1.350€ torna-se muito tentadora a escolha pelo modelo melhor equipado, que parece, pelos componentes utilizados, justificar essa diferença.
Mas independentemente de qual das Ténérés for a escolhida, a Yamaha cimenta as bases para que a T7 continue o seu caminho de sucesso. A moto é sem dúvida um excelente exemplo de um produto que apela a um público muito diversificado e generalista, agora talvez ainda a mais motociclistas.
Texto: Hugo Ramos
Fotos : Yamaha Motor Europe
Neste teste utilizámos os seguintes equipamentos de proteção:
Capacete – Nolan Touratech + Óculos Oakley Airbrake
Fato – Klim Dakar
Luvas – Yamaha
Botas – REV’IT!

Ficha Técnica: Yamaha Ténéré 700 / (700 Rally)
Preço: 11.150€ / (12.500€)
Motor: Dois cilindros em linha a 4T, refrigeração líquida
Distribuição: DOHC
Diâmetro x Curso: 80mm x 68,6mm
Cilindrada: 689 cc
Potência máxima: 73,4 cv / 9.000 rpm
Binário máximo: 68 Nm / 6.500 rpm
Alimentação: Injecção electrónica (PGM-FI)
Embraiagem: Multidisco em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Final: Corrente
Quadro: Duplo berço tubular em aço
Suspensão dianteira: Forquilha invertida de 43 mm 210 mm de curso / (Forquilha invertida KYB de 43 mm com 230mm de curso, totalmente ajustável)
Suspensão traseira: Mono amortecedor com 200 mm de curso / (KYB com 220mm de curso, totalmente ajustável)
Travão traseiro: 1 disco de 245 mm com pinça de 1 pistão
Travão dianteiro: 2 discos flutuantes de 282 mm com pinças de 4 pistões
Pneu dianteiro: 90/90ZR21
Pneu traseiro: 150/70ZR18
Altura do assento: 875 mm / (910 mm)
Distância entre eixos: 1.595 mm
Capacidade do depósito: 16 litros
Peso a cheio: 208 kg
Garantia: 3 anos
Importador: Yamaha Motor Portugal
Galeria de Fotos Yamaha Ténéré 700 e 700 Rally
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