Há fabricantes que demoram décadas a construir um programa desportivo internacional. E depois há a ZXMoto. Criada apenas em 2024 por Zhang Xue, o antigo cofundador da Kove, a jovem marca chinesa está a acelerar a sua expansão na competição e prepara agora aquele que poderá ser o seu desafio mais ambicioso: participar no Rally Dakar.
A ZXMoto prepara a entrada no mais famoso rally-raid do planeta com um nome que dispensa apresentações entre os seguidores da especialidade: Tobias Ebster.
O piloto austríaco ficará associado ao projeto através da Joyride Race Service, estrutura com experiência no rally-raid, colocando desde logo uma fasquia elevada para aquela que será a aventura da ZXMoto no deserto. E há aqui uma história particularmente interessante.
De Kove para ZXMoto… e novamente rumo ao Dakar
Para compreender a importância deste anúncio é preciso olhar para o homem que está por detrás da ZXMoto.

Zhang Xue foi um dos fundadores da Kove, fabricante chinês que ganhou enorme projeção internacional precisamente através da sua participação no Dakar. Depois de deixar a empresa, Zhang criou a ZXMoto em 2024 e começou praticamente de imediato a desenvolver uma estratégia baseada numa filosofia que conhece bem: usar a competição internacional como laboratório tecnológico e, simultaneamente, como montra global para a marca.
A própria ZXMoto assume oficialmente uma filosofia centrada na procura de performance extrema, tecnologia e desenvolvimento de motos de elevado desempenho. Agora, Zhang Xue regressa ao terreno onde uma parte importante da reputação da sua anterior marca foi construída. Só que, desta vez, o nome escrito na moto será ZXMoto.
Tobias Ebster dá credibilidade imediata ao projeto
A escolha de Tobias Ebster mostra também que a ZXMoto não pretende simplesmente aparecer no Dakar para colocar uma bandeira à chegada. O austríaco já demonstrou velocidade, capacidade de navegação e consistência no rally-raid, sendo considerado um dos pilotos da nova geração com potencial para lutar por posições de destaque.
Associar Ebster ao projeto permite à ZXMoto contar desde o início com um piloto capaz não apenas de desenvolver a moto, mas também de perceber rapidamente onde esta se posiciona face às máquinas mais competitivas da categoria.
A colaboração com a Joyride Race Service acrescenta outro elemento importante: uma estrutura especializada capaz de fornecer o apoio técnico e logístico indispensável numa competição tão exigente como o Dakar.

Depois do asfalto, chega o deserto
O mais curioso é perceber a velocidade a que a ZXMoto está a diversificar a sua presença na competição. Em 2026, a marca entrou no Mundial de Supersport, associada à Evan Bros Racing, utilizando a 820RR. E os resultados não demoraram.
Valentin Debise conseguiu uma histórica dobradinha em Portimão logo no início da temporada, tornando a ZXMoto no primeiro fabricante chinês a vencer no Mundial de Supersport. A marca continuou depois a somar resultados, mostrando que a aposta não se limitava a uma operação de marketing.
Agora muda completamente de terreno. Do asfalto dos circuitos para milhares de quilómetros de areia, pedras, dunas e navegação. É uma diferença brutal, mas também ajuda a perceber a dimensão das ambições da ZXMoto.
Uma nova moto de rally em preparação
A entrada no Dakar implica naturalmente o desenvolvimento de uma moto específica de rally-raid, e será precisamente este um dos pontos mais interessantes a acompanhar à medida que o projeto evoluir.
Uma máquina capaz de enfrentar o Dakar precisa de conciliar velocidade com resistência mecânica, autonomia, estabilidade a alta velocidade, capacidade para enfrentar dunas e terreno extremamente degradado e, sobretudo, facilidade de intervenção mecânica.

Neste momento, porém, importa separar aquilo que está confirmado das inevitáveis especulações: as características técnicas definitivas da futura ZXMoto de rally ainda não foram detalhadas, pelo que potência, cilindrada, peso ou configuração final deverão ser conhecidos mais tarde. E talvez seja precisamente aí que reside uma das maiores curiosidades deste projeto.
Os fabricantes chineses já não querem apenas vender motos
A entrada da ZXMoto no Dakar é também mais um sinal da transformação acelerada da indústria chinesa de motociclos.
Durante muitos anos, os fabricantes chineses concentraram a sua estratégia sobretudo em motos de baixa e média cilindrada, competindo essencialmente através do preço. Essa realidade está rapidamente a desaparecer.

Marcas como a ZXMoto procuram agora demonstrar capacidade tecnológica através das formas mais exigentes possíveis: competição internacional, superbikes, motocross e rally-raid.
A estratégia de Zhang Xue é particularmente clara nesse aspeto. A ZXMoto nasceu apenas em 2024 e, em 2026, já compete no Mundial de Supersport, onde conseguiu vitórias frente a fabricantes históricos. Paralelamente, está a desenvolver a sua presença no fora de estrada. O Dakar será o próximo grande teste.
ZXMoto quer escrever uma nova história chinesa no Dakar
Será prematuro colocar a ZXMoto entre as candidatas à vitória absoluta. O Dakar continua a ser uma das competições mais difíceis do mundo e fabricantes como KTM, Honda, Hero e Sherco acumulam anos de desenvolvimento específico no rally-raid.
Mas a combinação de Zhang Xue, Tobias Ebster e Joyride Race Service torna este projeto particularmente interessante. Sobretudo porque já percebemos uma coisa sobre a ZXMoto: a marca chinesa parece ter pouca vontade de fazer as coisas devagar.
Depois de surpreender o paddock do Mundial de Supersport, prepara-se agora para enfrentar o maior palco mundial do rally-raid. O próximo capítulo da meteórica ascensão da ZXMoto vai escrever-se no deserto.

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