Uma naked moderna, elegante, tão dócil quanto agressiva, muito fácil de conduzir e muito agradável de descobrir. Os objectivos da nova Z 650 são claros e de imediato se evidenciam numa evolução lógica e bem vinda da anterior ER-6n. E isso é fácil de entender…

Texto: Rui Marcelo_Fotos: Rui Santos Jorge MOTOJORNAL_1400

Na maioria dos casos, o nome Kawasaki está associado a grandes cilindradas e motos puramente desportivas. Sem dúvida que assim o é desde há várias gerações, mas já na primeira década de 2000 a marca nipónica demonstrou que também sabia fazer mais do apenas super-desportivas, antes motos para todos e ao alcance de todos. Um desses exemplos, no escalão intermédio, foi a ER-6n, uma naked de média cilindrada que foi capaz de conquistar um mercado bem específico, muito popular nalgumas paragens europeias e razoavelmente interessante em Portugal mas onde o modelo nipónico não conseguiu criar raizes face à concorrência. Isso aconteceu até 2013 quando por essa altura se vendiam apenas 11 unidades da ER-6n entre nós. A entrada em cena da Multimoto como importador nacional precisamente nesse ano, e a sua aturada estratégia comercial, levou a 6n até um pouco acima das 100 unidades vendidas no ano passado, aí sim um número já considerável para a nossa dimensão. Mas a naked que surgira em 2005 e que por todo o globo vendeu mais de 120 mil unidades, mostrou que ao fim de 11 anos precisava de melhorar muitos dos seus atributos, até porque a concorrência também o fez. 

O que mudou

Sem mexer muito no todo, incrementaram-se as partes, retocou-se o necessário para actualizar a naked que passa a chamar-se Z650 e assim dar seguimento à já quase lendária sigla que acompanha as “despidas” mais desportivas da marca há mais de 40 anos. Do mesmo modo, a nova Z vem completar os escalões desta série que começam na universal Z300 e terminam na poderosa Z1000R, todas incutidas de um estilo próprio – agressivo e predador para a marca – e uma filosofia assente nos pergaminhos desportivos dos seus líderes. 

Contudo, e porque o mercado assim o exige, a Z650 surge focada em abranger um mais vasto leque de potenciais utilizadores que se identificam com estes atributos, mas não têm experiência nas duas rodas, apenas o sonho. Ou os que vêm das 125 e passam, mesmo que por pouco tempo, pelas actuais 250 e 300, procurando chegar depressa a uma média cilindrada. Ou até as mulheres que tanto adoram este tipo de moto básica. Ou até os mais experientes que bem a podem utilizar e desfrutar em pleno. É também para eles que ela existe.

Fica bem claro através dos argumentos técnicos, que a tal base da 6n se manteve mas há coisas incontornáveis. O peso do conjunto é disso exemplo através do emagrecimento que o quadro foi alvo, perdendo mais de 10 kg, mantendo contudo a estrutura tipo dupla trave em treliça e em que o motor faz parte da rígídez da moto. O braço oscilante, de novo com formato assimétrico, foi outro dos elementos alterados, sendo agora em aço prensado e mais leve 2,7 kg e no nosso entender bem mais bonito. Na suspensão traseira, o amortecedor directo de antes deu origem a um sistema com biela, chamado Back-Link, permitindo melhor centralizar as massas e sobretudo ter uma resposta mais eficaz em condução desportiva. No restante quadro ciclístico tudo manteve a linha anterior, ao nível da suspensão dianteira, jantes, rodas e até travões, se bem que agora, por motivos legais, a Z surja apenas disponível com sistema de travagem anti-bloqueio ABS. O conjunto é estreito, mesmo junto às pernas e joelhos, permitindo um perfeito encaixe e não limitando nada os condutores de maior estatura. O assento foi retocado ao nível do segundo passageiro, junto com a secção de plásticos nesta zona, mais “afiados” e agressivos, juntando ainda o pormenor do farolim traseiro ter os led’s dispostos em “Z”. Muito original!

Na frente a óptica rasgada foi também retocada mas manteve a filosofia de antes, contando com total iluminação por led’s e juntando agora um painel digital com novo grafismo. 

No motor a estrutura do dois cilindros em linha manteve-se mas a gestão é diferente, na busca de mais resposta nos médios regimes (sobretudo) e redução dos consumos. Por outro lado, é notório que houve alguns elementos internos alterados no sentido de suavizar ainda mais o seu funcionamento, anulando as vibrações, mas sem que se lhe retirasse muito aquele particular “bater emotivo” destas unidades na subida de regime. A grande novidade é a adopção de uma embraiagem deslizante e assistida, que permite corrigir possíveis erros na utilização da caixa, garantindo por outro lado uma maior eficácia na mesma, até mesmo se o condutor dela exigir mais em condução desportiva. O escape inferior é muito semelhante ao anterior até porque essa versão já cumpria a norma de poluição Euro 4. Assim, o dois cilindros da própria Kawasaki mantém todo o figurino original e o propósito de enaixar bem nesta naked comprovando que consegue ser motor para figurar neste estilo de moto mas também na custom da marca, a Vulcan, na desportiva, a Ninja ou na trail, a Versys.

Na estrada confirma-se

Mais de 200 km de estrada permitiram avaliar de imediato os ganhos que se conseguiram, mas a grande diferença na Z650 surge bem perceptível ao fim de poucos metros, pouco depois de nos sentarmos na moto: o peso, o menor peso desta em relação à anterior ER-6n e um dos mais baixos seguramente da sua cilindrada. Uma redução e beneficio que de facto influência  a forma como daqui em diante se entende a Z650 no que a facilidade de condução diga respeito e logo em todas as situações, em todos os sentidos. Controlar a moto é muito fácil e nada cansativo até porque qualquer condutor, mesmo os mais baixos, conseguem chegar com ambos os pés ao solo, resultado do assento que está a uma distância reduzida ao chão mas também da sua própria forma, estreito sem exagero, na parte principal. Em estrada, mesmo após alguns quilómetros, não nos retira conforto, mantendo desde o primeiro momento a enorme facilidade para nos encaixarmos na moto e beneficiarmos de uma triangulação practicamente perfeita entre assento, pousa-pés e guiador. 

O depósito de combustível e o facto de ter a zona junto à barriga do condutor algo “metida a dentro” (o normal é o contrário, ser redondo) acaba por nos permitir encaixar ainda mais na moto quando procuramos velocidade, até porque o guiador também não é muito largo (obriga a abrir muito pouco os braços), coisa que rondará por momentos os 200 km/h. Contudo, sem qualquer protecção frontal, desde logo fica bem expresso que esse não é o seu objectivo, aceitando-se bem rodarmos a velocidades entre os 120/140 km/h mas com mais esforço fisíco acima disso. Esta não é uma moto para viajar, mesmo que para ela optemos por montar as malas e saco de depósito do “kit touring”.  Viagens só de curta distância e por gozo, para desfrutar daquelas curvas que estão acolá na serra…

Antes disso pudemos apreciar que na Z é tudo imediato. Bons comandos, excelente painel com fácil leitura e muita informação, uma embraiagem que mesmo por cabo é sempre macia e uma caixa de velocidades que impressiona pela suavidade e precisão – e a moto ainda estava em rodagem! Essa mesma caixa e as suas relações, permitem desde logo disfrutar de muita facilidade na condução citadina onde é simples circular mesmo com uma relação mais alta, usufruindo da outra vantagem que o motor apresenta: quase não bate em baixos regimes.

Nem sempre os dois cilindros em linha o conseguem, mas este sim. Não bate em “baixas” e mesmo a recuperar rotação numa mudança mais alta (quinta, por exemplo) desde baixo regime (próximo das 3000 rpm), o motor consegue “saír” sem queixume e pouco ou nenhum nosso desconforto. Brilhante.

Depois quase nem se ficará a notar que em relação à ER-6n a potência máxima foi ligeiramente reduzida porque na verdade pode ter menos um par de cavalos em alta, mas tem sempre uma resposta mais cheia no baixo e médio regime (o que faz sentido neste tipo de moto) e beneficia em muito da redução de peso. A Z650 é por isso ágil e muito divertida na cidade e acreditamos que mesmo um recém encartado apenas precisará de alguns (poucos) dias para lhe tomar o jeito e a conduzir em pleno. 

Sempre equilibrio

As suspensões são equilibradas, como convém e se espera, mas na verdade nota-se que atrás o sistema melhorou ao ganhar a biela de desmultiplicação, o tal Black-Link, sobretudo nas estradas com ressaltos contínuos onde se nota bem mais aderência, segurança e conforto do condutor, dada a redução das pancadas secas. A própria frente fica melhor com o menor peso da moto, a por isso ajuda todo o conjunto a permitir curvar de forma linear, corrigindo bem trajectárias, ou respondendo com eficácia à potente mas muito controlável capacidade de travagem dos discos Nissin dianteiros. Ambos os conjuntos de travagem são mesmo do melhor neste segmento, pela progressividade e controle que transmitem, mas também potência o que aliado ao menor peso, conflui numa total vantagem para o condutor. Quanto ao ABS não o sentimos.

Nas estradas do Caramulo, rumo à vila beirã, as Z650 que rodaram em conjunto, mostraram todas elas que é possível circularmos com prazer e segurança, assente na boa aderência dos Dunlop de origem montados e sobretudo na resposta do motor, que revela muita energia e suavidade sobretudo nos médios regimes, jogando muito bem com a caixa de velocidades para completar uma naked simples mas que é capaz de surpreender, e isto sem recorrer a unidades de quatro cilindros como acontecia antes, mais pesadas e mais exigentes no trato. 

Por todo o contacto, o consumo visível no painel manteve-se numa média de 4,5 litros o que é muito agradável para este tipo de moto e a sua funcionalidade, sabendo-se que facilmente faz recuperações para uma ultrapassagem mais “à queima” e do mesmo modo nos leva por estrada em ritmo vivo uma boa média, sem que isso obrigue a gastar mais. 

Atenção contudo ao indicador de combustível que se mantém “cheio” por muito tempo e não é linear a apagar as traços do nível de combustível. 

A Multimoto disponibiliza já a Z650 em duas versões, a “Base” e a “Performance”, com esta a oferecer logo de origem um pequeno ecrã frontal deflector, cobertura do assento traseiro (baquet), escape Akrapovic e cogumelos de protecção laterais. Custa 8390 euros, mais 1400 que a “Base” mas sai mais barata que comprando os acessórios à parte. Já a Z650 Touring poderá surgir em breve no mercado, com malas laterais semi-rígidas, protecção de radiador e bolsa de depósito.

Assim, com a nova Z650 a marca nipónica completa a gama de modelos naked que bons resultados lhe tem garantido, ficando completa e progressiva na escolha entre a inicial Z300, passando por esta e antes de chegar à Z800, Z900 e Z1000, o topo do entendimento desportivo despido para a marca de Akashi. Bem vinda Z650!!!

CAIXA

Com a Multimoto

A subir, com substância

Desde que assumiram os comandos da Kawasaki em Portugal, os homens da conceituada Multimoto têm mantido a flecha do crescimento da marca e quota de mercado sempre no sentido ascendente, por vezes a pique. O compromisso que começou apenas em 2013, teve acima de tudo dois objectivos bem definidos e perseguidos: recuperar a imagem e credibilidade da marca junto dos clientes nacionais e devolver a confiança aos concessionários e ao público em geral.

A melhor resposta do motor e o menor peso tornam a condução maius fácil e agradável, sempre, quer na estrada quer cidade.

Ao mesmo tempo transmitir aos próprios Janponeses que as coisas iriam mudar, para melhor. E assim foi. Dos 2% de quota de mercado em 2012, passaram para 9,3% em 2016, fruto de um crescimento sustentado desde 2014 e que só não cresceu mais porque houve ruptura de stock de alguns modelos. Uma estratégia que os homens da Multimoto já seguira (com sucesso) noutras das suas represetadas e que na Kawasaki está a dar frutos. E o mais certo é que querem continuar a colher num mercado que pode crescer e onde a Kawasaki ainda tem muito para dar.

Apresentação nacional

Uma iniciativa do melhor

Não é a primeira apresentação em solo e à imprensa nacional, a um modelo lançado mundialmente, que acontece entre nós. Mas foi sem dúvida uma apresentação diferente, de grande qualidade, pensada ao pormenor e que só por isso mostra bem a vontade e dinâmica da Multimoto em fazer vingar a Kawasaki em Portugal. Muito ao que normalmente assistimos nas apresentações lá fora, foi replicado nesta, e mais do que ficar apenas em bons hotéis, tivémos sobretudo motos à disposição para mais de 200 km de estrada, informação, dinâmica e interactividade. Como mandam as regras para se trabalhar bem. Parabéns!

Alterou-se a estética e eis o resultado: agressividade de linhas, equilibrio funcional. Uma naked moderna para todos.

 

KAWASAKI Z650_ 6 990

MOTOR

TIPO: Dois cilindros em linha, 4T, refrigerado por líquido 

DISTRIBUIÇÃO: Duas árvore de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro  

DIÂMETRO X CURSO: 83 x 60 mm 

CILINDRADA: 649 cc 

TAXA DE COMPRESSÃO: 10.8: 1 

POTÊNCIA MÁXIMA: 68 cv/8000 rpm 

BINÁRIO MÁXIMO:  65,7 Nm/6500 rpm 

ALIMENTAÇÃO: Injecção electrónica 

IGNIÇÃO: Electrónica 

ARRANQUE: Eléctrico 

TRANSMISSÃO PRIMÁRIA: Por engrenagens 

EMBRAIAGEM: Multidisco em banho de óleo 

CAIXA: 6 velocidades 

FINAL: Por corrente  

QUADRO: Em aço tipo treliça

SUSPENSÃO DIANTEIRA: Forquilha telescópica, convencional, Ø41 mm, curso n.d. 

SUSPENSÃO TRASEIRA: Mono-amoretecedor de acção progressiva Black-Link, curso n.d.

TRAVÃO DIANTEIRO: 2 discos de Ø300 mm, pinças de dois êmbolos, ABS 

TRAVÃO TRASEIRO: Disco Ø 228 mm, pinça de um êmbolo, ABS 

PNEU DIANTEIRO: 120/70 – 17’’ 

PNEU TRASEIRO: 160/60 x 17” 

COMPRIMENTO MÁXIMO: 2055 mm

LARGURA MÁXIMA: 775 mm

ALTURA MÁXIMA: 1080 mm

ALTURA DO ASSENTO: 790 mm 

DISTÂNCIA ENTRE EIXOS: 1410 mm 

TRAIL: n.d. 

ÂNGULO DA COLUNA DE DIRECÇÃO: n.d.

CAPACIDADE DO DEPÓSITO: 15 litros

PESO (em marcha): 187 kg 

CORES: Cinzento, branco, preto

GARANTIA: 2 anos 

IMPORTADOR: Multimoto SA

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