Texto Marcos Leal • Fotos Motojornal
Muito mais que urbanas
A mobilidade urbana é cada vez mais uma preocupação de quem gere o urbanismo das grandes cidades e muitas têm sido as soluções que se têm encontrado. Quem procura veículo próprio para este efeito tem encontrado nas scooter de 125 cc uma opção válida, económica, acessível e muito prática. Mas estes modelos acabam por revelar ter “a perna curta” depois de se ganhar alguma experiência com a sua condução, começando a aparecer uma vontade de ter mais qualquer coisa à disposição do punho direito.
Por outro lado começamos a querer aventurar-nos com conforto para lá do centro das cidades e nesse campo as 125 cc são limitadas se a distância for maior. O passo seguinte para quem quer maior liberdade no seu raio de acção, mas tem nas suas deslocações citadinas diárias a principal razão para ter uma moto, é subir na cilindrada dentro do mundo das scooter.
Neste comparativo que junta cinco modelos que rondam os 300 cc, dos 276 aos 350 cc, procuramos mostrar diferentes soluções, dentro de uma larga amplitude de preços. BMW C400X, Honda Forza 300, Kymco Grand Dink 300 ABS, Sym Joymax Z300 e Yamaha Xmax 300, têm em comum todas as características que tornam este tipo de motos tão apetecíveis para um uso diário. É o lado prático que mais se destaca em todas elas.
Debaixo de cada assento existem grandes espaços de arrumação que permitem levar a maior parte dos objectos que necessitamos no nosso dia-a-dia, desde capacetes extra, casacos, computador, saco do ginásio. Em algumas delas podemos mesmo levar tudo junto, tal é o volume de espaço disponível. Mas os aspectos práticos destas scooters não se ficam por aqui, a ausência de caixa e embraiagem tornam-nas funcionais num uso de trânsito urbano e o nível de conforto é bastante elevado para os dois ocupantes. As suas dimensões, já não sendo umas scooters compactas acabam por ainda permitirem que se circule com bastante à-vontade no meio do mais intenso movimento citadino. Têm a grande vantagem de os seus motores permitirem rodar bastante acima dos 120 Km/h tornando pensáveis deslocações mais longas em vias rápidas ou autoestradas.
Se juntarmos a este facto o conforto e protecção aerodinâmica que apresentam estas são melhores estradistas do que se poderia pensar. Não seriam a nossa primeira escolha para uma viagem pela Europa fora, mas sabemos por experiência que são excelentes companhias nesse cenário. Mas foi para a cidade que foram desenvolvidas e será maioritariamente aí que as vamos analisar nas próximas páginas.
De entre o lote que apresentamos, por certo há uma solução para cada um de nós, desde a mais desportiva à mais prática, da muito acessível à que oferece todo o equipamento que possamos imaginar. Existem três patamares claros, com opções que, estando dentro de um mesmo segmento, apontam a gostos e vontades muito distintas, e por certo que aqui encontrará uma que lhe serve melhor.
BMW C400X
A BMW C400X é a scooter que mais se destaca neste trabalho por variadíssimas razões. Com um motor de 350 cc, está um pouco acima das restantes no que a prestações diz respeito, se bem que em cidade e espaços curtos esta não seja uma vantagem por demais evidente. Mas é o preço, nível de equipamento e posicionamento mais desportivo que a elevam para um patamar diferente. Com um valor base de tabela de 6 724 € esta unidade é a mais cara do conjunto e com nível de equipamento apresentado na unidade que usamos o preço ascende a 9 731 €.
Assim que nos sentamos aos seus comandos e a ligamos, através do sistema keyless, encanta-nos com as cores, animação e luminosidade do painel de instrumentos em TFT; ambos os sistema são opcionais (325€ e 630€ respectivamente). Através deste último podemos aceder a muita informação e ligá-lo ao nosso smartphone para expandir ainda mais as suas capacidades de comunicação. Mais, a unidade que usámos tinha ainda os opcionais de aquecimento de punhos e assento, luzes de LED e alarme.
Com uma carenagem frontal pouco volumosa e um ecrã pequeno e baixo esta é a scooter mais compacta e isso acaba por se reflectir na forma mais solta com que se deixa conduzir. É ágil de direcção e incita-nos a rodar com decisão, algo que a resposta mais contundente do motor também ajuda. Esta unidade sente-se a mais cheia de todas, o que será natural dada a sua maior cilindrada e potência, mas na fase inicial de aceleração permite que a Yamaha e a Sym a acompanhem. Mas nunca a igualam em tacto de punho e assim que ganha velocidade faz-se valer dos seus “galões” para se manter na frente.
Tem controlo de tracção de série, uma sistema que funciona bem em bom piso, mas se torna muito limitante em zonas de empedrado ou com muitas irregularidades. A travagem, a única a apresentar dois discos na frente, é francamente superior às restantes e o ABS funciona bastante bem, sem se mostrar intrusivo quando é accionado. Conforto não é o forte da BMW C400X, ainda que não seja desconfortável. As suspensões são firmes, mas funcionam bem na filtragem de pequenas irregularidades ao contrário de algumas das outras. A protecção aerodinâmica é bastante menor ao nível do tronco e da cabeça, sendo aconselhável a compra do ecrã maior a quem dá importância a este aspecto.
A BMW C400X é a escolha certa caso se queira uma scooter ágil e desenvolta para uma condução mais dinâmica, tendo sempre presente que estamos a escrever sobre uma scooter, e cujo nível de equipamento quase que só está limitada pelo tamanho da carteira de quem compra.
Ficha Técnica
| BMW C400X | |
| PREÇO | 9.731 € (6.826 € base) |
| MOTOR TIPO | monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido |
| CILINDRADA | 350 cc |
| POTÊNCIA MÁXIMA | 34 cv / 7500 rpm |
| BINÁRIO MÁXIMO | 35 Nm / 6000 rpm |
| EMBRAIAGEM | centrifuga |
| CAIXA | variador contínuo |
| FINAL | por correia |
| QUADRO | tubular em aço |
| SUSPENSÃO DIANTEIRA | forquilha telescópica de 35 mm, com 110 mm curso |
| SUSPENSÃO TRASEIRA | dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola, 112 mm |
| TRAVÃO DIANTEIRO | dois discos de 265 mm, ABS |
| TRAVÃO TRASEIRO | disco de 265 mm, ABS |
| PNEU DIANTEIRO | 120/70 – 15” |
| PNEU TRASEIRO | 150/70 – 14” |
| COMPRIMENTO MÁXIMO | 2210 mm |
| LARGURA MÁXIMA | 835 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 775 mm |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS | 1565 mm |
| CAPACIDADE DO DEPÓSITO | 12,8 litros |
| PESO | 193 kg |
| CORES | Azul com preto e branco com preto |
| GARANTIA | 2 anos |
| IMPORTADOR | BMW |
Honda Forza 300
A Forza 300 é tipicamente uma scooter Honda, um veículo que sem causar sensações fortes nos cativa com o uso. Pouco nela se destaca, em especial no que a prestações ou comportamento diz respeito, mas faz tudo bem e não tem mácula em área nenhuma. Além do mais é um dos modelos melhor equipados de base, com um funcionamento muito bom de todos os componentes. E toda ela feita de razão. Se no mundo das duas rodas as paixão é uma componente muito importante, no mundo das scooter, motos utilitárias por natureza, talvez essa não seja a principal razão da escolha.
Assim que assumimos os comandos da Forza sente-se que qualidade de todos os elementos é elevada, a par com as unidades mais caras deste trabalho. O painel de instrumentos reforça essa sensação, com um desenho muito sóbrio e de leitura fácil. Não chegado ao que é apresentado pela unidade opcional da BMW, este painel da Honda oferece um excelente nível e informação, incluindo temperatura ambiente, tempo de utilização e médias de consumo. O pára-brisas é o único que pode ser regulado durante a condução, sobe e desce ao toque de um botão com grande rapidez. Permite ter a melhor protecção quando rodamos depressa e a melhor visibilidade do que se passa à nossa frente, quando tal é necessário. Por baixo do assento, que oferece um bom apoio, ainda que não seja o mais macio, apresenta-se um bom espaço de arrumação, que se arrisca a ser o maior do comparativo, seguido de muito perto pelo da Sym.
Em condução a Forza não é uma moto que encante por algum aspecto particular, faz tudo com grande perfeição, é neutra em todas as suas reacções e muito fácil de levar. Mas ficamos sempre com a sensação de que podia oferecer mais qualquer coisa. Acaba por se revelar muito eficiente e demonstra na prática de que não necessita de oferecer muito mais para cumprir com os seus objectivo de nos levar, de forma confortável, prática e eficiente até ao nosso destino. O motor empurra sempre com força e a transmissão é muito precisa na forma como actua em especial quando temos de manobrar a baixa velocidade. Mas fi ca sempre a sensação que há um empurrão extra que não é deixado passar. Na verdade é rápida o suficiente para não ficar muito atrás das três mais rápidas, mas falta-lhe personalidade.
A travagem é muito eficiente, quase tão boa como a da BMW que usa dois discos na frente. As suspensões são firmes, com um bom tacto de condução mas sacrificam ligeiramente o conforto se as irregularidades forem mais pronunciadas. Garantem uma grande confiança na condução mais empenhada até ao ponto de tocar no chão se abusarmos das inclinações em curva. Não é grave, mas BMW e Yamaha permitem mais uns graus.
Ficha Técnica
| HONDA FORZA 300 | |
| PREÇO | 5.800 euros |
| MOTOR TIPO | monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido |
| CILINDRADA | 279 cc |
| POTÊNCIA MÁXIMA | 25,1 cv / 7000 rpm |
| BINÁRIO MÁXIMO | 27,2 Nm / 5750 rpm |
| EMBRAIAGEM | centrifuga |
| CAIXA | variador contínuo |
| FINAL | por correia |
| QUADRO | tubular em aço |
| SUSPENSÃO DIANTEIRA | forquilha telescópica |
| SUSPENSÃO TRASEIRA | dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola |
| TRAVÃO DIANTEIRO | disco de 256 mm, ABS |
| TRAVÃO TRASEIRO | disco de 240 mm, ABS |
| PNEU DIANTEIRO | 120/70 – 15” |
| PNEU TRASEIRO | 140/70 – 14” |
| COMPRIMENTO MÁXIMO | 2140 mm |
| LARGURA MÁXIMA | 755 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 780 MM |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS | 1510 mm |
| CAPACIDADE DO DEPÓSITO | 11,5 litros |
| PESO | 182 kg |
| CORES | Cinza, preto, azul e branco |
| GARANTIA | 2 anos |
| IMPORTADOR | Honda Portugal |
Kymco Grand Dink 300 ABS
Quem olha para ela não tem a percepção imediata de a nova Grand Dink 300 tem um custo tão inferior às restantes motos aqui presentes. Por 4299 euros consegue levar-nos a todo o lado onde as outras levam e oferece mesmo um dos níveis de conforto mais elevado, além de uma capacidade de carga que faz inveja ao modelo mais caro. Ao sentarmo-nos na Kymco somos envolvidos por um assento macio e confortável, o melhor do lote neste aspecto. Garante um nível de conforto que nenhum dos outros tem, mas se a nossa estatura for elevada poderemos sentir que ficamos apertados.
A posição de condução é um pouco acanhada, o maior problema é o encosto do assento que obriga a que se fique muito para a frente e com as pernas algo dobradas. No que respeita à protecção aerodinâmica, embora não seja a melhor do lote, oferece uma envolvência adequada quer para a cabeça como tronco. No geral o conforto que proporciona aos dois ocupantes garante que se podem fazer largos quilómetros sem cansaço. O painel de instrumentos é composto por três zonas, duas analógicas, velocímetro e conta-rotações, e um digital ao centro onde se tem o conta-quilómetros total e parcial, nível de combustível, temperatura e relógio.
Na zona do “avental” existem dois porta-luvas de boa capacidade, com uma de 12 volts. As suspensões são macias o que acaba por retirar um pouco de dinamismo à condução da Grand Dink, mas reforçam a sensação de bem-estar. A sua ciclística é competente oferecendo uma boa estabilidade em recta. É uma scooter com uma direcção precisa e bastante neutra. Se bem que não é a mais ágil aqui presente, acaba por oferecer uma condução agradável e que transmite uma boa dose de confiança. A travagem obriga a aplicar alguma força nas mantes, que são as únicas reguláveis, para se retirar o melhor dos dois discos.
O motor é uma unidade monocilíndrica com 276 cc, a menor do grupo, e isso acaba por se notar nas prestações. Não envergonham mas acaba por não chegar ao nível das concorrentes. A maior limitação acaba por vir da sua transmissão que se mostra “preguiçosa” na fase inicial de arranque o que atrasa irremediavelmente face às restantes. Depois de colocada em movimento o seu motor responde de forma consistente, sendo agradável de utilizar, tanto a baixa velocidade como em estrada aberta.
Ficha Técnica
| KYMCO GRAND DINK 300 ABS | |
| PREÇO | 4.299 euros |
| MOTOR TIPO | monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido |
| CILINDRADA | 276 cc |
| POTÊNCIA MÁXIMA | 24,5 cv / 7250 rpm |
| BINÁRIO MÁXIMO | 25 Nm / 6250 rpm |
| EMBRAIAGEM | centrifuga |
| CAIXA | variador contínuo |
| FINAL | por correia |
| QUADRO | tubular em aço |
| SUSPENSÃO DIANTEIRA | forquilha telescópica de 37 mm, com 110 mm curso |
| SUSPENSÃO TRASEIRA | dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola, 100 mm |
| TRAVÃO DIANTEIRO | disco de 260 mm, ABS |
| TRAVÃO TRASEIRO | disco de 240 mm, ABS |
| PNEU DIANTEIRO | 120/80 – 14” |
| PNEU TRASEIRO | 150/70 – 13” |
| COMPRIMENTO MÁXIMO | 2250 mm |
| LARGURA MÁXIMA | 800 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 800 mm |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS | 1545 mm |
| CAPACIDADE DO DEPÓSITO | 13 litros |
| PESO | 200 kg |
| CORES | Cinza, preto e branco |
| GARANTIA | 2 anos |
| IMPORTADOR | Mavico |
Sym Joymax Z300
A sua estética é a que menos apela ao olhar com a óptica simples na dianteira. Mas é essa mesma característica que acaba por lhe dar um aspecto mais ligeiro e descomprometido que disfarça bem a sua volumetria. No que respeita ao equipamento esta scooter apresenta o essencial com uma bom espaço de arrumação debaixo do assento e dois porta-luvas na carenagem frontal, onde existe uma tomada de carregamento. O painel de instrumento assemelha-se em distribuição à maioria das concorrentes, se bem que não tem informação relativa aos consumos ou tempos de utilização.
No geral os plásticos e a montagem de algumas peças denotam um menor cuidado com a qualidade, ainda que não sejam situações preocupantes. Esta é claramente o modelo da gama Sym, que procura ter o preço mais acessível. O espaço para o condutor é amplo e a altura do assento adequada para a maioria das estaturas. Para facilitar ainda mais a colocação dos pés no chão, a Joymax tem amplos recortes laterais no estrado, na zona das pernas. A posição de condução é bastante descontraída fi cando-se com a sensação de estar dentro da moto, já que o assento se posiciona baixo em relação à altura do guiador. Quando arrancamos surge a grande surpresa que este modelo, que até agora nos pareceu construído sobre um orçamento apertado, tem escondida.
O motor tem umas prestações muito acima do esperado. Além de muito agradável de utilizar, tem um aceitável nível de vibrações e uma resposta cheia e fácil de dosear. A sua capacidade de aceleração coloca-a muito próxima das duas mais rápidas, na frente da Honda. A travagem acompanha bem esta qualidade do motor, com uma boa capacidade de desaceleração e um tacto consistente.
O comportamento da sua ciclístico, apoiado numas suspensões macias, acaba por sair penalizado quando se quer fazer uma condução mais dinâmica. A traseira tende a mover-se um pouco quando abusamos da velocidade em curva, se bem que tudo se passa de forma controlada. A baixa velocidade brinda-nos com um boa agilidade nas mudanças de direcção. O conforto é o aspecto mais importante quando se chega à ergonomia desta scooter. O assento é firme mas as suspensões acabam por compensar com uma afinação que procura dar ênfase ao conforto.
A Sym tem a possibilidade de afinar a altura do ecrã em duas posições, oferecendo na mais baixa já uma excelente cobertura quer para a zona da cabeça, quer para ombros.
Ficha Técnica
| SYM JOYMAX Z300 | |
| PREÇO | 4.999€ |
| MOTOR TIPO | monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido |
| CILINDRADA | 278,3 cc |
| POTÊNCIA MÁXIMA | 27,3 cv / 8000 rpm |
| BINÁRIO MÁXIMO | 27 Nm / 6750 rpm |
| EMBRAIAGEM | centrifuga |
| CAIXA | variador contínuo |
| FINAL | por correia |
| QUADRO | tubular em aço |
| SUSPENSÃO DIANTEIRA | forquilha telescópica |
| SUSPENSÃO TRASEIRA | dois amortecedores directos |
| TRAVÃO DIANTEIRO | disco de 260 mm, ABS |
| TRAVÃO TRASEIRO | disco de 240 mm |
| PNEU DIANTEIRO | 120/70 – 14” |
| PNEU TRASEIRO | 140/60 – 13” |
| COMPRIMENTO MÁXIMO | 2190 mm |
| LARGURA MÁXIMA | 760 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 747 mm |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS | 1546 mm |
| CAPACIDADE DO DEPÓSITO | 12 litros |
| PESO | 184 kg |
| CORES | Azul, preto e branco |
| GARANTIA | 5 anos/100.000 km |
| IMPORTADOR | Moteo Portugal |
Yamaha Xmax 300
Se é o lado mais desportivo que procuramos explorar numa scooter, a Yamaha Xmax 300 é a escolha mais adequada. Consegue ser mais rápida em aceleração que a BMW, que só a passa depois de superados os 100 km/h, e o seu volume e peso tornam-na na mais ágil. As suas dimensões e o desenho das suas carenagem demonstram bem o seu espírito mais aguerrido que acaba por ter continuidade no seu comportamento.
No caso deste trabalho foi utilizada uma unidade especial, a Iron Max que custa mais 400 euros, para oferecer uns acabamentos melhor cuidados no assento e na cobertura de algumas peças do avental A Yamaha surpreende com uma altura de assento muito elevada, muito mais alto que o das restantes. Mesmo pessoas com as pernas longas vão sentir esta diferença que obriga a que nos cheguemos à frente para melhor colocar os pés no chão. Fora este aspecto a posição de condução é bastante boa, direita e com bom controlo da direcção. É uma posição que nos coloca numa disposição mais activa em cima da scooter.
Tudo na Xmax é um pouco mais firme que nas restantes, o tacto do assento, as suspensões, todos os elementos transmitem melhor as reacções da moto uma vantagem para quem procura sensações de condução um pouco mais intensas. A sua ligeireza dá-lhe uma maior rapidez nas mudanças de direcção, e a certeza com que mantém a estabilidade permite uma boa velocidade em curva. A travagem não é o seu melhor atributo. Tem a potência necessária, mas obriga a que se faça alguma força nas manetes para conseguir os melhores resultados.
O motor não tem a resposta contundente da BMW, mas graças a uma excelente transmissão consegue ser mais rápido no arranque, mesmo com menor cilindrada e potência. É uma unidade que tem reacções muito suaves e precisas, sendo fácil de dosear, surpreendendo com a sua fantástica eficiência. Garante uma boa velocidade de cruzeiro e apenas perde nas recuperações ou com dois passageiros para a maior cilindrada da germânica. Esta Xmax está equipada com controlo de tracção, cuja a eficiência é boa actuando com moderação, ainda assim é possível ligá-lo e desligá-lo com a moto em movimento.
Mesmo mais desportiva, a Xmax 300 oferece o conforto necessário para uma scooter de uso quotidiano, com uma protecção aerodinâmica boa, que peca apenas pela regulação não ser feita sem ferramentas.
Ficha Técnica
| YAMAHA XMAX 300 IRON MAX | |
| PREÇO | 6.395 euros |
| MOTOR TIPO | monocilíndrico, 4T, refrigeração por líquido |
| CILINDRADA | 292 cc |
| POTÊNCIA MÁXIMA | 27,2 cv / 7250 rpm |
| BINÁRIO MÁXIMO | 29 Nm / 5750 rpm |
| EMBRAIAGEM | centrifuga |
| CAIXA | variador contínuo |
| FINAL | por correia |
| QUADRO | tubular em aço |
| SUSPENSÃO DIANTEIRA | forquilha telescópica, com 110 mm curso |
| SUSPENSÃO TRASEIRA | dois amortecedores, reguláveis em pré-carga da mola, 79 mm de curso |
| TRAVÃO DIANTEIRO | disco de 267 mm, ABS |
| TRAVÃO TRASEIRO | disco de 245 mm, ABS |
| PNEU DIANTEIRO | 120/70 – 15” |
| PNEU TRASEIRO | 140/70 – 14” |
| COMPRIMENTO MÁXIMO | 2185 mm |
| LARGURA MÁXIMA | 775 mm |
| ALTURA DO ASSENTO | 795 mm |
| DISTÂNCIA ENTRE EIXOS | 1540 mm |
| CAPACIDADE DO DEPÓSITO | 13 litros |
| PESO | 179 kg |
| CORES | Sword Grey |
| GARANTIA | 2 anos |
| IMPORTADOR | Yamaha Motor Portugal |
Notas de destaque & Pontuação
Motor
No capítulo do motor a BMW marca pontos graças à sua maior cilindrada e potência. Ainda assim consegue ser surpreendido na fase inicial de aceleração pela Yamaha, que faz excelente uso dos seus 292 cc, para ser a mais rápida até aos 100 km/h. O motor da Sym surpreende com umas excelentes prestações. A Honda apresenta um funcionamento muito refinado e suave. A Kymco desilude na fase inicial de arranque melhorando depois de estar em movimento.
Ciclística
Na ciclística a BMW volta a destacar-se ligeiramente com umas suspensões que oferecem um trabalhar mais refinado. A Honda é muito equilibrada e tem uma estabilidade grande. A Yamaha brilha pela agilidade da sua direcção e certeza no pisar que permite uma condução mais dinâmica. A Kymco apresenta uma boa estabilidade e o tacto de direcção é bom. A Sym é uma unidade bastante ágil, em especial no ambiente urbano.
Conforto
No conforto de uso a Honda apresenta vantagens, dada a facilidade de utilização, a excelente ergonomia e o conforto da regulação eléctrica do ecrã. A Yamaha tem uma boa posição de condução e a protecção aerodinâmica também se destaca, pena o assento tão alto. Na BMW falta um pouco de protecção aerodinâmica, mas a posição de condução compensa. Tanto Sym como Kymco oferecem boa protecção aerodinâmica e conforto geral.
Qualidade
No que respeita ao equipamento e qualidade a Honda acaba por se destacar, com bons acabamentos e equipamento de série superior. A Yamaha segue muito perto sem comando electro do ecrã e com um espaço debaixo do assento de formato menos prático. Sym e Kymco cumprem bem dentro deste sector, tendo em conta o preço. A BMW é bastante espartana de base, sendo necessário vários packs de acessórios para suplantar as restantes.
Equipamento & Medições
Conclusão & Escolha Motojornal
Depois de uma semana na companhia destas scooters, ficamos com a certeza que todas elas serão muito práticas para uma utilização diária. Os aspectos práticos que todas apresentam cumprem com o que esperamos do segmento, e a capacidade dos seus motores garante que nos podemos deslocar em volta da cidade sem limitações sempre com muito conforto. Dependendo das nossas possibilidades e importância que damos a diferentes aspectos, a nossa escolha pode seguir diferentes caminhos, mas quando se dão pontuações a cada área tendo por base o que realmente é mais relevante para nós, acabamos por ter um “vencedor”.
Sem fascinar em nenhuma situação, a Honda acaba por vencer este comparativo com o equilíbrio do seu funcionamento, bom nível de equipamento e qualidade que apresenta na versão base. O segundo lugar é disputado com uma margem muito pequena entre as duas scooters de carácter mais vincado e de preço mais elevado. A Yamaha acaba por levar de vencida a BMW por apenas um ponto com um comportamento muito consistente. A germânica perde a maioria dos pontos face a esta nos aspectos práticos, como a capacidade de carga, protecção aerodinâmica e equipamento base.
As duas motos de Taiwan dividem os dois restantes postos, com a Sym a marcar uma boa pontuação com o seu excelente motor, cujas prestações surpreendem. No restante acaba por estar próxima da Kymco, que tem um preço convidativo, tendo em conta tudo o que oferece.



