A família Adventure é icónica da KTM. Com um longo passado histórico, pleno de sucessos, quer em termos desportivos como comerciais, a marca austríaca volta a apostar tudo na nova geração da aventureira. 
O resultado é simplesmente brutal, principalmente na Super Adventure!

Texto: Domingos Janeiro_Fotos: KTM MOTOJORNAL_1401

Foi há três anos que a KTM apresentou a 1190 Adventure, deixando os fãs da marca completamente rendidos e os da concorrência a fazerem contas à vida. Foi um modelo que veio elevar a fasquia no segmento das trail, no que diz respeito a potência e, acima de tudo, facilidade de condução e prestações arrebatadoras. O sucesso não se fez esperar e depressa se assumiu como uma das trails de referência no segmento. Passados esses anos, a KTM volta a elevar a fasquia, através da Super Adventure S.
No entanto, os homens de Mattighofen recusam o rótulo de “modelo de entrada” para a sua Adventure mais pequena.

A nova 1090 Adventure tem 125 cv e pesa 205 kg. A 1290 Super Adventure S tem 160 cv e pesa 215 kg

A 1290 Super Adventure S representa o topo de gama da marca laranja, que aposta tudo neste segmento que é a sua verdadeira essência, em vez de colocar todos os conhecimentos técnicos e tecnológicos numa moto desportiva, que não está na sua génese, apesar de estarem este ano presentes em todas as classes do Mundial de Velocidade. Assim, a 1290 Super Adventure S surge equipada com o topo da tecnologia e potência que a KTM tem para oferecer neste momento. O que é extraordinário é o comportamento de ambos os modelos, e deste último em particular, com uma tremenda facilidade de condução.

1090 Adventure

Podemos considerar que a nova 1090 é a trail na sua mais pura essência, para rivalizar com os restantes modelos que compõem o segmento. Na verdade, para quem pretender viagens mais de aventura, em que os estradões ou até os trilhos mais apertados serão palco de eleição, esta continua a ser o modelo mais indicado, pois para além dos seus contidos 205 kg de peso a seco, apresenta dimensões contidas, o que se traduz em maior segurança e confiança para os utilizadores. É mais simples em termos tecnológicos, mas o controlo de tracção, ABS, ride-by-wire, embraiagem deslizante e três modos de condução (Sport, Street e Rain) são equipamento de série, com a possibilidade de juntar o modo Offroad como opcional.
A Adventure mantém a arquitectura do bloco, continuando a utilizar o dois cilindros em V a 75°, com 1050 cc de cilindrada, debitando 125 cv de potência. Para os detentores da carta A2, a KTM disponibiliza uma versão limitada a 35kW. Baixos consumos e um intervalo de manutenção alargado (15 000 km) torna-a num modelo interessante em termos económicos. O sistema Ride-by-Wire assegura uma pronta e limpa resposta do motor às solicitações do punho do acelerador, com uma forte entrega de potência em todos os regimes de rotação. Um motor muito redondo, linear mas potente. Para assegurar um bom comportamento mais desportivo, em todos os pisos, a Adventure vem equipada com controlo de tracção, que juntamente com a embraiagem deslizante que ajuda a reduzir o efeito “chattering” da roda traseira, temos o pacote perfeito para sermos rápidos aos comandos deste modelo. As suspensões continuam a ser um dos pratos fortes servidos pela KTM. Na frente, contamos com a forquilha invertida de 43 mm da WP, sem possibilidade de ajuste, mas cujo comportamento é muito seguro independentemente do piso, mostrando um funcionamento muito equilibrado e com um curso de 185 mm. Atrás, o monoamortecedor é ajustável em extensão e compressão, com um curso de 190 mm. O quadro de treliça em cromo-molibdenio assegura uma boa geometria à moto, com um peso muito reduzido, apenas 9,8 kg.

Muito fácil

Na apresentação, que teve lugar em Barcelona, iniciámos o dia aos comandos da Super Adventure S, e pensei que fosse depois muito difícil ficar surpreendido pelo modelo menos potente. Não poderia estar mais enganado! A primeira sensação é de leveza, não que a diferença entre ambos os modelos seja disparatado, muito pelo contrário, a 1090 pesa menos 10 kg em relação à 1290 (peso a seco e sem malas), mas pela própria postura de condução e dimensões mais contidas, mais estreita. O motor também se encaixa aqui que nem uma luva, com os 125 cv a mostrarem-se mais que suficientes em todas as ocasiões e para todos os níveis de condução.

O motor é forte em toda a faixa de utilização e mostra-se muito rápida. A estabilidade em curva é fantástica, permitindo correcções de trajectórias de última hora, sem qualquer hesitação. O sistema de travagem, com dois discos de 320 mm na frente e um de 267 mm atrás, apresenta um bom tacto e uma potência mais do que suficiente para parar o conjunto em segurança. A 1090 é muito confortável e familiar, fácil de explorar, acessível (850 mm de distância do assento ao solo), com um painel de instrumentos completo, com os comandos colocados no punho esquerdo, cujo funcionamento é fácil e intuitivo. O ecrã é ajustável, mas obriga-nos a efectuar essa operação com a moto parada, pois necessitamos de utilizar as duas mãos. A pensar nos viajantes, e à semelhança das versões anteriores, a 1090 vem já equipada com os encaixes para as malas laterais.

O avião

Que é como quem diz, a 1290 Super Adventure S! Basta olharmos para ela para vermos que se tornou numa verdadeira montra tecnológica. É um regalo ficar apenas a olhar para ela. Uma obra de arte! Como a aposta no segmento das motos desportivas nunca esteve na génese da KTM, a Super Adventure S assume-se assim como a “super desportiva” no segmento das sport touring. Tudo é luxo e tecnologia, como as suspensões semi-activas, motor revisto, com 160 cv, desenho elaborado pela Kiska, novas entradas de ar, nova óptica dianteira em LED e adaptativa (consoante os graus de inclinação nas curvas assim é a intensidade da luz no lado correspondente), ecrã TFT a cores de 6,5”, compartimento para colocar o smartphone com tomada USB, permitindo ver as chamadas e reproduzir os ficheiros de áudio.

Na imagem de cima temos a 1290 que representa o pináculo da criação austríaca para 2018. A 1090 desta foto é a trail mais purista.

Em termos de electrónica, é, sem margem para dúvidas, um dos modelos mais completos do segmento, pois para além dos modos de condução, controlo de tracção, quick shift integral, ride-by-wire vem ainda equipada com suspensões WP com quatro pré-ajustes de amortização interactivos e pré-carga ajustável electronicamente e se optarmos pelo “pacote de viagem” o nível de equipamento sobe ainda mais com a introdução do controlo nas subidas (HHC – hill-hold), regulação do efeito deslizante do motor (MSR) e “cornering ABS”. Impressionados? Nós também ficámos! Mas este novo modelo é muito mais do que tecnologia e potência, é uma moto que foi verdadeiramente pensada para o bem-estar dos utilizadores e isso vê-se por pequenos detalhes como o ajuste da posição do ecrã TFT, a regulação do ecrã que pode agora ser efectuada apenas com uma mão, o sistema de ignição sem chave (keyless) e o compartimento para os smartphones com entrada USB, para além da tomada de 12V colocada onde habitualmente encontramos o canhão da ignição, tudo para facilitar a vida dos utilizadores, seja no dia-a-dia, como numa volta ao mundo!
Toda esta tecnologia, está integrada no quadro em treliça, em tubos de aço, que consegue igualmente uma eficaz distribuição de peso, bem como um baixo centro de gravidade, responsável pelo grande equilíbrio demonstrado pela Adventure maior. O conforto geral está assegurado por um assento amplo e revestido com espuma 3D, com uma posição de condução elevada mas natural e descontraída e um depósito de combustível com capacidade para 23 litros.

Surpreendentemente fácil

A imagem geral desta nova 1290 Super Adventure S é impactante, mas ao contrário de outros modelos, de outras marcas, não intimida os menos experientes, até porque não é muito mais pesada que a 1090 e as dimensões são contidas. O que impressiona é a nova óptica dianteira, totalmente feita em alumínio para ajudar a dissipar o calor proveniente dos LEDs, cujas dimensões são generosas. A óptica é adaptativa, pois consoante o lado para onde viramos e o ângulo de inclinação, assim se acendem um dos quatro LEDs colocados em cada lateral.

A simplicidade acaba por nos deixar mais 
à vontade, principalmente se tivermos menos experiência. 
A 1090 está disponível em versão A2.

O assento é ajustável em altura, o que ajuda a ganhar confiança. Quando arrancamos, sentimos um equilíbrio notável, mesmo em manobras a velocidades mais reduzidas. Ao contrário do esperado, o motor, mesmo no modo mais agressivo, Sport, não assusta e revela até uma suavidade e entrega de potência muito fácil de dosear. No entanto, ainda temos o Street (resposta mais suave e controlos electrónicos mais interventivos), Rain (potência limitada e controlos electrónicos no máximo de intervenção) e o Offroad em que o sistema ride-by-wire limita a resposta do acelerador e a potência máxima, deixando o controlo de tracção menos interventivo e cortando por completo a intervenção do ABS na roda traseira.

No modo Sport, a suavidade está sempre presente, mas quando rodamos o punho do acelerador torna-se rápida, muito rápida. A electrónica funciona a cem por cento, mas passa-nos desapercebida, e nem nos lembramos que há muitos sensores e muitas contas a serem feitas a todos os instantes para que tudo funcione sem sobressaltos. Ainda para mais neste modelo que tivemos a oportunidade de testar e que tinha toda a electrónica, mesmo aquela que só estará disponível no pacote Travel Pack do qual consta o sistema MSR (regulação do efeito deslizante do motor), controlo de travagem em plano inclinado (HHC). Rodamos punho e desfrutamos sem sobressaltos das estradas enroladas, onde, sinceramente, as motos desportivas não deixam saudades. É diversão em larga escala! Neste pacote (Travel) está também disponível o sistema KTM My Ride que recorre ao sistema Bluetooth para ligar o telemóvel à moto, onde conseguimos ver quem nos está a ligar no painel TFT, bem como podemos colocar a tocar as músicas que temos guardadas nos nossos telemóveis!
Para fechar o pacote Travel, temos o sistema quick shift que depois de o utilizarmos, torna-se num vício.
Em termos gerais, podemos dizer sem receios que esta é a referência na classe das turísticas-desportivas, trazendo para o segmento novos parâmetros de qualidade que deixam-nos muito curiosos para o futuro! Para já, é desfrutar ao máximo do prazer que é conduzir esta Super Adventure S!

Sabia que?
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Desde 2003, saíram da fábrica austríaca mais de 75 000 KTM Adventure?
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Que os testes em altitude da gama Adventure foram feitos nos Alpes, enquanto que os testes de pó foram realizados na África do Sul?
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Todos os motores das Adventure foram submetidos a um teste de resistência com 100 000 km?
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O novo ecrã TFT de 6,5’’, desenvolvido em parceria com a Bosh, venceu o conceituado prémio de inovação CES 2017?
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Em relação à Adventure 950 de Fabrizio Meoni, vencedora do Dakar em 2002, a 1090 Adventure tem mais 23 cv de potência?
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Um protótipo da 1290 Super Adventure participou numa corrida de um campeonato nacional e alcançou a terceira posição na classe Superbike?

Versões
Para além da 1090 Adventure, estará também disponível a versão R, com suspensões melhoradas e totalmente ajustáveis, jantes de raios de 21’’ na frente e 18’’ atrás, com pneus de tacos, protecções laterais de motor, distância do assento ao solo mais elevada (890 mm), modos de condução com o Offroad incluído e guiador, pousa-pés e manetes ajustáveis.

O esquema de cores é, obviamente diferente também. No que diz respeito à 1290, são três as versões, a Super Adventure S, que aqui apresentámos, a versão T (mais vocacionada para as grandes viagens mas sem grandes alterações relativamente à S) e a R, totalmente vocacionada para quem dá primazia às incursões fora de estrada.

 

À semelhança da polivalência do novo painel TFT, também em termos de acessórios, versões e electrónica, temos um verdadeiro mundo de opções.

 

KTM 1090 Adventure_14 150€

MOTOR

Tipo: Dois cilindros em V a 45º, 4T, refrigerado por líquido

Distribuição: Duas árvore de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro
Diâmetro x Curso: 103 x 67,9 mm
Cilindrada: 1050 cc
Taxa de compressão: n.d.
Potência Máxima: 125 cv
Binário Máximo: n.d.
Alimentação: Injecção electrónica
Ignição: Electrónica
Arranque: Eléctrico
TRANSMISSÃO Primária: Por engrenagens
Embraiagem: Discos em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Final: Por corrente
Quadro: Tubular em treliça, cromo-molibdeno
Suspensão Dianteira: Forquilha telescópica invertida WP, Ø43 mm, curso de 185 mm
Suspensão Traseira: Sistema mono-amortecedor WP, curso 190 mm
Travão Dianteiro: Dois discos Ø 320 mm, pinças radiais de quatro êmbolos, ABS
Travão Traseiro: Disco Ø 267 mm, pinça de dois êmbolos, ABS
Pneu Dianteiro: 110/80 x 19’’
Pneu Traseiro: 150/70 x 17”
Comprimento Máximo: n.d.
Largura Máxima: n.d.
Altura do Assento: 850 mm
Altura Máxima: n.d.
Distância entre Eixos: 1560 mm
Trail: n.d.
Ângulo da coluna de direcção: n.d.
Capacidade do depósito: 23 litros
Peso (a seco): 205 kg
Cores: Laranja
Garantia: 2 anos
Importador: Jetmar

KTM Super Adventure 1290 S_ 17 592€
MOTOR Tipo: Dois cilindros em V a 45º, 4T, refrigerado por líquido
Distribuição: Duas árvore de cames à cabeça, 4 válvulas por cilindro
Diâmetro x Curso: 108 x 71 mm
Cilindrada: 1301 cc
Taxa de compressão: n.d.
Potência Máxima: 160 cv
Binário Máximo: 140 Nm
Alimentação: Injecção electrónica
Ignição: Electrónica
Arranque: Eléctrico
TRANSMISSÃO Primária: Por engrenagens
Embraiagem: Discos em banho de óleo
Caixa: 6 velocidades
Final: Por corrente
Quadro: Tubular em treliça, cromo-molibdeno
Suspensão Dianteira: Forquilha telescópica invertida WP, Ø48m, curso de 200 mm
Suspensão Traseira: Sistema mono-amortecedor WP, curso 200 mm
Travão Dianteiro: Dois discos Ø 320 mm, pinças radiais de quatro êmbolos, ABS
Travão Traseiro: Disco Ø 267 mm, pinça de dois êmbolos, ABS
Pneu Dianteiro: 120/70 x 19’’
Pneu Traseiro: 170/60 x 17”
Comprimento Máximo: n.d.
Largura Máxima: n.d.
Altura do Assento: 860 mm
Altura Máxima: n.d.
Distância entre Eixos: 1560 mm
Trail: n.d.
Ângulo da coluna de direcção: n.d.
Capacidade do depósito: 23 litros
Peso (a seco): 215 kg
Cores: Laranja ou preto
Garantia: 2 anos
Importador: Jetmar

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