Teste: Bajaj Dominar 400 – Uma agradável surpresa

A Dominar 400, cujos argumentos nos pareceram surpreendentes no passado, mostrou-nos agora com mais tempo e quilómetros quanto vale em diversos cenários e em diversas condições climatéricas. No final, tivemos uma agradável surpresa.

Texto: Domingos Janeiro

Foi em Junho de 2018 que a convite da Imexmoto, rumámos a Leiria para ficarmos a conhecer a gama Bajaj que a reputada empresa da Beira Litoral iria passar a importar para o nosso país. Na altura, pudemos rodar com toda a gama, mas houve um modelo em particular que nos deixou curiosos e ansiosos por um teste mais prolongado.

Foi precisamente a Dominar 400, cujos argumentos nos pareceram surpreendentes na altura, e que agora tivemos a oportunidade de comprovar com tempo, em diversos cenários e em diversas condições climatéricas. Um conjunto simples, humilde mas surpreendentemente simples e eficiente tanto nas grandes cidades como nas deslocações diárias das periferias para as urbes.

DESTAQUES

Cilindrada: 373,3 cc
Potência: 35 cv
Peso: 182 kg
Preço: 4100 euros

Olha, funciona!

Embrenhados nos nossos pensamentos preconceituosos, este “olha, isto até funciona” surgiu na nossa mente  depois de atravessarmos a cidade de Lisboa para chegar à redacção. Um agradável passeio junto ao rio Tejo onde apanhámos de tudo: percursos rápidos; lentos; trânsito parado; pavimento degradado; calçada e semáforos, muitos semáforos. Foi o suficiente para percebermos que afinal não há que temer ou menosprezar, esta Bajaj Dominar 400 funciona, e bem! A primeira impressão que temos (boa) diz respeito à estética, a frente remete-nos para um modelo japonês e a traseira para outro italiano, com linhas fluidas, discretas e sem grandes ângulos, capaz de agradar tanto aos mais jovens como aos mais conservadores. Destaque para a iluminação em LED da óptica dianteira que para além de lhe transmitir um aspecto mais desportivo funciona na perfeição. Já a dupla fila de LED na traseira contribui e muito para o bonito efeito estético.

A posição de condução é direita e confortável mas notamos que o assento é demasiado largo no arco das pernas, penalizando os utilizadores mais baixos ou com menos experiência e o guiador que além de ser alto é estreito. Nada que belisque o conforto ou a facilidade de condução, apenas um gosto mais pessoal. O encaixe na Dominar é perfeito, com o depósito de combustível a apresentar um desenho especificamente pensado para o melhor conforto possível das pernas. O depósito, com capacidade para 13 litros de combustível, assegura uma autonomia que ronda os 300 quilómetros, atendendo ao consumo de 4 litros por cada 100 km, resultado de uma média feita em cidade, estrada aberta, auto-estrada e estradas mais reviradas, simulando uma utilização comum diária.

  FICHA TÉCNICA

MOTOR E TRANSMISSÃO

Tipo monocilindro, 4T, refrigerado por líquido
Cilindrada 373,3 cc
Diâmetro/Curso n.d.
Potência máxima 35 cv/8000 rpm
Binário máximo 35 Nm/6500 rpm
Alimentação Injecção electrónica
Transmissão Final Corrente
Embraiagem multidisco em banho de óleo
Caixa de velocidades seis velocidades

CICLÍSTICA

Quadro dupla trave perimetral em aço
Pneu dianteiro 110/70-17”
Pneu traseiro 150/60-17”
Suspensão dianteira forquilha convencional, Ø43 mm
Suspensão traseira monoamortecedor, regulável na pré-carga
Travão dianteiro disco de Ø320 mm, pinça radial de 2 êmbolos, ABS
Travão traseiro disco de Ø230 mm, pinça de êmbolo simples, ABS

PESO E DIMENSÕES

Comprimento máximo 2.156 mm
Largura máxima 813 mm
Altura do assento n.d.
Distância entre eixos 1453 mm
Ângulo n.d
Avanço n.d.
Peso a cheio 182 kg
Capacidade do depósito 13 litros

Ciclística simpática

Sem fazer destacar muito uma ou outra qualidade, a Dominar 400 faz o que lhe cumpre: funcionar de forma eficaz quer nas cidades como nas viagens diárias de convergência dos subúrbios para os centros urbanos, com disponibilidade suficiente e conforto para aventuras de mais quilómetros, onde o pequeno ecrã defletor instalado na frente dá uma ajuda, ainda que ténue! A suspensão dianteira, uma forquilha convencional com bainhas de 43 mm sem afinação, mostra um compromisso mais brando, uma vez que este é um modelo, essencialmente citadino, onde abundam as estradas degradadas e onde damos preferência a um trabalho mais suave do conjunto de suspensões. Atrás, contamos com um monoamortecedor com reservatório de Nitrox, com ajuste na pré-carga da mola, também mais para o mole que para o firme, com uma capacidade de recuperação muito suave e eficaz. O setting perfeito para a cidade, mas um pouco limitativa quando rodamos em estrada aberta a devorar curva e contra curva. Limitativa também pelo conjunto de pneus radiais que a calça, uns MRF indianos que custam a aquecer e que não lidam muito bem com o conjunto velocidade alta e asfalto húmido. Nada que coloque em causa a nossa segurança, uma questão de hábito e de descobrirmos os limites do conjunto. Por falar em limites, o conjunto de travagem mostra-se suficiente, com o ABS a entrar em acção sempre que fazemos uma travagem mais forte. Fácil de dosear e com bom tacto, conta com um disco de 320 mm, pinça radial Bybre de dois êmbolos, com tubos de malha de aço e ABS, na frente e um disco de 230 mm atrás.

Motor cheio

A dar corpo a este modelo indiano, temos um monocilindro de 373 cc, a 4T, refrigerado por líquido, com injecção electrónica, quatro válvulas e três velas (tecnologia apelidada de DTS-i), capaz de debitar 35 cv de potência e um binário de 35 Nm. Ainda que no painel LCD totalmente digital estejam indicadas 13.000 rpm, na realidade estamos limitados às 9.000 rpm onde nos é cortada a ignição, por volta dos 160 km/h. Suficiente para qualquer tipo de utilização. O motor é muito linear e cheio logo a partir das 4.000 rpm, fazendo com que as recuperações sejam feitas de forma determinada mas tranquilas, sem picos ou perdas. O único reparo vai para o sistema de injecção, que se mostra um pouco brusco na abertura do acelerador, ou seja, não permite uma aceleração suave, estilo on-off. Sentimos isso principalmente na cidade, onde notamos uma entrega mais brusca do que gostaríamos.

Motor encorpado e fonte de algumas vibrações, que não chegam a incomodar. Este bloco, em conjunto com o quadro, uma dupla trave perimetral em aço, asseguram uma grande agilidade e facilidade de manobra a esta Dominar. Acrescentar ainda que o motor conta com um sensor que em caso de queda corta a ignição, por questões de segurança. A embraiagem deslizante faz-se notar, não só no conforto na utilização citadina, como também se sente a funcionar quando adoptamos um estilo de condução mais agressivo. Sem qualquer restrição ao punho do acelerador (com grande curso), a Dominar brindou-nos com um consumo de 4 litros aos 100 km, aceitáveis tendo em conta o comportamento disponível do encorpado bloco.